Corinthians nem precisa de Dorival no banco para mostrar que tem DNA próprio
Timão repete estilo de jogo das últimas partidas e deixa claro que tem identidade clara ao vencer a sensação do Campeonato Brasileiro
Após três partidas, o Corinthians reencontrou a vitória ao bater o Mirassol por 3 a 0, na noite deste sábado (4), pelo Campeonato Brasileiro.
Em uma atuação que não foi tão vistosa como, por exemplo, o primeiro tempo contra o Flamengo, no último fim de semana. Porém, bastante efetiva e que mostra que o Timão tem cada vez mais um DNA definido.
Mesmo sem o técnico Dorival Júnior no banco de reservas, pois cumpriu suspensão, a equipe alvinegra voltou a repetir alguns padrões importantes e cada vez mais concretos como as inversões de jogo dos três zagueiros aos laterais avançados.
Foi assim, inclusive, que o Corinthians chegou a jogada dos dois primeiros gols.
Maycon, de pênalti, abriu o placar ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Yuri Alberto e o garoto André fecharam o placar. O terceiro gol corintiano foi o primeiro entre os profissionais do garoto revelado nas categorias de base.
A partida contra o Mirassol também marcou o retorno de Memphis Depay após quatro semanas afastado por conta de um edema na coxa direita. O neerlandês entrou aos 27 minutos e teve uma atuação discreta.
Corinthians cada vez mais com a identidade definida
Diferentemente da impressão quando a escalação do Corinthians foi anunciada, a equipe não voltou a utilizar o meio-campo em losango que foi bem-sucedido durante um bom tempo. Sobretudo durante o período em que a equipe era treinada por Ramón Díaz.
Com Raniele novamente jogando como zagueiro pela esquerda, os laterais novamente tiveram mais participação ofensiva. E com as ligações diretas, quase sempre eles pegavam o corredor adversário com liberdade.
Assim, mesmo com menos posse de bola que o Mirassol no primeiro tempo, o Timão foi mais incisivo quando teve o domínio ofensivo.
Isso também foi fruto da dinâmica do meio-campo, com a dupla de volantes alternando posicionamento e permitindo que Breno Bidon participasse bastante como armador na fase ofensiva.
Quando tinha a bola, o Corinthians apostou na intensidade Como ponto negativo, a defesa corintiana deu muitos espaços para o Mirassol encaixar o seu jogo de troca de passes na primeira etapa.
A sorte do Timão foi que a equipe visitante não teve bom poderio ofensivo. O Leão Caipira até chegou a rondar a área do Corinthians, mas pouco finalizou e menos ainda teve precisão. Das seis finalizações no primeiro tempo, apenas uma teve direção ao gol.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Dessa vez o juiz marcou
O mérito do Corinthians foi ter sido eficiente quando teve o melhor momento da etapa inicial. Após os primeiros cinco minutos de jogo serem de pressão do Mirassol, o Timão rapidamente controlou as ações e tomou as rédeas da partida.
Não demorou para o clube alvinegro abrir o placar.
Após boa construção ofensiva, Matheus Bidu apareceu com liberdade pela esquerda e cruzou a meia altura na pequena área. Yuri Alberto, que fechava em ótima condição no segundo pau, é puxado por Reinaldo e sofre o pênalti.
No campo, o árbitro Felipe Fernandes de Lima não assinalou a infração. Porém, ele foi chamado para revisar o lance e, após analisar o vídeo, marcou a penalidade.
Torcida pede Yuri, mas quem cobra é Maycon
Mesmo sofrendo o pênalti, não foi Yuri quem foi para a cobrança.
Na semana passada, o centroavante corintiano desperdiçou uma penalidade de forma vexatória contra o Flamengo. Ele tentou uma cavadinha, mas, ao chutar mais chão do que bola, praticamente recuou para o goleiro Rossi.
A torcida corintiana até fez coro para Yuri Alberto antes da cobrança, mas dessa vez quem bateu foi o volante Maycon.
O capitão corintiano bateu firme, no canto esquerdo, e não deu chances para o goleiro Walter.
Entrevistado pela Trivela de forma exclusiva nas últimas semanas, o meia corintiano reforçou a tese de que os atletas do Timão que conversam com a reportagem, sempre marcam na sequência.
Na comemoração, Yuri pareceu bastante emocionado. Ele não se juntou à roda de celebração dos atletas corintianos. Foi discreto, cumprimentou Hugo Souza e recebeu uma palavra de incentivo do goleiro. Na sequência, também saudou Maycon.
Corinthians encaixa a marcação, mas é envolvido pelo Mirassol
Se no primeiro tempo, o Corinthians errou muitos passes e deu espaço para o Mirassol encaixar o jogo dele, na segunda etapa algumas mudanças de posicionamento fizeram com que o Timão tivesse mais segurança defensiva. A principal foi Raniele centralizado, voltando a função original de volante.
De todo modo, ainda que sem a mesma liberdade do primeiro tempo, o Mirassol se lançou para o jogo e pressionou muito o Corinthians, que se deixava ser envolvido.
Parecia questão de tempo para o clube do interior empatar o jogo. Mas apenas parecia.
DNA mata o jogo e garante os três pontos para o Timão
Mas foi justamente no momento em que sofria a maior pressão do Mirassol que o Corinthians construiu a jogada do seu segundo gol. E justamente na base desse DNA que tem sido cada vez mais claro.
Breno Bidon encostou próximo a saída de bola e recebeu passe de João Pedro Tchoca. Com muita qualidade, o volante inverteu o jogo da direita para a esquerda e encontrou o lateral Matheus Bidu com muita liberdade.
Bidu trocou passes com Maycon e acionou Vitinho avançado.
Para evitar o chute cruzado do atacante corintiano, o goleiro Walter, do Mirassol, fechou o canto. Vitinho, por sua vez, foi inteligente e cruzou rasante para Yuri Alberto finalizar de primeira e ampliar o marcador.

E ainda teve tempo do Timão marcar mais um na base do DNA, mas em outro sentido. Cria do terrão, o jovem André foi acionado durante o segundo tempo par entrar no lugar de José Martínez.
Com o meia venezuelano desgastado, coube a cria do Terrão dar vigor ao meio-campo e, principalmente, impedir as descidas de Reinaldo pela lateral-esquerda.
André cumpriu perfeitamente esse papel tático, embora algumas vezes ansioso com a bola no pé. De todo modo, a aplicação rendeu ao jogador um momento especial nos minutos finais da partida.
Yuri Alberto tentou um passe por dentro e a bola voltou para o centroavante carregar, invadir a área e tocar para trás. André chegou finalizando e fazendo um belo gol. O primeiro dele como atleta profissional, pelo clube que o revelou.



