Derrota para o Juventude mostra que Corinthians só tem vontade contra outro time de verde
Em Caxias, postura do Timão teve léguas de distância em relação a que teve contra o Palmeiras na Copa do Brasil
O controle que sobrou para o Corinthians se classificar às quartas de final da Copa do Brasil, faltou para a equipe conquistar os três pontos do penúltimo colocado do Brasileirão.
Pouco intenso, com a marcha lenta e em uma atuação insossa, o Timão foi superado por 2 a 1 pelo Juventude, no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
Os primeiros minutos corintianos foram promissores, com o time organizado no meio-campo, trocando bons passes e chegando ao terço ofensivo com muita facilidade.
Mas foram justamente as áreas normalmente problemáticas que custaram aos corintianos no estádio jaconeiro.
Enquanto o Timão foi pouco contundente e quando chegava próximo ao gol, a defesa do clube alvinegro abusava dos erros quando era pressionada pelo adversário na saída de bola defensiva.
Desta forma, o Juventude aproveitava as falhas do Corinthians e as transições rápidas para levar perigo quando tinha a bola.

E foi assim que o Papo marcou os dois gols. Um em cada tempo.
A péssima atuação corintiana passou muito pela inoperância dos seus dois meio-campistas mais técnicos: Breno Bidon e Rodrigo Garro.
Os dois foram pouco intensos e cometeram muitos erros. O segundo, por sinal, se escondeu na maior parte do jogo.
Inclusive, uma recomposição em que ele foi pouquíssimo veloz gerou o espaço que gerou a jogada do primeiro gol do Juventude.
E para coroar a atuação corintiana que era descontrolada tecnicamente, o capitão Ángel Romero entrou na segunda etapa e também perdeu a cabeça.
O atacante paraguaio fez cosplay de Aníbal Moreno e foi expulso por tombar pelas costas o volante Jadson, da equipe mandante.
Corinthians começa controlando o jogo, mas falta molho
Com a base da equipe muito parecida com a que iniciou os dois jogos contra o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o Corinthians passou longe de ter o mesmo espírito.
As únicas ausências foram os lesionados André Carrillo e Memphis Depay, que foram substituídos por Breno Bidon e Talles Magno que mantiveram a ideia de jogo – ainda que no ataque o nível técnico diminuísse bastante.
E os primeiros minutos em Caxias mostravam uma partida controlada para o Timão.
O clube alvinegro trocava bons passes, ganhava o meio-campo, mas pecava no último passe. Foram seis finalizações no primeiro tempo, mas apenas uma em direção ao gol. E nenhuma chance clara.
A equipe visitante viveu de trocar passes na zona central (basta ver o mapa de calor corintiano na etapa inicial) e foi pouquíssimo contundente.
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E é molho que sobra para o Juventude de Carpini
E o que faltou no Corinthians, sobrou no Juventude: contundência. Até mesmo quando o Timão era melhor, o Papo pressionava a saída de bola e dava trabalho ao adversário.
E foi forçando os erros corintianos e se lançando ao ataque com velocidade, que o clube mandante criou as grandes oportunidades do primeiro tempo.
Logo aos cinco minutos, Raniele saiu mal, Jadson ganhou a bola e acionou Gabriel Taliari. O centroavante, porém, pegou mal na bola.
Taliari, porém, acertaria o pé minutos depois.

Antes disso, Gabriel Veron aparecia pela direita sempre com a maior liberdade do mundo.
O gol jaconeiro, porém, saiu pelo setor oposto.
A recomposição preguiçosa de Breno Bidon deixou Marcelo Hermes livre pelo lado direito. O lateral do Juventude cruzou a meia altura e André Ramalho afastou mal. Na sequência, Hermes cruzou novamente, dessa vez alto. E Gabriel Taliari entrou livre, nas costas de Raniele, para dar uma tijolada de cabeça.
O centroavante voltou a marcar após quase cinco meses.
Na frente do placar, o Papo passou a ter espaços para contra-atacar com perigo. E em uma dessas investidas rápidas, Gabriel Veron apareceu livre pelo lado direito e obrigou o goleiro Hugo Souza a fazer boa defesa.
Descontrole técnico e emocional do Corinthians em Caxias
Para contrariar a máxima do “pior que está não fica”, o Corinthians voltou para o segundo jogando ainda menos.
Pressionado pelo Juventude, o Timão deixou até mesmo de ganhar o meio-campo e sofreu com os erros de passe.
O sistema defensivo seguiu dando espaços na área e gerando chances à equipe da casa.
Na única grande chance criada pelo Corinthians, Talles Magno cabeceou errado e não aproveitou o cruzamento de Garro, em um dos poucos bons momentos do argentino em campo.
Dorival mudou a equipe, colocou Angileri e Dieguinho em campo, para dar mais profundidade ao Timão pelos lados.
Inicialmente, as alterações pareciam surtir efeito. Pouco tempo depois, porém, o Juventude respondeu às mudanças com outras. E foram elas cruciais para a definição do resultado.
Nenê e Matheus Babi entraram em campo aos 33 minutos do segundo tempo. Um minuto depois, o meia ganhou de Matheuzinho pela direita e serviu o centroavante, que girou sobre Angileri, e tocou na saída de Hugo Souza.

Inicialmente, a arbitragem assinalou impedimento, que foi corrigido.
Antes de sofrer o segundo gol, o capitão Ángel Romero havia entrado no Corinthians. No entanto, o atacante paraguaio foi quem perdeu a cabeça e foi expulso 10 minutos após ingressar ao gramado por um encontrão pelas costas do volante Jadson.
Perto dos acréscimos, Matheuzinho até marcou de falta. Mas não foi o suficiente para conquistar o empate no Sul do Brasil.
A derrota corintiana foi fruto de uma atuação bastante apática contra o Juventude, em Caxias.



