Brasileirão Série A

Como o Fla-Flu pode ser essencial para o Fluminense no Mundial de Clubes

De olho no Mundial de Clubes, Fluminense usou variações em empate no Fla-Flu e ganhou alternativas, mas também viu planos não darem certo

O Fluminense ficou no empate com o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, mas a bem da verdade, o resultado pouco importava para o Tricolor, campeão da Libertadores no último sábado (4). De olho no Mundial de Clubes, em dezembro, o Flu testou novidades contra o Rubro-Negro, e ganhou alternativas para o time.

Se voltou a usar André na zaga como de costume, o sistema foi um pouco diferente. Em vez de reunir jogadores em volta da bola, como costuma fazer Fernando Diniz, a ideia foi espaçar o campo.

Lima e Ganso recuavam para qualificar a saída e serviam como iscas. Diogo Barbosa, Yony González e Arias abriam pelas pontas, e o centro do campo ficava mais livre para os meias. Isso fez com que a pressão pós-perda do Flamengo diminuísse. Pulgar e Gerson se dividiam nas coberturas, e os pontas do Rubro-Negro demoraram a fazer a leitura correta.

Tempo suficiente para que Arias aproveitasse falha defensiva de Filipe Luís em bola lançada pelo alto e achasse um Yony livre na área. Mesmo atrapalhado, ele balançou as redes pela primeira vez em seu retorno ao Fluminense. Um gol Tipo Colômbia.

— A gente tem que saber jogar da maneira que o jogo pede. A gente soube explorar de maneira variada. Isso mostra maturidade e efeito cumulativo desse ano e meio de trabalho. Demora esse tempo para ter variação de jogo — afirmou Diniz.

Yony González, inclusive, é mais uma boa alternativa para o ataque do Flu. Com capacidade de jogar pela ponta, onde deu assistência importantíssima na semifinal da Libertadores e também por dentro, com presença de área, o colombiano ganha espaço às vésperas do Mundial de Clubes.

Martinelli cresce e ganha importância no Fluminense

Um jogador em especial se beneficiou e muito das mudanças. Se André participava mais da construção na primeira linha, o meio campo se abriu para Martinelli. De frente para o jogo e com espaço para pensar, o camisa 8 foi cerebral.

Martinelli teve grande atuação no Fla-Flu e iniciou jogada do gol de empate do Fluminense - Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC
Martinelli teve grande atuação no Fla-Flu e iniciou jogada do gol de empate do Fluminense – Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC

O volante, na verdade, ocupou um espaço de campo em que Marcelo flutuou por grande parte do primeiro tempo. E teve mais êxito. De seus pés saiu o passe para Arias ganhar no alto e Yony González empatar o Fla-Flu.

— A sua leitura está correta. O Marcelo jogou mais por dentro. Flutuando. O time como um todo não estava conseguindo se impor. As mudanças surtiram efeito, e a gente jogou maneira mais variada. O time tem jogado de maneira variada que é o que tem que fazer. Se jogar sempre da mesma maneira fica mais fácil de marcar — afirmou, respondendo à Trivela na coletiva.

Marcelo joga no meio, mas Fluminense não cumpre plano de Diniz

O Fluminense começou o jogo com um posicionamento diferente. Na defesa, Martinelli fechava o lado esquerdo e liberava Marcelo para jogar pelo meio do campo. A ideia era ter mais qualidade no entorno da bola e associar os três jogadores mais técnicos do time: Paulo Henrique Ganso, André e o camisa 12.

No meio, Marcelo tentou muito, mas viu atuação ruim do Fluminense na primeira etapa - Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
No meio, Marcelo tentou muito, mas viu atuação ruim do Fluminense na primeira etapa – Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC

A tentativa era boa, mas espaçado e errando muitos passes, o Flu pouco conseguiu aproveitar. Marcelo se movimentou muito e flutuou bastante, mas não foi suficiente. Foram poucas as vezes em que ele e Ganso conseguiram ocupar a mesma faixa de campo.

Além de estar desconcentrado, o Tricolor também teve menos a bola, um mérito de um Flamengo com ótimos jogadores no meio-campo e que fizeram bom primeiro tempo também na marcação. A pressão pós-perda do Rubro-Negro dificultou a vida do time de Diniz na primeira etapa, e a equipe não conseguia jogar seu jogo. No fim, o Fla teve quase 60% de posse, algo raro contra o Flu.

Diniz insistiu que seu plano não era essa.

— Pelo que aconteceu na partida, o resultado de empate foi justo. Não foi um jogo que eu gostei plenamente, porque o começo do jogo, o Flamengo foi muito melhor que a gente. Eu não gostei da primeira parte, e o plano era o contrário. Era para jogar melhor no primeiro tempo — opinou.

Fluminense já está de olho no Mundial de Clubes

Agora, o Fluminense pensa no Mundial de Clubes, e usa o Campeonato Brasileiro, com seriedade, como preparação para a competição. O próximo confronto é um jogo quase festivo: enfrenta o São Paulo, no Maracanã, no dia 22 (quarta). Uma troca de faixas de campeão — os paulistas foram campeões da Copa do Brasil — está prevista para a partida, bem como a volta olímpica com a taça da Libertadores.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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