Brasileirão Série A

Fluminense segura o Flamengo em jogo de céu e inferno, e complica chances do rival no Brasileiro

Flamengo de Tite vai melhor na primeira etapa, mas Diniz corrige erros e vê sua equipe dominar no segundo tempo, em jogo de resultado justo no Maracanã

Flamengo e Fluminense ficaram no empate em 1 a 1 neste sábado (11), no Maracanã, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Arrascaeta abriu o placar para o Rubro-Negro em golaço no primeiro tempo, mas Yony Gonzalez empatou na etapa complementar. O jogo foi caracterizado por um tempo melhor de cada equipe, com a equipe de Tite bem no início, e os comandados de Diniz fechando melhor.

O resultado acabou sendo ruim para apenas o Flamengo, que desperdiçou boa oportunidade de encostar de vez na liderança do Brasileirão. O Rubro-Negro soma 57 pontos e está na quinta posição, com dois de desvantagem para o Botafogo. O Fluminense, já campeão da Libertadores e com a temporada feita, acumula 47 pontos e ocupa a oitava colocação.

Flamengo foi aos céus no primeiro tempo

Ao contrário do que se viu em diversos momentos da temporada, o Flamengo entrou para o clássico ciente daquilo que precisava fazer. O time exalava foco, e a pressão pós perda da equipe de Tite foi a grande estrela do primeiro tempo. Gerson e Pulgar foram gigantes nesse quesito. Apesar da pressão, o Rubro-Negro não conseguia vencer Fábio. Até o momento que a Nação pôde soltar o grito no Maracanã, o goleiro do Tricolor era o melhor em campo.

Pedro tentou, Luiz Araújo também, Cebolinha acertou a trave, mas nada adiantava. Gerson ainda teve chance cara a cara com Fábio, na marca do pênalti, e desperdiçou. Coube a Arrascaeta, grande referência técnica do Flamengo, desafogar o time ainda no primeiro tempo. Já nos acréscimos, o uruguaio deixou Nino no chão com um corte a lá Messi em Boateng, na Champions League de 2015, e venceu o goleiro do Fluminense. Etapa inicial terminou com festa e aplausos da torcida para o Rubro-Negro.

Arrascaeta comemora o gol que abriu o placar para o Flamengo (Photo by Jorge Rodrigues/AGIF/Sipa USA)

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E aí o Flamengo desceu ao inferno no segundo tempo

Na volta para o segundo tempo, contudo, o Flamengo caiu muito de produção. É difícil afirmar se cansou, ou dispersou, mas a equipe de Tite teve uma postura totalmente diferente. Lento, o Rubro-Negro observou o Fluminense jogar em boa parte da etapa complementar, e o gol de empate, sofrido antes do minuto 20, foi uma personificação da atuação.

Filipe Luís deixou Árias livre para cabecear, Rossi demorou um pouco para sair, embora não ache que se configurou como falha, e a zaga marcou a bola. Assistiram Yony Gonzalez, meio sem querer, decretar a igualdade no placar. Ciente de que o resultado era muito ruim, o Rubro-Negro até buscou ficar novamente na frente, mas parou em Fábio e nos próprios erros.

Valeu pela festa da torcida do Flamengo

Antes da bola rolar, a torcida do Flamengo, mandante da partida, preparou uma linda festa nas arquibancadas do Maracanã. Um mosaico 3-D, com praticamente todas as conquistas de títulos de expressão do clube. Mundial, Libertadores, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e mais, todos expostos no mosaico. Por mais que já estivesse programado antes do Fluminense ser campeão inédito da América, a ação soou como uma provocação direta ao arquirrival.

Desconcentrado, Fluminense começa mal e cede bola ao Flamengo

Não chega a ser novidade que o Fluminense nem sempre começa bem seus jogos. Nesse sábado, no Maracanã, não foi diferente. Desconcentrado, o Tricolor demorou a entrar no jogo. E viu um Flamengo em rotação acima dominar a primeira etapa.

Sem conseguir segurar a bola do meio para a frente e errando muito no ataque, o Flu teve dificuldades para jogar. Na zaga, Marlon errava muitos passes e levava Fernando Diniz à loucura na área técnica. Mais uma vez, o camisa 4 não jogou bem. Foi ele o alvo das maiores reclamações do treinador na parada técnica, aos 30 minutos, já que o clima no Rio de Janeiro era muito quente.

A partir dos 20 minutos, o Tricolor conseguiu forçar erros e equilibrou um pouco o jogo. Mas não o suficiente para incomodar. As melhores chances foram do Rubro-Negro, com Cebolinha, aos 15, que parou na trave, e Gerson, aos 42, que obrigou Fábio a fazer grande defesa

Quatro minutos depois o placar fez justiça com o que foi o jogo. Arrascaeta recebeu de Pulgar e passou como quis por Nino antes de bater forte para levantar o Maracanã. O zagueiro que não costuma ser driblado caiu feio no chão e viu o uruguaio balançar as redes de Fábio em um golaço.

Fluminense volta com André na zaga e empata o jogo

Insatisfeito com a atuação do Fluminense no primeiro tempo, Fernando Diniz mexeu por atacado no intervalo. Saíram Marcelo, Keno e Marlon e entraram Diogo Barbosa, Yony González e Lima. Com as mudanças, André foi deslocado para a zaga, e o Tricolor melhorou.

Não à toa. Melhorou porque tinha mais a bola, diferente do primeiro tempo, quando a cedeu Flamengo e estranhamente esteve próximo dos 40% de posse. E porque os escolhidos de Diniz também faziam bom jogo.

Aos 17, numa jogada despretensiosa, Martinelli lançou Arias, que aproveitou bobeira de Filipe Luís e escorou de cabeça para a área. Livre de marcação, Yony González tocou com os dois pés na bola, e meio sem querer querendo, venceu Rossi para balançar as redes e empatar o jogo.

Yony Gonzalez celebra o gol de empate do Fluminense (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Sipa USA)

Com muitas mudanças, Flamengo e Fluminense ficam no empate

O gol deu vida ao Fluminense, que era melhor no segundo tempo. Aí, Tite, que já tinha colocado Bruno Henrique, também mexeu três peças no tabuleiro. Sacou Pedro, Arrascaeta e Filipe Luís, e colocou Gabi, Everton Ribeiro e Ayrton Lucas, numa demonstração impressionante da força do elenco Rubro-Negro. O Flu perdeu Yony González, machucado, e colocou Lelê. Depois, mudou Ganso por Alexsander para compensar na marcação no meio-campo.

O jogo ficou truncado, mas com mais qualidade, o Flamengo ficou superior. No abafa, pressionava o Fluminense para trás. Lelê não conseguia segurar a bola, e o Tricolor errava muito. Apesar disso, os rubro-negros criaram poucas chances. A melhor foi do Flu, com John Kennedy, aos 41. O herói do título da Libertadores recebeu nas costas de Fabrício Bruno, mas bateu fraco e viu Rossi salvar o Fla. E ainda deu tempo de Gabigol e Nino serem expulsos em confusão. No fim, um tempo e um gol para cada lado. Resultado justo para o que foi o jogo.

Tite e Diniz se abraçam de maneira amistosa antes do Fla-Flu deste sábado (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Sipa USA)

Derrota é ruim para o Flamengo, que escapa do pior

O empate é ruim, mas não deixa o Rubro-Negro totalmente morto na disputa pelo título. O Flamengo retorna aos gramados no próximo dia 23 de novembro (quinta-feira), para enfrentar o Red Bull Bragantino, justamente em um confronto direto, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. É vencer ou vencer, diante das circunstâncias que a tabela apresenta.

Confortável no Brasileiro, Fluminense segue preparação para o Mundial

A bem da verdade, não havia resultado ruim para o Fluminense no clássico. Isso porque o Tricolor já está confortável e não briga por mais nada no Campeonato Brasileiro. Classificado para a Libertadores de 2024 como atual campeão, o Flu segue sua preparação para o Mundial após o empate. Com 47 pontos, o time de Fernando Diniz segue no oitavo lugar e agora enfrenta o São Paulo, na quarta (22), no Maracanã, em jogo de troca de faixas.

Estatísticas de Flamengo x Fluminense – Campeonato Brasileiro

  • Posse de bola: Flamengo 59% x 41% Fluminense
  • Chutes: Flamengo 11 x 13 Fluminense
  • Chutes a gol: Flamengo 7 x 4 Fluminense
  • Gols: Flamengo – Arrascaeta, aos 46′ do 1ºT ; Fluminense – Yony Gonzalez, aos 17′ do 2ºT
Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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