Com brilho de Romero e Arana, organização do Corinthians derrubou o Palmeiras no Allianz
O aguardado duelo entre Palmeiras x Corinthians no Allianz Parque, o dérbi, acabou com os corintianos comemorando na casa do rival. A vitória por 2 a 0 ampliou a vantagem na liderança, impondo 16 pontos de diferença para o rival alviverde e 12 diante do Flamengo, que ainda joga nesta quinta e pode diminuir para nove pontos novamente se vencer. Mais do que números, o que o jogo mostrou foi uma diferença clara entre os times em campo. Enquanto a organização do Corinthians é muito clara, o Palmeiras foi um caos, muito mais bagunçado ainda que jogos anteriores. Guilherme Arana, lateral corintiano, foi vital.
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O Corinthians não fez um dos seus melhores jogos no Campeonato Brasileiro. Mostrou a organização clara que é uma característica. O Palmeiras, como esperado, teve mais a bola. Só que os corintianos tiraram os espaços. Com a bola, tentaram ser mais perigosos no contra-ataque. Também não conseguiram. Mas em duas chances, dois gols. Nas duas, jogadas que vieram do lado esquerdo do ataque corintiano, na combinação de Ángel Romero com Guilherme Arana.
O Palmeiras fez o que se esperava: atacou desde o primeiro minuto. O problema é que não pareceu conseguir encaixar nenhuma jogada. Não só porque o rival estava bem posicionado em campo, mas porque o Palmeiras mostrou pouco repertório. O time parecia não saber se corria com a bola ou levantava na área; e tentava triangulações ou chutes de fora da área. O que se viu em campo foi pouco. Quase não houve chance de gol no primeiro tempo. A melhor do alviverde talvez tenha sido um chute, de longe, de Bruno Henrique.
O primeiro lance decisivo na partida veio aos 21 minutos. Romero achou um bom passe para Guilherme Arana, que chegou antes de Bruno Henrique na bola. O palmeirense, ex-Corinthians, tocou o lateral alvinegro e o derrubou. O árbitro Pedro Vuaden apontou a marca da cal. Jádson cobrou com perfeição: rasteiro no canto direito de Fernando Prass, com a bola ainda tocando na trave. Sem nenhuma chance de defesa ao goleiro palmeirense. Foi a chance do primeiro tempo.
No segundo tempo, Cuca então resolveu mudar. Tirou Bruno Henrique, que não fazia boa partida, e levou a campo o centroavante Borja. Era difícil entender o que o técnico palmeirense imaginava. Em campo, Roger Guedes virou lateral direito. Tchê Tchê, que estava na lateral, virou volante. Uma substituição ousada, mas que também bagunçou o time. Diante da organização corintiana, o ímpeto palmeirense pareceu inócuo. O time teve a bola, tentou correr, pressionar, mas nem chutar a gol com eficiência o Palmeiras conseguia ameaçar.
O segundo tempo não mudou muito o panorama do jogo. O Palmeiras continuava com a bola, tentando entrar na defesa adversária. Sem sucesso. O time é intenso e mesmo Miguel Borja,que parece muitas vezes estar alheio ao jogo, entrou ligado. Deu carrinho, brigou, tentou. Mas foi só isso mesmo. O esforço palmeirense pareceu inútil. O time corria muito, tentava, levantava bola na área e nada de uma chance clara.
Só que o Corinthians teve outra chance. Guilherme Arana interceptou um ataque do Palmeiras e tocou para Romero. Imediatamente, passou para receber. Tchê Tchê estava na sua marcação, mas não acompanhou. Ele parece chamar outro jogador para a troca de marcação, mas alguém faltou ao ensaio, porque ninguém acompanhou. Arana recebeu de Romero de volta, um belo passe, e o lateral esquerdo corintiano chutou de canhota, cruzado. Gol do Corinthians: 2 a 0.
O Palmeiras se desorganizou por completo depois de sofrer outro gol. Cuca tirou Thiago Santos, volante, e colocou Keno, atacante. O time continuava com problemas de criação. Tinha a bola, sem conseguir fazer nada de realmente perigoso ao adversário. O Corinthians nem precisou sofrer. O Palmeiras, pouquíssimo criativo, não ameaçou.
Vendo as estatísticas, o Palmeiras chutou 18 vezes a gol. Acertou só três no alvo. Cássio, porém, não fez nenhuma defesa difícil. Nem razoavelmente difícil. Nada. O Corinthians, que também mal atacou, chutou três vezes. Acertou duas.
Dizer que o Corinthians mal atacou e aproveitou as duas chances que teve no jogo todo é verdade, mas é só parte da verdade. O Palmeiras também não conseguiu ter chances. Foi mais ainda, não conseguiu transformar a posse de bola em uma jogada. Nem no sufoco, ao colocar Zé Roberto no lugar de Egídio e levar Yerry Mina ao ataque. O Palmeiras era um caos. Um ano depois da sua última derrota em casa – para o Atlético Mineiro, em julho de 2016 -, o Palmeiras volta a perder no seu estádio. Aliás, uma situação invertida em relação a 2016, que o Corinthians tinha a invencibilidade em casa e o Palmeiras foi lá e fez 2 a 0, com segurança. Desta vez, papéis invertidos.
Carille já deixou claro que a defesa é algo que ele prioriza quando se trata da organização do time. Não é por acaso que estamos na 13ª rodada e o time só tomou cinco gols. Cinco míseros gols. São 23 gols marcados, com um saldo, portanto, de 18 gols. O melhor saldo. O Grêmio tinha o melhor ataque, com 23 gols, igualado pelo Corinthians.
O Grêmio ainda joga nesta quinta tentando quebrar a sequência de derrotas. O Corinthians chega a 11 vitórias em 13 jogos, com dois empates. Um aproveitamento extraordinário de 89,7%. Uma entrega enorme do Corinthians em campo, com um aproveitamento fantástico de pontos.
Guilherme Arana e Romero foram decisivos. O Palmeiras não tem destaque, foi uma completa bagunça. O Corinthians só precisou ser organizado. Com um pouco mais de acertos de passe, poderia ter matado o jogo mais cedo. O time é consistente. No próximo sábado, o time alvinegro recebe o Atlético Paranaense na Arena Corinthians. O Palmeiras, por sua vez, recebe o Vitória.
O Corinthians vai conquistando uma distância cada vez maior e mais significativa. O começo do campeonato parece ter ficado para trás. O Corinthians é um time melhor que o Palmeiras porque coletivamente sabe trabalhar. O Palmeiras, em campo, foi só um catado de jogadores.