Biriba de olho na taça é o símbolo do clima que explica esse Botafogo
O Botafogo é líder do Brasileirão com 39 pontos, 13 a mais do que o o Flamengo e o Grêmio. É permitido tirar onda
O bandeirão exibido pela torcida do Botafogo durante a entrada do time em campo neste sábado (15), para o jogo contra o Red Bull Bragantino, rendeu assunto nas redes sociais: Biriba, o simpático mascote do time, segurava colado no rosto um binóculo que via a taça do Brasileirão no horizonte.
Para muitos é a zica, o grito de gol antes, o cheirinho, toda essa linguagem meio infanto-juvenil que transforma o futebol num ambiente de constante tensão, numa máquina de gerar frustração em que o próximo passo é quebrar a cara e ficar feliz é sempre mal visto.
O botafoguense se permite curtir a campanha no Brasileirão. Esgotou os ingressos para o jogo da 15ª rodada do Brasileirão, com 33.635 pagantes e mais de 37 mil presentes, viu um time eficiente, letal e organizado derrotar um adversário forte e fez seu papel de apoiar do começo ao fim.
JUNTOS! ATÉ O FIM! ??#VamosBOTAFOGO pic.twitter.com/K1nGhLGH8E
— Botafogo F.R. (@Botafogo) July 16, 2023
A historinha de que o bandeirão do Biriba podia zicar virou pó, assim como tudo o que se diz sobre o Botafogo ser candidato a cavalo paraguaio do Brasileirão. Os 13 pontos de vantagem na liderança representam um número inédito, histórico e, objetivamente falando, confortável. Muita coisa tem que dar errado para que o time saia da briga, inclusive uma mudança total desse clima de sintonia entre elenco e torcida.
É como disse Eduardo ao SporTV logo depois do jogo:
O torcedor tem que entender que ele é o nosso combustível. Se eles estão com a gente, estamos com um a mais dentro de campo. Isso faz toda a diferença. Agradecer à torcida que veio, compareceu, torceu os 90 minutos para essa vitória bonita.”
Em campo, o Botafogo não faz mágica. É entrega, cumprimento de função e atenção aos detalhes. Mostra estar fechado como time, ter comprado a ideia. A relação com a torcida, que aos poucos descobre seus novos ídolos, revela um clima leve, gostoso, de jogadores que desfrutam do trabalho e torcedores que desfrutam do jogo.
Toda vitória do Botafogo no Nilton Santos é como se fosse final de campeonato, daquelas que os torcedores rivais ficam se mordendo e perguntando “nossa, que festa, foi campeão de quê?”. De nada, ainda. Talvez nem seja no fim das contas. E se não for campeão, vai virar meme de todo jeito. Não é pelo bandeirão, pela festa, por jogarem o técnico interino Cláudio Caçapa para o alto na 15ª rodada. Nada disso. É pela expectativa. Aí tudo bem, somos todos reféns de expectativas. O que não dá é perder a chance de tirar onda, de se reconhecer como grande, competitivo e capaz de ser campeão.
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Tem uma velha lenda do futebol que vem à memória: o goleiro Manga dizia sempre ir à feira antes dos jogos contra o Flamengo porque a vitória (e o bicho) eram certos, então dava pra gastar por conta. Esse é o espírito.
Botafogo no Brasileirão
O Botafogo é líder do Brasileirão com 39 pontos, 13 a mais do que o o Flamengo e o Grêmio, que aparecem na sequência e ainda vão jogar pela 15ª rodada. São 13 vitórias e dois empates numa campanha que jamais ficou abaixo do quarto lugar e tem 100% de aproveitamento em sete partidas como mandante.
O próximo jogo pelo Brasileirão é no domingo (23), às 16h, contra o Santos, na Vila Belmiro. O zagueiro Victor Cuesta será desfalque porque recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Bragantino.
Antes, o time joga na quarta-feira (19), em casa, contra o Patronato, pelos playoffs para as oitavas de final da Sul-Americana. O jogo deve marcar a estreia do técnico Bruno Lage.



