Brasileirão Série A

Como ‘desorganização defensiva’ de Artur Jorge ajudou o Botafogo a vencer o Fluminense

Artur Jorge usou expressão 'desorganização defensiva' para explicar aspecto preparado para encarar o Fluminense de Fernando Diniz

O Botafogo venceu o Fluminense por 1 a 0, na última terça-feira (11), e voltou a assumir a liderança do Campeonato Brasileiro, ao menos provisoriamente. Mas, apesar do placar magro, o Glorioso teve uma grande atuação e poderia até ter goleado o Tricolor no Nilton Santos. O time de Artur Jorge dominou a partida e obrigou o goleiro Fábio a fazer grandes defesas.

O próprio técnico Artur Jorge ressaltou que o placar foi “curto” em relação ao que o Botafogo demonstrou. Para o português, o seu time foi “bastante superior” ao Tricolor, que ele também elogiou.

– Hoje temos que olhar para o jogo de uma forma em que temos que destacar a importância da vitória, diante de um rival difícil e competente. Mas dizer que é uma vitória justíssima. Vencemos por 1 a 0, e acho que é curto para o que os jogadores fizeram em campo e a forma como se comportaram. Fomos claramente dominadores. Esse Fluminense é uma equipe tremenda e muito difícil, mas hoje tivemos um Botafogo que mostrou ter sido bastante superior. O que criamos foi claramente justo e merecido – disse Artur Jorge em entrevista coletiva.

Artur Jorge fala em desorganização para encarar o Flu

Para ajudar a explicar a vitória sobre o Fluminense, Artur Jorge citou uma curiosa “desorganização defensiva” do seu próprio time. Tudo parte de uma ideia de jogo preparada especialmente para o clássico com o Fluminense de Fernando Diniz, que gosta de agrupar seus jogadores perto da bola.

– Foi uma partida muito boa. Preparamos esse jogo de forma muito bem feita. Os jogadores que escutam o que pode ser uma ideia. Uma ideia nunca é só minha. Os jogadores aceitam, defendem e lutam por ela. Sendo deles também. Tivemos uma equipe hoje com uma intensidade muito alta. O Fluminense gosta jogar, de ter a bola. Hoje tivemos alguma, vou chamar assim, “desorganização defensiva”, mas sempre com um comportamento apurado. Digo desorganização porque os jogadores flutuaram dentro do campo em zonas diferentes do que é habitual. Nós fizemos de uma forma que o espaço fosse reduzido para os jogadores do outro lado. Nossa equipe é ofensiva e sempre busca o gol adversário. Tem processos em jogos mais pensados, mais preparados, outros em que procuramos o ataque mais rápido. São dinâmicas que nos fazem uma equipe difícil de ser contrariada. Isso é o nosso objetivo – afirmou Artur Jorge.

– Alguns jogadores às vezes precisam ocupar zonas mais afastadas de sua posição porque o Fluminense coloca muita gente na zona da bola. O que procuramos é ter uma equipe dinâmica, que consiga, com a bola, ser muito dinâmica nas ações ofensivas. A grande diferença do que queremos e procuramos é a forma como se reorganizam. Não necessariamente tem que ser na posição que começam a partida. É importante preencher rapidamente os espaços e as posições de forma que no momento necessário possamos ter a equipe organizada, independentemente de quem esteja na posição – completou o português em outra resposta sobre a organização e a “desorganização” do time.

Olho no adversário, mas foco no Botafogo

Apesar de ter admitido uma preparação especial para encarar o Fluminense de Fernando Diniz, Artur Jorge ressaltou que o seu foco e sua principal preocupação é deixar o Botafogo cada vez mais consistente para as partidas, independente do adversário.

O que preparamos para o jogo tem aspectos individualizados para algumas equipes, podem alterar as estratégias, mas de uma forma dinâmica. Temos um princípio que será defendido com toda força. Minha preocupação é o Botafogo, o que temos que queremos ter presença em campo, pensando muito em nós. Assim vamos conseguir ser a equipe que temos sido – disse Artur Jorge.

Temos que olhar para o adversário também, como ataca, defende, os jogadores que teremos que anular. Tudo faz parte do jogo. Isso nós fazemos de forma diferente para cada um dos jogos. Se não não vale a pena o treinador. Fazemos uma equipe sempre igual e a coisa anda. Especificamos os adversário, mas olhamos para dentro. No dia de hoje, me orgulho por ver o Botafogo da forma que encara os adversário olhos nos olhos. Tendo coragem. Ganhar ou perder dependerá da nossa competência. Quero ser não só competente, mas competitivo – completou o treinador.

Com a vitória sobre o Fluminense, o Botafogo chegou aos 16 pontos e assumiu, ao menos por enquanto, a liderança do Campeonato Brasileiro. O Glorioso, no entanto, ainda pode ser ultrapassado pelo Flamengo e pelo Bahia até o fim desta oitava rodada. No próximo domingo, o Botafogo encara o Grêmio, no Kleber Andrade, em Cariacica (ES).

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
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