Brasileirão Série A

Rueda se despede do Santos em cenário que retrata o que foi a sua gestão

Contra o Fortaleza, o presidente Andres Rueda verá o Santos disputar o último jogo da sua gestão, traduzida em duas palavras: limitação e incompetência

A partida da próxima quarta-feira (6), às 21h30 (horário de Brasília), entre Santos e Fortaleza, na Vila Belmiro, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, será também a última do Peixe sob o comando do presidente Andres Rueda. No próximo sábado (9), cinco candidatos disputarão, em uma eleição para os sócios do clube, a presidência do Alvinegro. O escolhido irá gerir a instituição no triênio 2024/2026. Mas antes de deixar a administração santista, Rueda terá que torcer para a equipe repetir aquilo que foi uma tônica na sua gestão: evitar o rebaixamento à Série B.

Com 43 pontos conquistados, o Santos chega à 38ª rodada do Brasileiro na 15ª posição. Concorrendo contra a queda também aparecem o Vasco, com 42, na 16ª, e o Bahia, com 41, na 17ª e abrindo o Z4. Para evitar a maior vergonha dos 111 anos de história do clube, os comandados de Marcelo Fernandes precisam de uma vitória simples contra o Fortaleza para não cair.

Porém, em caso de derrota ou empate, será necessário torcer por novos tropeços de vascaínos ou baianos, ambos jogando em casa, contra o Red Bull Bragantino e Atlético-MG, respectivamente.

Santos se limitou a torcer contra o vexame

Com a justificativa de que o clube se encontrava em condição de insolvência, Rueda iniciou a administração do Santos prometendo dois anos de muitas dificuldades financeiras, com poucos reforços, mas um terceiro ano de elenco fortalecido e expectativas renovadas. Na prática, porém, o que se viu foram três anos de amadorismo, times tecnicamente limitados que não permitiram ao torcedor sequer sonhar.

Muito pelo contrário. Com Rueda na presidência a apaixonada torcida do Santos limitou-se a torcer contra o vexame, contra o ineditismo negativo de uma história que teve memoráveis capítulos escritos pelo maior jogador de futebol de todos os tempos. O Rei Pelé, que, falecido há pouco mais de um ano, precisou, nos últimos anos/meses de sua vida,  ver equipes que certamente lhe trouxeram o sentimento de vergonha e decepção.

Quatro lutas contra o rebaixamento em três anos

Desde o início da administração de Andres Rueda, são quatro lutas do Santos contra o rebaixamento em 36 meses (considerando a situação atual): duas no Campeonato Paulista e duas no Campeonato Brasileiro. Nem vamos mencionar as pífias eliminações de Copa do Brasil e Copa Sul-Americana.

E o desempenho na Copa Libertadores? O Santos gerido por Rueda participou de apenas uma Libertadores, em 2021. Isso só ocorreu porque a classificação foi garantida antes do início da sua gestão. Com Rueda ditando os rumos alvinegros, a equipe foi incapaz de passar da fase de grupos da principal competição de clubes do continente e nunca mais voltou. Aliás, se manteve a léguas de um retorno.

Limitação e incompetência traduzem a gestão

Sem dar ao torcedor o direito de comemorar temporadas positivas, Rueda, provavelmente de sua casa e pela TV, verá o Santos se despedir de mais um ano de maneira melancólica e dramática.

Tal como foram os confrontos contra São Bento, na última rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista de 2021, Água Santa, na última rodada de classificação do Campeonato Paulista de 2022, e algumas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2021, na próxima quarta-feira o Peixe pisará no gramado da mítica Vila Belmiro ameaçado pela própria limitação e incompetência.

Mas se analisarmos tudo friamente, não havia como esperar algo muito diferente. Afinal, limitação e incompetência resumem e traduzem a administração de Andres Rueda à frente do Santos, que deve permanecer na elite do futebol nacional. Por sorte, e não por juízo do seu mandatário.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna
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