Brasileirão Série A

Quando ele sorri na coletiva, esquece: Abel sabe que descobriu um ajuste no Palmeiras

Técnico do Verdão montou o Palmeiras para explorar o que o elenco tem de melhor a oferecer

Abel Ferreira chegou sorrindo à sala de entrevistas coletivas do Palmeiras, após a vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino na quinta-feira (20). Fez brincadeiras com os repórteres, ressaltou a ausência de um ou outro jornalista, a quem chamou de chatos, e até brincou consigo mesmo:

Também dizem que eu sou chato.

Quando o técnico do Verdão está leve desse jeito, é porque sabe que seu time está no caminho certo. Sim, ele reconheceu que faltou eficácia ao ataque.

Cornetou Estêvão, que foi fominha em um lance no qual tinha Rony e Veiga livre pelos lados. Reclamou de gols perdidos. Mas sempre sorrindo. Porque sabe que reencontrou a melhor maneira para o time jogar.

Abel e todos que assistiram aos últimos jogos do Alviverde perceberam que, depois de um começo complicado no Campeonato Brasileiro, e jogos apenas medianos na Copa Libertadores, o time engrenou.

Faltam alguns ajustes. Mas o Palmeiras criou o suficiente para golear a equipe de Bragança Paulista — como fez com o Atlético-MG.

 

Muito volume do Palmeiras

Deveríamos ter chegado ao intervalo com o jogo resolvido. Tínhamos que ter transformado tanto volume em gols — disse ele.

E é verdade. Só na primeira etapa, o Palmeiras bateu 16 vezes a gol e viu Cleiton encarnar o alemão Manuel Neuer. E não é que o time tenha entrado em uma onda de chuta-chuta.

Principalmente pela direita, com Veiga encostando em Estêvão, o Palmeiras criou chances na base de tabelas, movimentação e competência técnica e tática.

Eu sei que eles não querem falhar. Eu só tento transmitir a vocês a importância da eficácia no jogo. Como eu digo, os protagonistas são os jogadores. Hoje conseguimos encontrar de várias maneiras a rota para o gol adversário — disse.

— Nós estudamos o Bragantino, como fazemos com todos os adversários. Nós jogamos em 3-4-3. Saída de três, quatro no meio. Veiga na direita, Zé na esquerda e Aníbal e Menino na vertical. Era para tentar, e conseguimos, abrir espaços. Deixamos o Estêvão no um para um, deixamos Rony na frente. Podemos usar uma simples tabela ou o jogo no espaço. Foi isso que procuramos — explicou.

Com uma variação ou outra, porque, para cada adversário, Abel tem um plano diferente, a base do que se viu contra a equipe da Red Bull é o que deve nortear o Palmeiras. O que nada mais é do que uma volta às origens: futebol de transição rápida, ocupação de espaços nas costas das linhas defensivas.

 

Um pouco de reclamação

Abel estava tão em paz que elogiou até a equipe de arbitragem:

— Este é o Daronco que estou habituado a ver. Na última vez conosco, não gostei nada — disse ele.

Para não dizer que só fez elogios, Abel voltou a reclamar do calendário, ressaltando que um dia de descanso faz muita diferença. E fez um apelo à CBF para que haja sempre três dias de intervalo entre os jogos.

E até sobre a situação de Dudu, algo que ele chegou ao estádio dizendo que não comentaria, Abel falou.

— Vocês sabem que ele está lesionado há dez meses, está em processo de recuperação. Ele está preparado e posso dizer que está próximo da reestreia dele. Entendi que hoje, no contexto do jogo, não seria ideal. Era um jogo dividido, intenso e pegado. Mas está próximo.

O que mais Abel Falou

Sobre Gabriel Menino

— O Menino tem isso. Quando joga de cinco, ele segura de costas, como fez no jogo. Jogando mais na frente ele tem muita chegada na área. Ele gosta disso e nós gostamos também. Quando a bola entra para fora, no Piquerez ou Estêvão, o Menino é de muita chegada. Nós chegamos com muita gente na área hoje. Mayke, Murilo e Naves, com Aníbal na frente, nos deram equilíbrio.

Jogadores em funções diferentes

— O Gabriel Menino, por exemplo, ele teve uma missão diferente hoje. Defendeu por fora e foi bem. Mas com bola ele foi mais para o interior. O Garcia, que entrou como ponta, já deu assistência atuando nesta função no Paulistão. É claro que os laterais como Mayke e Garcia, quando atuam como pontas, não dão aquilo que o Estêvão dá, o um contra um, mas tem jogos que precisamos jogar com mais marcação e quero jogadores que corram, o Vanderlan é um desses jogadores, por exemplo.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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