Abatimento de Abel após derrota do Palmeiras é bom sinal – e ele ainda deu recados
Treinador mostrou uma lucidez muito maior do que de costume nas derrotas, quando procura culpados em tudo e todos
O departamento de comunicação do Palmeiras avisou, antes de a entrevista coletiva começar, após a derrota para o Vitória (0 a 2), que Abel Ferreira só responderia cinco perguntas.
O expediente costuma ser usado como prevenção, diante de possíveis arroubos do técnico. Até como forma de evitar alguma crise por uma declaração mal colocada no calor da derrota. Mas nem precisava.
Abel Ferreira entrou abatido na sala de entrevistas. E não tentou criar nenhuma justificativa para a derrota. Até mencionou a falta sofrida por Flaco na origem do lance do segundo gol. Mas foi categórico:
— Houve uma cotovelada clara na cara do Flaco. É gritante isso, assim como é gritante o fraco desempenho e rendimento da nossa equipe.
No fim das contas, Abel respondeu sete perguntas, sem mostrar sinal de nervosismo. Abatido, ele mostrou uma lucidez muito maior do que de costume nas derrotas, quando procura culpados em tudo e todos — menos nos seus jogadores e nas suas escolhas.
Ao contrário, ele deixou bem claro que detectou que alguns jogadores podem não estar dando tudo que podem, por exemplo:
— Todas as equipes têm bons e maus momentos. Nenhum deles perdura. Nos resta trabalhar, ver realmente os jogadores que querem, que têm vontade e podem nos dar vitórias. Acontece com todas as equipes. Entramos em uma fase má, aguentar, assumir e agora recuperar os nossos jogadores para esse jogo de ida da Copa do Brasil e voltar ao campeonato e perceber que teremos 11, 12 jogos nos próximos 30 dias — disse
— Se olharmos bem, tem jogadores ali que têm sido usados. Vitor Reis é nosso titular, Ríos também, ou era, o próprio Estêvão. Havia uma mistura. O Rony foi e é. Confio em todos. Entramos fortes no jogo, mas sem perigo. Tivemos escanteios na primeira parte.
— Sinceramente, olhando para o jogo todo, temos que assumir que estamos em um mau momento de produção ofensiva. Pouco ofensivos, muito afobados no último terço. É um momento mau que temos que aguentar, trabalhar, e o único remédio é vencer. Para mim é um momento mau — completou.
Abel também falou sobre a lesão de Estêvão
— Preocupa. Sobretudo tivemos baixas no setor defensivo, ficamos com menos opções sem Murilo e Piquerez. Pena que isso aconteça. Futebol é assim, ele já tinha ficado fora e podíamos forçá-lo no último jogo com a intenção dele ter ritmo para o próximo jogo. Não sei qual é a gravidade, mas é triste. Perder mais uma opção, já perdemos algumas e essa por ventura mais outra pela lesão de hoje.
E foi assim que Estêvão deixou o Allianz Parque após a derrota para o Vitória. ?
Apesar disso, é possível ver o garoto ‘tranquilo’ e até sorrindo nas imagens… Será que preocupa? pic.twitter.com/9JJEnRxwav
— Trivela (@trivela) July 28, 2024
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E até sobre algumas tímidas vaias, ouvidas após a partida, o português falou
— Acho que o torcedor é soberano, e se quer saber é assim que eu gosto: apoiar o jogo todo e vaiar no final. Não produzimos o que devíamos e o torcedor é soberano.
— Temos que aguentar, continuar a trabalhar, seguir com aqueles que estão focadas com a equipe. Nunca na história o Palmeiras conseguiu um tri, só uma no Brasil conseguiu e nós vamos tentar isso. É um resultado duro, não perdíamos aqui havia muitos meses. Independentemente das substituições que fiz, todos são jogadores do Palmeiras e podem estar aqui. O primeiro gol limpinho e o segundo é precedido de uma falta clara.



