Brasileirão Série A

Metralhadora: os muitos recados que Abel disparou após a vitória do Palmeiras

Técnico do Palmeiras estava calmo e sorridente, mas não deixou de distribuir alfinetadas

Abel Ferreira estava visivelmente feliz após a vitória do Palmeiras por 3 a 1 sobre o Atlético-GO, na noite de quinta (11), no Allianz Parque. Mas o sentimento de alegria não o impediu de distribuir recados na entrevista coletiva após o jogo.

Sobrou para Dudu, Botafogo, Leila Pereira, os reforços recém-chegados e até para a torcida do Palmeiras. Veja o que o técnico falou:

Botafogo e a rivalidade de um lado só

Indagado sobre a rivalidade com o Botafogo, focada e em muito alimentada pelo domo da SAF botafoguense John Textor e pela presidente Leila Pereira, o técnico disparou:

— Há uma coisa que tem que ficar clara: essa rivalidade (com o Botafogo) não foi pelo Palmeiras. Continuamos fazendo o nosso trabalho, como sempre fizemos. A três jogos do fim, o maior mérito que o Palmeiras teve é que foi resiliente. Parece que só o Palmeiras estava brigando pelo título, isso é mentira. Quem não viu, é porque não quer ver — disse

— Faltando quatro rodadas (no Brasileiro de 2023), Palmeiras, Grêmio, Botafogo, Flamengo e Bragantino podiam ser campeões. Por que só implicam com o Palmeiras? Eu não tenho problema com ninguém, acho o Botafogo excelente time, tem um excelente treinador, jogadores, tem um presidente que tem investido muito e isso diz muito da qualidade do clube.

- - Continua após o recado - -

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Torcida e Dudu

Como de costume, Abel fez questão de defender Rony, muito embora ele tenha sido até pouco critivado pelo gol perdido no primeiro tempo, após Flaco roubar do goleiro e deixá-lo de frente ao gol.

Ao comentar chance perdida por Dudu, aos 37 do segundo tempo, o técnico mandou:

— Ainda bem que foi o Dudu a falhar o gol. Se fosse o Rony ou outro jogador, o estádio vinha abaixo — disse o português.

Ainda comentando a atuação do camisa 7, pedido pela torcida aos 20, e colocado em campo aos 22 do segundo tempo, o técnico seguiu, falando sobre o gol perdido pelo atacante:

— Antes de olhar para fora, antes de arranjar desculpas, olhe primeiro para dentro. “Ah, mas o Dudu falhou…”. Dudu, você está sozinho com goleiro. Tem que acertar. Não é arranjar desculpas, assumimos a responsabilidade.

— Eu queria que ele entrasse, fugisse da marcação, que não buscasse duelos, porque isso vai ser com o tempo. Fez o que era preciso, passou, chutou, criou. Seguramente, merecia fazer o gol pelos 10 ou 11 meses de calvário, de sofrimento. Ele sabe qual é a função que penso para ele, seja aberto pela esquerda ou por dentro como um 10. Ele aproveitou mais uns minutos e está cada vez melhor. Eu treino o Palmeiras, não um jogador específico, eu treino todos eles. Tudo o que eu faço é pensar no que é melhor para a equipe.

Abel ainda ressaltou que é sincero com Dudu quanto ao ritmo que pretende imprimir no que toca ao seu aproveitamento.

— Eu não digo a vocês o que eu quero, mas digo a verdade aos jogadores. Ele sabe toda a verdade da minha boca, quando ele deve jogar, quando não, no que está bem, no que deve melhorar — afirmou.

Diretoria e o crocodilo no bolso

Nem mesmo a diretoria foi poupada. O treinador brincou com a economia da cúpula do clube na hora de reforçar a equipe em temporadas passadas, em comparação aos muito reforços trazidos em 2024.

E mostrou ao Brasil uma expressão curiosa do português de Portugal.

— O Palmeiras, esse ano, tirou o crocodilo do bolso.

Diante de risadas dos jornalistas, que disseram a ele que um crocodilo não cabe no bolso — e que, no Brasil, o animal usado na expressão é um escorpião, ele assentiu:

— Nós (portugueses) chamamos de crocodilo. Mas tens razão: tirou o escorpião do bolso. Se for ver o quanto gastaram essas equipes todas… Flamengo, Botafogo, Atlético. Felizmente temos gente competente que revela jogadores fantásticos.

Reforços

Abel também mandou recado aos novos contratados, dando a entender que eles não vão ter vida fácil para entrar no time:

— Vai haver um período de adaptação ao clube, ao grupo e ao futebol brasileiro pela quantidade de jogos. Quando estiverem disponíveis, se o treinador entender e se a equipe precisar, vão jogar quando tiverem de jogar. A equipe está bem.

Porém, quando falou sobre a contratação de Felipe Ânderson, deixou claro que não vai demorar para usá-lo:

— Quando o Barros falou que contratou, eu nem acreditei… Ele me falou e eu “ó pá, nem acredito” — disse, sorrindo.

— Está treinando muito bem! Pode jogar de 10, aliás… Ele escolheu a 9. Pode fazer a 8, jogar pela esquerda e direita. É um jogador pronto!

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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