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Campeão em SP e MA, além de conquistar acessos nacionais, Ruy Scarpino foi mais uma vítima da COVID-19 no Brasil

Numa semana em que a COVID-19 bateu recordes estarrecedores no Brasil e deixou de luto milhares de famílias, o futebol também perdeu um nome importante. Ruy Scarpino rodou o país como jogador e como treinador, construindo relações com diferentes camisas e torcidas. Seu momento mais marcante na casamata aconteceu com o Ituano, participando da conquista do Paulistão e da Série C no início do século. Também faria bons trabalhos em outras equipes, em especial no Moto Club, onde também levou estadual e faturou acesso nacional. Aos 59 anos, Scarpino seguia na ativa e estava à frente do Amazonas FC. Entretanto, contraiu o vírus e, depois de uma semana internado, faleceu na última quarta-feira.

Nascido em Vitória, Ruy Scarpino teve uma longa carreira como goleiro. O capixaba começou sua trajetória no Rio Branco, mas defenderia clubes em diversos cantos do país, em duas décadas nos gramados. Passaria ainda por times tradicionais como a Portuguesa, a Ferroviária, o Santa Cruz e o Moto Club. Depois de pendurar as luvas, Scarpino trabalharia em diferentes funções à beira do campo. Atuou como preparador de goleiros, auxiliar técnico, supervisor e gerente de futebol. Ainda assim, foi como treinador que mais contribuiu.

A missão como técnico começou no fim dos anos 1990. E logo teria sua passagem mais marcante, no interior de São Paulo. Scarpino assumiu o Ituano em 2000 e formaria a equipe que conquistou o Paulistão em 2002, embora tenha deixado o Galo no meio da campanha, substituído por Ademir Fonseca. Vários dos destaques daquela equipe se projetaram através do antecessor, como os volantes Pierre e Richarlyson. Entre os destaques, também estava o atacante Basílio. O Ituano levou a edição do estadual sem os “grandes”, mas perdeu a final do chamado Supercampeonato para o São Paulo.

Scarpino não passaria muito tempo longe do Ituano e retornaria para fazer parte de outra campanha histórica, com a conquista da Série C em 2003. O treinador havia chegado para evitar o rebaixamento no Paulistão e, depois disso, comandaria a guinada na terceira divisão nacional. Mesclando jovens e veteranos, o Galo atingiu o sucesso com uma equipe forte defensivamente. Num regulamento curioso, o Ituano precisou eliminar duas vezes o RS Futebol, que foi repescado por ter a melhor campanha e cruzou com os paulistas em duas fases seguidas. Já no quadrangular final, o Galo superou Santo André, Campinense e Botafogo da Paraíba para assegurar tanto o acesso quanto o troféu.

Nos anos seguintes, Ruy Scarpino rodou por diversos clubes do Brasil, especialmente nas divisões de acesso. Dirigiria diversos times paulistas, como Santo André, Rio Branco, Noroeste, Grêmio Barueri, Red Bull Brasil e São José. Além disso, teria grande penetração no Nordeste, comandando também América de Natal, Ceará, Altos e Campinense. Suas marcas mais profundas aconteceram no Maranhão.

No mesmo Moto Club onde foi campeão como goleiro, Ruy Scarpino ergueu o troféu do Campeonato Maranhense em 2004. Mais notável ainda seria sua passagem pelo Papão em meados da década passada. Recuperou a taça estadual em 2016 e faria mais na Série D. O Moto conquistou o acesso à terceirona, batendo o Atlético Acreano no jogo decisivo. Seria mais um passo à idolatria do técnico no clube. Ainda no Maranhão, em 2019, Scarpino conduziu o Imperatriz ao título do estadual.

Em dezembro de 2020, Ruy Scarpino foi anunciado como novo treinador do Amazonas FC. Fundada há menos de dois anos, a equipe apostava na experiência do capixaba para tentar emular o sucesso recente do Manaus no estado – contratando ainda Ibson, Soares e Adriano Pagode. O treinador, entretanto, dirigiu o time em apenas duas partidas no Campeonato Amazonense referente a 2020. No último dia 24 de fevereiro, Scarpino foi internado por conta da COVID-19. Precisaria ser levado à UTI pouco depois e não resistiu às complicações provocadas pela doença. Mais uma história interrompida pela pandemia que levou mais de 260 mil brasileiros em 12 meses.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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