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‘Não tem desculpa. É calar a boca e trabalhar’: a indignação de Calleri mostra caminho para São Paulo espantar turbulência

São Paulo chega a quatro jogos sem vencer no Campeonato Paulista e se cobra por soluções para evitar crise no estadual

Jonathan Calleri herdou a braçadeira de capitão do São Paulo – enquanto Rafinha se recupera de lesão – pelos gols decisivos e pela entrega que o transformaram em ídolo do clube. Uma referência que costuma ser um representante do torcedor em campo e que não foge de sua responsabilidade também nos momentos de instabilidade.

Coube ao capitão tomar a palavra após o empate em 1 a 1 com o Guarani, neste domingo (25), no Brinco de Ouro, pelo Campeonato Paulista. Calleri marcou o gol da equipe na partida e se isolou na artilharia do São Paulo na temporada. Mas a turbulência vivida pela equipe na temporada falou (bem) mais alto. Como bom líder, o centroavante subiu o tom de seu discurso para cobrar uma reação dele próprio e dos companheiros na temporada.

“Tem que caprichar mais em campo, fazer o gol quando tem que fazer, eu primeiro, errei gols pra c****. Não é jogo para comemorar nada. Fizemos 25 minutos bons, mas temos que melhorar. Faz quatro jogos que não estamos indo bem. Não tem desculpa, é calar a boca e trabalhar”. (Calleri)

Os quatro jogos citados pelo centroavante são os últimos quatro jogos do jejum de vitórias do Tricolor no Campeonato Paulista. O ponto somado em Campinas fez a equipe voltar à vice-liderança do Grupo D, na zona de classificação para os mata-matas. Mas o resultado aprofundou a turbulência vivida pela equipe, especialmente após uma semana inteira livre para trabalhos com o técnico Thiago Carpini. E aumentou o peso da próxima partida, contra a Inter de Limeira, na quarta-feira (28).

Para Carpini, “como se ganha e como se perde” fala mais alto

Minutos após a fala sincera e acalorada de Calleri, Thiago Carpini manteve o tom mais ponderado que lhe é característico na entrevista coletiva.  Foi assim nos momentos de alegria da temporada – em especial no título da Supercopa. E é assim, agora que o São Paulo somou apenas dois pontos de 12 possíveis nos últimos quatro jogos pelo Paulistão.

O treinador sabe que o retrospecto negativo recente transforma a partida contra a Inter de Limeira, atrasada da quinta rodada, em uma decisão às vésperas do clássico com o Palmeiras. A urgência (para não dizer obrigação) por uma vitória está cristalina para o técnico. Mas ele sabe também que o estadual serve não apenas pelo título em si, mas para mostrar caminhos para as principais competições da temporada. Por isso, que ele se apega mais ao desempenho de sua equipe do que apenas ao resultado, em si.

– Hoje (contra o Guarani), tivemos nos números o tamanho de cruzamentos, de 26 finalizações, posse de bola. O São Paulo foi melhor em tudo. Só não conseguimos o principal. Como ganha e como perde é muito importante. Mostra um caminho para o decorrer da temporada – disse o treinador.

Carpini se apega ao “como se ganha e se perde” para encontrar soluções no São Paulo (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

E de fato, o São Paulo tem atuado com superioridade aos adversários, mesmo em meio à maré negativa atual. O Tricolor teve mais posse de bola e mais finalizações que os rivais em todos os últimos quatro jogos. Números que trazem certo conforto a Thiago Carpini, mas que também jogam luz aos problemas da equipe.

Mesmo com um padrão de jogo estabelecido, o São Paulo sofre com a falta de pontaria de seu ataque e com as deficiências de seu sistema defensivo. Nestas quatro partidas, o Tricolor finalizou 66 vezes para fazer apenas três gols. A equipe precisa de 22 finalizações para conseguir marcar. Na derrota para o Santos no clássico, por exemplo, a equipe teve 20 conclusões e só acertou a meta em duas – ou seja: Calleri está certo em sua cobrança.

A defesa acompanha o mau desempenho dos homens de frente. O São Paulo foi vazado em todos os últimos quatro jogos. Foram ao todo seis gols sofridos. A média de 1,5 por partida é o triplo do que a equipe apresentou nas primeiras partidas da temporada. O Tricolor iniciou o ano com apenas três gols sofridos em seis jogos – 0,5 por partida.

>Os números (nem tão) positivos em meio à turbulência:

  • Ponte Preta 2 x 0 São Paulo
    Posse de bola: 33% x 67%
    Finalizações: 10 x 14
  • São Paulo 0 x 1 Santos
    Posse de bola: 58% x 42%
    Finalizações: 20 x 6
  • São Paulo 2 x 2 Red Bull Bragantino
    Posse de bola; 60% x 40%
    Finalizações: 10 x 7
  • Guarani 1 x 1 São Paulo
    Posse de bola: 34% x 66%
    Finalizações: 22 x 8

– O São Paulo sempre o alerta muito ligado. Tanto no início quanto agora. Um clube desse tamanho precisa estar sempre competindo para vencer. A palavra que usaria é um incômodo de não vencer. Não a dificuldade. A gente trabalha para esses resultados. Eles vão voltar a acontecer. A gente avalia muito o resultado. É o mais importante. Mas nós enquanto profissionais e treinadores, tivemos pontos que poderiam ter determinado esse momento bom ou ruim em outro momento. São detalhes, que nem tudo a gente consegue controlar. O nosso ambiente é de confiança, bom astral. Muito respeito internamente. E nós sabemos que temos muitas condições e capacidade para poder seguir trabalhando, evoluindo, melhorando esses pequenos detalhes. E as vitórias voltarão a acontecer – assegura Thiago Carpini.

> A situação do São Paulo no Grupo D:

Mesmo com o empate, o São Paulo assume a vice-liderança do Grupo D, com 15 pontos. O Tricolor tem a chance de assumir a liderança e se consolidar de vez na zona de classificação na próxima quarta-feira (25), às 21h35 (horário de Brasília), quando enfrenta a Inter de Limeira no Mané Garrincha, em partida atrasada da quinta rodada do Campeonato Paulista.

> Os próximos jogos do São Paulo:

  • 28/02/2024 – Inter de Limeira x São Paulo, às 21h35 (horário de Brasília), no Mané Garrincha;
  • 03/03/2024 – São Paulo x Palmeiras, às 20h (horário de Brasília), no MorumBIS.
  • 10/03/2024 – Ituano x São Paulo, às 16h (horário de Brasília), no Novelli Júnior.
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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