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Filme repetido: Botafogo volta a sofrer com gols no fim e parece ainda não ter saído de 2023

Repetindo o que aconteceu muitas vezes em 2023 e que já aconteceu neste ano, o Botafogo perdeu por 1 a 0 para o Flamengo, no Maracanã, com gol nos acréscimos

Parece filme repetido. Mais uma vez, assim como aconteceu muitas vezes em 2023 e já aconteceu em 2024, o Botafogo foi castigado com um gol sofrido no fim de uma partida. Dessa vez, o gol valeu a derrota por 1 a 0 para o Flamengo, pelo Campeonato Carioca, em clássico realizado no Maracanã. Há poucos dias, um gol sofrido no fim também transformou o que seria uma vitória em um amargo empate com o Nova Iguaçu. E essa situação, é claro, já incomoda (e muito) o torcedor, mas parece ainda não ter irritado Tiago Nunes – ao menos, publicamente.

Que pese o Botafogo ainda estar no começo de um trabalho e boa parte do time ter mudado de um ano para o outro, a repetição da situação que marcou a reta final do último Campeonato Brasileiro dá a impressão de que o próprio clube ainda não entendeu, de fato, o que se passou em 2023, quando o time chegou a liderar o Brasileirão com 12 pontos de diferença para o segundo colocado e acabou até mesmo fora do G-4 da competição.

E, apesar de ter sido contratado já na reta final do Brasileiro, Tiago Nunes também viveu esse tipo de situação traumática. Talvez, a mais bizarra delas. Primeiro, contra o Santos, no Niltons Santos, o Botafogo vencia por 1 a 0 desde o começo da partida, e levou o empate aos 45 do segundo tempo, ficando em situação delicada na briga pelo título. Na rodada seguinte, contra o Coritiba, veio a situação vai surpreendente da montanha-russa que o foi o Brasileirão do Botafogo. Tiquinho Soares abriu o placar, de pênalti, já aos 52′ do segundo tempo, o que deixaria o Botafogo ainda com alguma esperança de título. No entanto, dois minutos depois, ainda deu tempo para o Coritiba buscar o empate, no que pode ter sido um dos finais de jogos mais melancólicos da história recente do clube.

Agora, é claro, a situação é diferente. O Botafogo está fazendo muitos testes no time de olho no mata-mata para chegar na fase de grupos da Copa Libertadores. No entanto, a situação se repetiu. Contra o Nova Iguaçu, no último sábado, pela Taça Guanabara, o Glorioso abriu 2 a 0, mas acabou cedendo o empate, sofrendo o segundo gol aos 44′ da etapa final. Já contra o Flamengo, na última quarta-feira (7), depois de um primeiro tempo razoável, o time de Tiago Nunes caiu de produção no segundo tempo e levou o gol que decretou a derrota aos 54′ do segundo tempo.

Tiago Nunes já comanda o Botafogo desde o fim de 2023 (Foto: con Sport)

Sem página virada em relação a 2023

Na sua primeira entrevista coletiva de 2024, o técnico Tiago Nunes indicou que para ele e para o clube, o assunto “2023” seria página virada nesta nova temporada. No entanto, desde este mesmo primeiro jogo, contra o Madureira, ficou claro que para a torcida o tema ainda era – e é -, muito vivo na lembrança de quem sofreu com o trauma da perda do título do Campeonato Brasileiro.

Agora, para Tiago Nunes, estes gols sofridos nos últimos dois jogos do Campeonato Carioca foram por “capricho do futebol”. Possivelmente uma forma de não tentar buscar explicações mais concretas para a repetição dos mesmos erros cometidos ao longo do segundo semestre de 2023.

– É muito vazio também eu ficar repetindo os mesmos argumentos para justificar esse detalhe do final. Foi um gol de bola parada hoje, um gol de bola parada contra o Nova Iguaçu, foi um outro, outros momentos parecidos, como foi o de hoje, que falta atenção, falta concentração – afirmou Tiago Nunes após a derrota para o Flamengo.

Ao tentar justificar o gol sofrido para o Flamengo, Tiago Nunes citou o fato de ter perdido Alexander Barboza, seu zagueiro mais alto, por uma pancada sofrida durante a etapa final, e ter colocado Bastos em campo, que é um pouco mais baixo. Mas, antes disso, o treinador também já havia tirado Tiquinho Soares e Danilo Barbosa, dois jogadores importantes na bola aérea do Botafogo.

– Descaracteriza também muito a equipe, com cinco substituições e jogadores muitas vezes que não são da posição, por exemplo, a gente sofre o gol numa posição onde deveria estar o Barbosa. É um jogador de 1,92m de altura, e justamente por tomar uma pancada, tem que sair, a gente muda a característica entre o jogador um pouco mais baixo, muda a característica da linha e sofremos nessa bola. Então, é o capricho do futebol. Mas de forma geral a análise é positiva – concluiu o técnico do Botafogo.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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