Bahia versão 2026 começa entregando o que faltou para subir de patamar nos últimos anos
Tricolor Baiano é um dos invictos no Brasileirão e está empatado em pontos com o líder Palmeiras
O Bahia tem exibido uma faceta diferente nessas três rodadas iniciais do Brasileirão 2026. A equipe está invicta, vencendo duas e empatando outra, e ocupa a terceira colocação, com os mesmos sete pontos do segundo São Paulo e do líder Palmeiras.
Se no único jogo na Fonte Nova o Tricolor sofreu para sair com um 1 a 1 com o Fluminense, que merecia vencer, o time treinado por Rogério Ceni conquistou seus dois triunfos justamente nas duas partidas longe de Salvador, o maior calcanhar de aquiles desde a chegada do técnico em setembro de 2023.
Não foram resultados simples: Corinthians, 2 a 1, e Vasco, 1 a 0, ambos fortes em suas casas, apesar do time paulista ter atuado na Vila Belmiro.

Bahia teve aproveitamento de quase rebaixado fora de casa no Brasileirão passado
No Brasileirão 2025, o melhor da história do Bahia nos pontos corridos com 60 de pontuação e a sétima colocação, a equipe só não conseguiu almejar mais do que uma vaga na pré-Libertadores por seu desempenho fora de casa.
O Tricolor de Aço foi o terceiro melhor em todo campeonato passado, só atrás do campeão Flamengo e do Fluminense, com 14 triunfos, três empates e só duas derrotas, mas esteve longe do mesmo desempenho quando saiu da Fonte Nova.
O time demorou 11 rodadas até vencer a primeira fora de Salvador. Em toda campanha, só venceria mais duas como visitante, terminando como sexto pior nessa estatística (empatou outras seis e perdeu dez). Ou seja, em dois jogos fora de casa em 2026, o clube baiano já quase igualou o número de triunfos do último ano.
As eliminações por Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil também passaram por esse péssimo desempenho longe de seus domínios, seguindo a linha do que tinha sido 2024, novamente com aproveitamento ruim no Brasileirão só vencendo quatro em 19 partidas nesse contexto.
As campanhas do Bahia fora de casa nos últimos Campeonatos Brasileiro:
- 2026: 2 vitórias, 3 gols marcados e 1 sofrido
- 2025: 3 vitórias, 6 empates, 10 derrotas, 17 gols marcados e 32 sofridos
- 2024: 4 vitórias, 5 empates, 10 derrotas, 24 gols marcados e 34 sofridos
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O que mudou no time de Rogério Ceni para 2026?
O recorte ainda é muito pequeno para definir o exato motivo para essa mudança dos comandados de Ceni. A tendência também está nos três jogos como visitante no Campeonato Baiano, de menor exigência e contexto diferente. Nos duelos do Brasileirão, porém, há algumas coincidências que ilustram como foram construídos.
🟩 Bahia de Feira 0-3 Bahia
— Efibê. (@efibedepre) February 12, 2026
🟩 Vitória 0-1 Bahia
🟩 Corinthians 1-2 Bahia
🟨 Juazeirense 1-1 Bahia
🟩 Vasco 0-1 Bahia
O bom visitante, Bahia de 2026. pic.twitter.com/rGD5HD1pca
Ambos resultados vieram com menos posse de bola, finalizações e gols esperados (estatísticas que analisa cada finalização e calcula a probabilidade de sair gol), além do goleiro Ronaldo com defesas essenciais. Esse números podem ser explicados em parte porque o Tricolor esteve mais tempo em vantagem (por um tempo completo contra o Corinthians e mais de uma hora frente ao Vasco).
A postura mais reativa do Bahia longe de casa também não é uma novidade. Nos 19 jogos do último Brasileirão como visitante, em nove teve menos posse de bola e em 14 teve menos gols esperados. A intensidade do lado baiano foi o ponto alto dos dois jogos.
A partida frente ao Corinthians veio com menos sustos e muita pressão no ataque para anular o adversário. Um reflexo do Brasileirão começando mais cedo, pois, nos últimos anos, o time de Salvador sempre chegava mais desgastado para maior competição de clubes pela disputa de Campeonato Baiano e Copa do Nordeste.
— Não começamos mal, tomamos contra-ataque e gol cedo, balançamos. Eles poderiam ter feito 2 a 0 e definido. Depois o time se encontrou, teve volume, alta intensidade, criou oportunidades, fez bom primeiro tempo, sustentou no 4-3-3, não baixou tanto. Intensidade por ter usado outros jogadores no jogo anterior, riscos que a gente tem que correr — disse Ceni após vencer na Vila Belmiro.

Já o 1 a 0 sobre o Vasco, gol solitário de Luciano Juba em escanteio logo aos 22 do primeiro tempo, foi de muita dedicação defensiva e uma certa sorte porque o adversário desperdiçou muitos gols.
O técnico teve ainda mais participação nesse resultado, mudando a escalação ideal para colocar Kike Oliveira na ponta esquerda e Román Gómez na lateral direita e assim dar mais fisicalidade ao invés de Pulga (ou Sanabria) e Gilberto.
— Para mim, um jogador vale o que ele faz para frente e o comprometimento que ele tem para defender. A escolha por Kike foi porque era um jogo fora de casa, campo pesado. Achei que ele e Román podiam dar mais peso de confronto físico para a gente. […] Kike entrega muito, um cara que tem o coração e a alma dele sempre vai ter espaço — explicou
— Esses são os caras que eu gosto. Esses caras de lado que se dedicam da maneira que ele se dedica. Louvável a entrega defensiva dele. Para um treinador, isso não tem preço, não se compra — completou.
— Román tem intensidade, juventude, defende melhor [em comparação a Gilberto], mais intenso, coeso e não tem a mesma qualidade técnica desenvolvida do Gilberto. Vamos trocando de acordo com os jogos até o momento que a depender do tipo de jogo é usado um e outro — analisou depois do jogo com o Corinthians.
O Bahia começa sua trajetória na Libertadores nesta quarta-feira (18) justamente longe de Salvador. Visita o O’Higgins no Chile, podendo escrever mais um capítulo desse bom desempenho como visitante. A ver se no Brasileirão manterá essa toada, o que pode ser um indício de outra campanha histórica do clube na competição.



