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‘Não tem nada que nos incomode mais’: veja estratégias do Atlético-MG para corrigir acústica da Arena MRV

CEO do Galo chamou responsabilidade para si e garantiu que clube prioriza o uso da Arena para o futebol

Pela primeira vez em quase um ano, o Atlético-MG admitiu publicamente os problemas de acústica sempre comentados da Arena MRV. O CEO Bruno Muzzi assumiu a responsabilidade e detalhou os planejamentos do Galo para corrigir o problema. A Arena MRV nasceu com a promessa de ser um caldeirão, mas o que vemos é um estádio que abafa a torcida do Atlético (e as visitantes também). O problema é pauta entre torcedores e imprensa há meses, e o Galo falou sobre o tema pela primeira vez.

– Essa responsabilidade é minha, pois eu estava aqui desde o primeiro momento e naquele momento tínhamos algumas opções, de atender o licenciamento ou parar a obra. Atendemos o licenciamento e, de fato existe um problema, não ha como fugir – iniciou o CEO Bruno Muzzi.

A Arena MRV tem uma cobertura para absorver 95 decibéis internamente e ela não tem pegado fogo como queríamos. Não tem nada que nos incomode mais do que esse assunto – Bruno Muzzi

Atlético viu problema desde o primeiro dia

Mesmo que antes não tenha externado algo, Bruno Muzzi afirmou que eles perceberam problemas na acústica desde os primeiros jogos, ainda em 2023. Diante disso, o Galo iniciou um planejamento e chegou a conclusão de que o problema não é um só, mas sim uma sequência deles:

– São três pontos: uniformidade de canto, de todos cantarem ao mesmo tempo, a coordenação desse canto e a cobertura – afirmou Muzzi

Diante disso, o Galo fez alguns movimentos, como unificar mais as torcidas organizadas (são mais de 20), mas, por alguns assuntos entre eles, não é possível colocar todas juntas ou mais próximas.

– A gente vê nos estádios do mundo que não tem cobertura, tipo Bombonera, e mesmo assim é um caldeirão, pois todos cantam juntos, no nosso caso isso não acontece porque a cobertura absorve mais (os cantos) – afirmou o CEO.

Como resolver os problemas da Arena MRV?

O Atlético sabe que só unificar as torcidas não adianta, até porque, se todos cantarem em um setor, mesmo assim não chega do outro lado do estádio, por exemplo. Por isso, trabalha com outras ideias. A opção mais rápida é utilizar o voice lift, sistema usado em vários estádios do Brasil e do mundo, como Ligga Arena, do Athletico-PR, Maracanã e Allianz Arena de Munique.

– Nada mais é do que captação para que o som seja distribuído ao mesmo tempo (pelos altos falantes do estádio). Na hora que isso acontece, existe a coordenação. Porque hoje quem está no norte não escuta o sul, o Brahma (inferior) não escuta o Inter (superior) – destacou Muzzi

O som dos alto-falantes não são gravados, mas sim reverberados ao vivo da própria torcida, fazendo o canto se espalhar com mais clareza, algo que não se tinha antes. O primeiro teste desse método aconteceu contra o Flamengo e já surtiu efeito, atingindo o pico de 105 decibéis. Quem foi ao jogo realmente percebeu uma melhora no tom da torcida.

Mudança na estrutura?

Outro ponto que pode ajudar na melhora da acústica é uma mudança na estrutura da Arena MRV. Mas, logicamente, não é algo simples de fazer. O Atlético contratou um especialista para fazer esse estudo físico, e a expectativa é ele ser finalizado no fim de 2024 e colocado em prática em 2025.

– Criamos uma sala na Arena que é a réplica do estádio para testarmos o que fazer para resolver o problema – afirmou o CEO.

Arena MRV foi construída para shows?

Na noite de quarta-feira (10), o jornalista Guilherme Frossard revelou a empresa responsável pela acústica da Arena MRV, e no site dela dava a entender que tudo foi construído pensando em, no mínimo, igualar a importância de shows.
Bruno Muzzi, no entanto, negou veementemente que o estádio tenha sido construído priorizando shows, mas sim apenas o futebol.
— A principal premissa foi respeitar o licenciamento e priorização de jogos. Nunca passou nenhum tipo de premissa para priorizar shows. É importante para gente, mas não prioridade. A prioridade sempre será o futebol e assim continua. É difícil controlar o que o fornecedor escreve – disse Muzzi.
O CEO ainda revelou que o Atlético recusou mais de 20 shows na Arena em 2024, inclusive o de Bruno Mars – que tinha muito apelo – justamente por priorizar o uso do local para o futebol.
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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