Se fora de campo Atlético-MG e Cruzeiro vivem ‘guerra’, na beira dele Felipão e Larcamón se elogiam e pregam respeito
A experiência de Felipão se encontrará com a juventude de Larcamón no clássico entre Atlético e Cruzeiro neste sábado (3)
O clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro começou antes mesmo da bola rolar às 19h30 do próximo sábado (3), na Arena MRV. Problemas no último duelo entre as equipes fizeram as diretorias chegarem a um acordo para torcida única. Apesar desse acordo, as farpas entre os dirigentes foram constantes nesta semana. Mas na beira do campo a história parece ser diferente, com os técnicos Felipão e Larcamón se elogiando e pregando muito respeito antes de se enfrentarem.
O Atlético x Cruzeiro deste sábado coloca frente a frente o técnico mais experiente da Série A, Felipão, no auge de seus 75 anos, e o mais novo, Nicolás Larcamón, com 39. Para se ter noção, quando Nico nasceu (1984), Scolari já era treinador, com passagens por CSA, Juventude, Brasil de Pelotas e Al-Shabab. Agora, eles se enfrentam pela primeira vez em um dos clássicos mais relevantes do Brasil, pregando respeito e elogiando um ao outro.
Questionado sobre enfrentar um treinador tão experiente e vitorioso como Felipão, Larcamón afirmou ser um privilégio, mas destacou que as trajetórias não entram em campo e que quer vencer Scolari: “Para mim, como profissional, jogar um clássico contra um treinador da trajetória do Felipão é um privilégio. Mas, quando começar o jogo, não tem trajetória, nada, ele vai procurar que seu time ganhe e eu que o meu time ganhe. Espero que seja nossa a vitória”, disse o argentino que está a frente do Cruzeiro a dois jogos.
Já Felipão, que foi questionado sobre enfrentar o jovem treinador cruzeirense e informado que recebeu elogios dele, devolveu os cumprimentos e disse ser uma “satisfação” conhecê-lo, mas que preferia que esse encontro acontecesse em um jantar ou algo do tipo, com mais calma para conversas e trocas de experiências.
– É uma satisfação para mim conhecê-lo, conversar antes e depois, desejar que ele seja feliz no Brasil, tenha todas as oportunidades e trabalhe dentro do seu estilo. Não tive a oportunidade de conhecê-lo e, em um clássico, é meio ruim, é aquele papinho. O melhor é depois de um jogo, em um jantar e tals, como já fizemos com outros técnicos — disse o treinador, que brincou que ele é quem queria ser o jovem nessa história.
Scolari, que revelou que esse deve ser seu último ano como treinador, ainda deu uma bela lição ao falar sobre as experiências da vida no futebol e do motivo de ainda trabalhar aos 75 anos, afirmando que vai viver o clássico intensamente, mas provavelmente ele será mais emocionante para Nico, que está no início da carreira.
– Quando a gente é jovem, a gente sonha com clássicos e coisas que mais tarde a gente não vive tanto aquela situação. Quando me perguntam porque eu ainda trabalho, é porque eu gosto! Vou viver o clássico mais intensamente do que vocês imaginam. Faz parte da minha vida. Provavelmente pra ele (Larcamón) é mais emocionante ainda, pois é um princípio de carreira. Tomara que ele consiga seus objetivos — afirmou Felipão.
Treinadores não queriam clássico cedo na temporada
Se Felipão fica feliz de encontrar e conhecer Larcamón, por outro lado, ele foi crítico de duas coisas. A primeira foi a decisão por torcida única, que ele chamou de “ridícula”. A segunda, ainda mais fora da alçada dele, foi a de colocarem um clássico logo de cara para os clubes. Para ele, isso só atrapalha.
– Não ajuda (ter um clássico). Acho que prejudica. Se seguíssemos nosso trabalho normal, pela sequência com o grupo, na parte da preparação física e da fisiologia, é mais interessante e legal seguir sem o clássico. Pois sempre que envolve o clássico, envolve também uma série de situações que a gente não domina — destacou Scolari, que afirmou que o jogo, apesar de toda a importância, não mudou e não mudará a programação do Galo.
Larcamón teve o mesmo discurso de Scolari e afirmou que o clássico acontece “muito rápido” na temporada, mas destacou, assim como o treinador atleticano, que é o calendário e eles precisam estar preparados: “Esse tipo de jogo é mais quente e mais decisivo. Mas esse é o calendário e temos que encarar”.



