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Arthur ganha merecida chance na Seleção, especialmente por agregar uma qualidade diferente

Para o público em geral, dificilmente o nome de Arthur, do Grêmio, significava alguma coisa até o início do ano. O meio-campista podia ser velho conhecido de quem acompanha o dia a dia tricolor ou de quem gosta das categorias de base, mas ainda não havia se firmado no profissional. De certa forma, a transição até era lenta para o prodígio, considerando a reputação de quem foi capitão dos gremistas e defendeu as seleções menores. Depois de aparições esparsas na equipe principal durante as duas temporadas anteriores, o jovem de 21 anos ganhou sua grande chance a partir do primeiro semestre de 2017. Para não largar mais. Quem viu o volante atuando pelo Brasileiro ou pela Libertadores, sabe que a sua convocação é mais do que merecida – mesmo que alguns ainda o desconheçam.

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O senso de oportunidade de Arthur foi gigantesco. Chamado por Renato Gaúcho para compor um time misto do Grêmio que visitaria o Guaraní, pela fase de grupos da Libertadores, o garoto mostraria o seu melhor. Atuou centralizado no meio-campo, em um duelo no qual os tricolores não foram tão constantes. Mesmo assim, o novato destoou. Trabalhou bem demais na organização do time e garantiu o empate por 1 a 1, graças a uma bela assistência a Pedro Rocha. A partir de então, ficava claro que cada vez mais ele precisaria entrar no time. Uma semana depois, aconteceu o reencontro com os paraguaios na Arena. Arthur saiu do banco, substituindo o lesionado Miller Bolaños aos 14 minutos. Deu dinamismo à equipe e, mesmo sem marcar ou dar assistência na goleada por 4 a 1, terminou eleito o melhor em campo.

A confiança de Renato se pagou a partir do Brasileirão. Com a dupla campanha aumentando a exigência sobre o elenco do Grêmio, Arthur se tornou bem mais frequente. Ganhou a posição de titular, disputando 18 das primeiras 23 rodadas do campeonato nacional. Apesar daquele teste decisivo um pouco mais à frente, o jovem se consolidou na cabeça de área, ocupando o lugar de Maicon, principalmente depois da lesão do capitão. E se a Libertadores abriu as portas para o camisa 29 no Tricolor, também serviu de trampolim para a seleção principal. Arthur fez um jogo praticamente impecável contra o Botafogo no Estádio Nílton Santos. Em um confronto bastante intenso, a firmeza e o ritmo do volante foram fundamentais. Observado por Tite, apareceu na lista de convocados desta sexta.

Arthur é um jogador com enorme potencial para a seleção brasileira. Aos 21 anos, tem muito chão para crescer e já demonstra uma maturidade acima da média, não apenas pela maneira como lidou com as situações de pressão neste ano, mas também pela própria forma como conduz o jogo. É um atleta que os gremistas deverão aproveitar bem nos próximos meses, porque possui predicados para se adaptar em ligas europeias sem o menor problema, e tende a se tornar cobiçado em pouco tempo. Mas, talvez mais importante a Tite que o futuro, já é o presente. O tricolor pode oferecer um estilo de jogo particular à equipe nacional. É mais uma carta na manga para a montagem do elenco.

Arthur tem características marcantes na precisão nos passes e na condução de jogo, de um jeito que não se encontra entre os volantes convocáveis. Possui menos presença física que alguns de seus concorrentes, mas isso não o impede de dominar a faixa central através de suas próprias virtudes. Tende a ser muito útil em partidas nas quais a Seleção precisa ter o controle no meio de campo. Além disso, deve se encaixar facilmente em diferentes formações, tanto com dois cabeças de área ou com dois meio-campistas à frente de Casemiro. Taticamente, pode servir bastante às ideias do treinador. É o que gostam de chamar de “jogador moderno”, mas sem as firulas que levam a tal concepção. Mal comparando, o prodígio alude a Thiago Alcântara por aquilo que desempenha – mas, desta vez, vestindo amarelo.

Obviamente, há forte concorrência em sua posição – considerando até outros que ainda não foram convocados, como Fabinho, do Monaco. Por isso mesmo, a oportunidade dada a Arthur é tão valiosa e notável. E, ainda que os treinos representem sua maior vitrine a Tite, não seria exagero pensá-lo em campo em um dos últimos dois jogos das Eliminatórias, diante da falta de obrigação da Seleção no topo da tabela. É ver como o garoto se sai neste retorno com a camisa amarela, que já vestiu na base. Levando em conta a maneira como se portou no Grêmio ao longo dos últimos meses, quando a responsabilidade em suas mãos também era grande, o volante poderá dar um passo firme rumo ao seu próprio futuro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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