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Após problemas, melhorias e aval ao sintético, Atlético-MG vai manter gramado natural na Arena MRV

Depois de presidente e CEO confirmarem a implementação do gramado sintético, lei de Belo Horizonte atrasou a mudança e o Atlético optou por manter o natural em 2024

Depois de ter inaugurado a Arena MRV com alguns problemas no gramado, que causaram, por exemplo, interrupção de jogo já na estreia e reclamações dos próprios jogadores do clube, o Atlético-MG havia confirmado que iria trocar o campo de seu estádio para sintético. No entanto, a ideia caiu por terra e em 2024 o gramado seguirá natural, servindo de parâmetro para os próximos anos.

O presidente do Atlético, Sérgio Coelho, e o CEO, Bruno Muzzi, já havia confirmado no fim de 2023 que o gramado da Arena MRV seria trocado para o sintético. Essa, inclusive, era a ideia inicial do projeto, mas pelo custo elevado do sintético, o natural (muito mais barato) que foi instalado. No entanto, essa ideia caiu por terra quando o Galo descobriu que precisaria tentar mudar uma lei de Belo Horizonte que não permite o sintético.

Como já havia adiantado o CEO Bruno Muzzi, a legislação de Belo Horizonte exige uma taxa de permeabilidade no local, e a grama artificial, por não ser vegetada, não se enquadra nesse perfil. O clube já trabalha com a prefeitura para chegarem a um acordo e esse tipo de solo ser liberado: “A grama sintética, a gente tem uma questão de taxa de permeabilidade. É uma legislação do plano diretor de Belo Horizonte que nos obriga a ter um percentual de taxa de permeabilidade. A grama sintética é permeável. O problema é que a lei obriga, e ela diz que: ‘para ser considerada uma área permeável, ela precisa ser sob terreno natural e ser vegetada’. A palavra vegetada não se aplica para a grama sintética. É possível contornar isso e a Prefeitura está trabalhando com a gente para ter um decreto ou uma flexibilização”.

Apesar do Atlético estar trabalhando com a Prefeitura para conseguir implementar a grama sintética, o clube entendeu que essa negociação demandaria mais tempo e, quando aprovada, o processo de mudança tomaria parte da temporada. Ou seja, o Galo teria que abrir mão da Arena MRV em alguns jogos. Por isso, o clube decidiu manter o gramado natural em 2024. Diante desse cenário, o Galo sonha em ter um gramado em estado perfeito, mesmo com jogos e shows.

– Em 2024 vamos ficar com a grama natural ainda. As Arenas têm as suas dificuldades de ter uma excelente grama natural, que é a questão de sol e vento. Somado a isso tem os eventos, pois quando você constrói uma Arena, a prioridade é o futebol, mas tem que fazer shows para ter rentabilidade. Temos lá a iluminação artificial para que se inicie a temporada em perfeitas condições e depois faça só a manutenção. Acho que 2024 vai ser um parâmetro se vai ser possível suportar eventos e jogos — confirmou o diretor de futebol Rodrigo Caetano, em entrevista ao SporTV.

Melhorias no gramado da Arena MRV

Apesar de ter começado com o pé esquerdo, o gramado da Arena MRV demonstrou notória melhoria no decorrer do tempo. O atraso na entrega das máquinas de iluminação artificial, por exemplo, foi um dos motivos que fez o campo ficar ruim em sua estreia. No último jogo realizado no estádio, o campo já parecia em ótimo estado.

Após essa partida, o gramado passou por uma severa reformulação, para iniciar 20245 impecável. O canal Minas Gerais Pelo Mundo, que faz vídeos diários com um drone mostrando a Arena MRV, postou seu último vídeo de 2023, no dia 31, mostrando o gramado já em bom estado e sendo tratado.

Jogadores x grama sintética

Desde que a grama sintética passou a ser mais comum em alguns estádios de futebol pelo mundo, há divergências sobre ele, principalmente entre os jogadores. Alguns deles não aceitam jogar nesse tipo de solo, como o caso do astro Luis Suárez, do Grêmio, que ganhou mais notoriedade em 2023, já que ele marcou três gols na vitória do Tricolor Gaúcho contra o Botafogo, mas só porque o Nilton Santos (sintético) não estava disponível e o jogo foi em São Januário (natural).

No Atlético, o clube já começa a se preparar para os jogos com esse tipo de solo. Um dos campos da Cidade do Galo recebeu recentemente a grama sintética que, além do motivo de jogos em campos desse estilo, também foi colocada, pois permite que haja treinos praticamente o dia inteiro, diferente dos campos de grama natural, que tem limite entre 2h e 3h. Essa questão dos treinos é para englobar mais as categorias de base e o time feminino.

No fim de 2023, alguns jogadores do Atlético comentaram sobre a possível mudança na Arena MRV e falaram o que pensam de terem que atuar em gramado sintético. O goleiro Everson, por exemplo, não tem uma opinião formada, mas espera que o clube use isso a seu favor, como os demais times que já tem essa grama fazem.

– Não tenho opinião. Acho que o clube tem que fazer o que acha melhor para ele desportivamente. Se tiver um gramado sintético onde ele seja bom e não atrapalhe os atletas, como no Athletico-PR, no Botafogo e no Palmeiras, onde sabemos a força deles dentro de casa. Cabe a nós a trabalhar e adaptar o mais rápido possível e fazer dele uma arma para que a gente possa ganhar vários jogos e conquistar títulos.

Já o meia Matías Zaracho entende que é mais difícil jogar no sintético, mas o novo campo do CT atleticano pode ajudar nessa adaptação: “Acho que o sintético é mais difícil. Mas a estrutura aqui do clube é muito boa, e agora, colocando um sintético (no CT) para ajudar a nos adaptar ao que vai ser o jogo na Arena do MRV. Não vai ser fácil preparar os jogos, e a gente vai treinar e vai trabalhar para isso”.

Arana não gosta, mas é melhor que um natural ruim

Mais sincero entre os questionados, o lateral-esquerdo Guilherme Arana, que renovou recentemente com o Atlético, afirmou que não gosta de jogar no sintético, mas que é melhor do que em um natural em qualidade ruim.

Eu particularmente não gosto de sintético. Mas entre sintético e o estado do gramado hoje, eu prefiro o sintético, porque é uma situação muito ruim – Arana

O lateral entende que a mudança é necessária, já que vão acontecer alguns eventos no estádio e, assim como os companheiros, espera que o Atlético utilize isso como uma arma para se sobressair aos adversários.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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