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Como António Oliveira tem aproveitado intertemporada forçada do Corinthians?

Preparador físico do Corinthians conta os detalhes do dia a dia da concentração no CT Joaquim Grava durante a pausa entre competições

Concentração total, recuperação de atletas e entrosamento. A intertemporada forçada do Corinthians foi de muitos frutos para o elenco de António Oliveira. Além da parte física, o clima no CT Joaquim Grava está mais leve e, como consequência, o time entrou em sincronia com proposta de trabalho do português. Ou seja, por mais que a eliminação precoce no Campeonato Paulista tenha sido dolorida, o Timão teve um ganho importante de desempenho.

Quem conta os detalhes sobre os dias de preparação dentro dos muros do CT é Reverson Pimentel, preparador físico que deixou o Grêmio, em fevereiro deste ano, para assumir o cargo na nova comissão corintiana. Ele chegou logo nas primeiras semanas de gestão de António e sentia, assim como os demais membros da gestão, que o elenco ainda precisava “absorver a dinâmica” do comandante.

— Como chegaram atletas novos, contratações, enfim, comissão toda diferente, a gente precisava desse tempo para estar junto, para conhecer, para conversar… Quando falo conversar, é no sentido de conhecer melhor cada atleta, a forma que joga e como se sente mais à vontade. Tudo isso é construção de relacionamento. Não tinha dado tempo de fazer isso ainda — contou Reverson, em entrevista à Trivela.

— A principal ideia do António era ganhar esse tempo de treinamento e mostrar para o atleta, principalmente, a forma que ele gosta de trabalhar, essa forma intensa do trabalho. E como a gente estava mudando a carga que vinha sendo feita, o ideal também era que a gente controlasse essa recuperação. A estratégia foi dar uma carga maior de trabalho e acelerar a recuperação com eles descansando ali no CT, além de ajudar a criar uma unidade de grupo.

Reverson Pimentel, preparador físico do Corinthians (Foto: Divulgação)

Pingue-pongue, carteado e papo sério

Buscar a unidade do grupo alvinegro foi o que marcou a virada de chave no trabalho de António. Isso porque o Corinthians vinha de um período conturbado, com muitas derrotas seguidas e a confiança abalada. Para recuperar o entrosamento, o treinador enxergou na concentração a saída para fazer os atletas entrarem na mesma sintonia.

— Na concentração tem um salão de jogos, que foi onde a comissão e os atletas tiveram esse convívio mais descontraído. Essa parte do grupo estar junto, de poder usufruir da companhia um do outro também foi muito positiva. A gente não fez esse tempo (de concentração) ser uma prisão, entendeu? No período, também teve de folga, e a gente tava com os atletas o tempo todo… Nos momentos de jantar, de almoçar — contou Reverson.

— Antônio estava sempre procurando criar alguma atividade para todo mundo gostar de estar junto. Talvez, a frase que defina esse período é: gostar de estar junto. Então, assim, teve o espaço para que eles pudessem jogar o carteado deles, a sinuca deles, o ping-pong, e espaço para a gente estar ali diariamente participando.

Se por um lado houve descontração, do outro teve muito trabalho e papo sério. Afinal, a estratégia de António é criar vínculo com os atletas a ponto de tornar a parte de cobranças mais amena. Nem por isso, o português pega leve com seus comandados. Nesse contexto, as conversas 1 a 1 tem sido muito eficazes.

— O Antônio prioriza muito a entrega no treinamento para que isso se reproduza na hora do jogo. Ele é muito próximo aos atletas, no sentido de conversar, de passar informação, mas também é um treinador que cobra muito a qualidade de treinamento diário e no campo — concluiu.

Com o fim da intertemporada após vitória no amistoso contra o Londrina, agora o Corinthians se prepara para voltar a campo pela primeira fase de Copa Sul-Americana. A equipe viaja para Montevidéu, no Uruguai, onde enfrentará Racing, na próxima terça-feira (2), no Estádio Centenário, às 21h30 (horário de Brasília).

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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