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Agora demitido de verdade, Adilson Batista caiu atirando para todos os lados

O conselho gestor do Cruzeiro chegou a decidir pela saída de Adilson Batista após a derrota por 2 a 0 para o CRB, na Copa do Brasil. Mas voltou atrás. Outra derrota, porém, foi a gota d’água. A Raposa perdeu por 1 a 0 para o Coimbra, que ainda não havia vencido no Campeonato Mineiro, e está fora da zona de classificação às semifinais. Desta vez, Adilson parece ter sido demitido de verdade e caiu atirando para todos os lados.

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Depois de Mano Menezes, Rogério Ceni e Abel Braga, Adilson Batista chegou ao cruzeiro no começo de dezembro, ato desesperado para tentar evitar o rebaixamento. Não conseguiu. Terminou o ano com mais três derrotas e, no geral, coleciona quatro vitórias, quatro empates e sete revezes, mas é até difícil avaliar quão bom (ou ruim) é seu trabalho em meio a tantos problemas extracampo.

A situação do Cruzeiro é crítica. A queda para a Série B reduziu as receitas. O orçamento para 2020 caiu para R$ 80 milhões, com dívidas na casa dos R$ 800 milhões, segundo o conselho gestor que vem administrando o clube neste momento. Teve que fazer acordos para tirar salários fora da realidade atual da sua folha, como os de Dedé, Egídio, Rodriguinho e Fred, e os reforços chegam à conta-gota. Promoveu uma série de jovens para encorpar o elenco.

A decisão de manter Adilson Batista, mesmo com o rebaixamento, que obviamente não foi sua culpa, era contestável pela escassez de bons trabalhos recentes do treinador e porque talvez fosse melhor procurar algum jovem com novas ideias e capaz de elevar o nível do time com um trabalho coletivo forte, mas pesou sua identificação com o clube para navegar em um momento turbulento.

E se é verdade que o Cruzeiro ainda se assemelha mais a um amontoado de jogadores do que a um time, e que seria muito ruim ficar fora das semifinais do Campeonato Mineiro, o que exatamente esperavam que Adilson fosse fazer nessa situação e em tão pouco tempo?

Isso fez parte do pronunciamento de Adilson Batista na entrevista coletiva em que anunciou que estava demitido, mas sobraram críticas aos jogadores, que segundo ele derrubaram seus antecessores, à diretoria e ao departamento de marketing:

“O clube uma bagunça, dentro do vestiário, desordem, atletas tomaram conta do clube, derrubaram o seu Mano Menezes, meu amigo, seu Abel, seu Rogério Ceni. Tomaram conta do clube. Você chega e tem que limpar. Dei treino durante alguns dias até resolver essa situação. Não tínhamos comando lá em cima. Rezo para que o clube tenha logo um presidente. Está precisando urgente de um presidente. Porque hoje tem oito gestores e os oito querem dar palpite no futebol. Alguns deveriam cuidar do marketing, que era para fazer uma campanha para 300 mil e hoje estamos com 45 mil. Esse marketing tá mal, tem que melhorar. Tem 60 dias de trabalho, treina com 15, que não é para treinar, chegam 11 jogadores do juniores sem as devidas condições e você tem que ter paciência nesse processo de formação. Era para estar aqui já o Jean, chegou ontem. Ariel era para estar. Ramon treinou comigo não está. Você estreia alguns contra o Tupynambás. O torcedor não gosta de A, B ou C. Demora para chegar outros jogadores. Hoje estou vindo pedir mais um meia, mais um extremo, mais um outro extremo, mais um lateral, mas hoje não adianta. Então, para quem vai chegar, isso vai aparecer, e vai fortalecer, vai encorpar, vai melhorar. Estarei na torcida. Fico triste porque peguei todas as dificuldades que você tem no início para montar um time, 40% do elenco renovado, 80% do elenco jovem, a gente não conseguiu repetir escalações, os jogos que perdemos, vários erros, mais individuais que coletivo. Então fico triste, mas faz parte do futebol. Continuarei na torcida”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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