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Afinal, quando é a hora certa de demitir um treinador?

Atualizado às 19h00: Peter Siemsen confirmou a saída de Eduardo Baptista em entrevista coletiva.

A notícia pegou pouca gente de surpresa. Eduardo Baptista vinha sendo cozinhado há algumas semanas e foi finalmente demitido nesta quinta-feira, um dia depois de perder para o Botafogo, pelo Campeonato Carioca. Logo em seguida, o vice-presidente de futebol, Mário Bittencourt também foi dispensado, o que, pela cronologia dos acontecimentos, torna inevitável a associação de uma decisão com a outra. Em entrevista coletiva, Siemsen confirmou a saída de Baptista.

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Os resultados, como sempre, são o que mais pesaram, e com estilo: 13 derrotas, cinco empates e apenas oito vitórias.Conseguiu um baixíssimo aproveitamento de 37% na sua passagem, e o Fluminense terminou o Brasileirão do ano passado com 19 derrotas. Um turno inteiro de jogos perdidos. Uma fase tão ruim que ofuscou a boa campanha do Flu na Copa do Brasil do ano passado, eliminado nos pênaltis pelo Palmeiras nas semifinais, e até a vitória por 4 a 3 sobre o Cruzeiro, na Primeira Liga.

Eduardo Baptista teve apenas seis meses de trabalho, do meio de uma temporada ao princípio da seguinte. Não teve tempo para montar o elenco ao seu gosto e implementar plenamente o seu estilo de futebol. Adaptações aos jogadores que tinha foram necessárias. Mas como defender um treinador que perdeu metade das partidas que disputou?

Entre a loucura das demissões compulsivas para preservar o dirigente e o utópico ambiente controlado de laboratório, em que o treinador teria irrestrito apoio dos torcedores e da diretoria para desenvolver o seu trabalho por pelo menos uma temporada inteira, mesmo que literalmente sofresse um 7 x 1 por dia, existe um meio termo.

Onde ele está? Quando é o momento certo para se demitir um treinador?

Peguemos outro exemplo: no lado oposto daquela semifinal da Copa do Brasil, estava o Palmeiras. A vitória sobre o Fluminense valeu vaga na decisão contra Santos, em que mais um épico, o terceiro seguido naquela competição, garantiu ao clube paulista o título e a classificação à Libertadores.

A glória que ofusca o trabalho ruim. Nos últimos 23 jogos, o Palmeiras venceu apenas seis: três pela Copa do Brasil suando sangue e na mais pura raça, empurrado pela torcida, uma contra o Avaí, outra diante do Flamengo, na última rodada do Brasileirão, valendo absolutamente nada, e na estreia do Paulistão, contra o Botafogo-SP.

Este ano, está há cinco partidas sem ganhar e não enfrentou nenhum esquadrão: com exceção do Santos, os resultados ruins vieram contra São Bento, Oeste, Linense e River Plate, do Uruguai.

Mesmo com um farto elenco à disposição, entre os melhores do Brasil, o time joga mal mais ou menos desde outubro. Marcelo Oliveira não encontra soluções para a saída de bola, para a criação no último terço de campo e para a organização defensiva. Em um grupo difícil da Libertadores, mas com potencial para avançar e ir mais longe na competição, a lenta evolução do time, às vezes tão lenta que chega a regredir, preocupa a torcida alviverde.

O Palmeiras deveria demitir Marcelo Oliveira? Vale a pena sacrificar a Libertadores e metade da temporada pela confiança em um trabalho que dá poucas indicações de sucesso?

Acredito que um treinador deve a demissão deve ocorrer quando o dirigente tem certeza que o treinador não conseguirá arrumar o time de jeito nenhum, uma conclusão que simplesmente não pode ser alcançada em pouco tempo. Mas, em alguns casos, ela chega escancarando a porta.

Só que a minha resposta é a que menos importa aqui. Nós queremos a sua.

Afinal, quando é a hora de demitir um treinador?

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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