‘Repudio’: O eloquente silêncio de Abel Ferreira fez ainda mais ridículas, as desculpas de Carlos Belmonte
Técnico do Palmeiras fez protesto contra discriminação, incluindo a sofrida por ele vinda de dirigente são-paulino
Após Palmeiras 5 x 1 Ponte Preta, Abel Ferreira iniciou sua entrevista coletiva com uma declaração, sem especificar o assunto. Mas, pelo teor, ficou claro se tratar das falas xenófobas do diretor do São Paulo, Carlos Belmonte. Em seguida, o técnico fez um minuto de silêncio.
— Queria abrir a minha entrevista com a seguinte declaração: eu repudio todo e qualquer ato de descriminação. Seja ele por gênero, cor de pele, nacionalidade ou qualquer tipo de violência. Isso vai além do futebol. É uma questão de humanidade. Eu repudio todo e qualquer ato de descriminação. Publicamente não falo mais sobre esse assunto — disse o técnico.
Em contato com a equipe do treinador, mais tarde se soube que Abel também fazia menção às ofensas racistas de torcedores do Atlético de Madrid contra Vinicius Jr., antes do jogo de sua equipe na Champions League, contra a Internazionale, na quarta-feira (13).
O momento de silêncio foi tão impactante quanto a fala!pic.twitter.com/YQ0IgKPZ54 https://t.co/Gn3tHbm0ob
— Murilo Dias (@mmurilodias) March 17, 2024
Não entendeu ou fingiu que não entendeu
Comparar a declaração de Abel com a fala de Carlos Belmonte mostra claramente que apenas um dos dois personagens entendeu o que houve no MorumBis no último dia 3:
— Estou aqui para fazer um pronunciamento, muito mais do que isso, um pedido de desculpas ao técnico Abel Ferreira. No calor, ao final da partida entre São Paulo e Palmeiras, acabei proferindo uma frase inadequada. Portanto, peço desculpas ao técnico Abel Ferreira, ao Palmeiras, uma instituição importante do futebol brasileiro, e também à comunidade portuguesa. Naquele momento, eu buscava identificar o técnico Abel Ferreira ao árbitro. Mas de novo, a frase foi inadequada. Com isso, peço desculpas, continuarei defendendo o São Paulo Futebol Clube sempre que achar necessário, mas não mais desta forma. Esta forma foi inadequada, portanto esta forma não repetirei. A defesa do São Paulo Futebol Clube, sim.

Belmonte, que só gravou o vídeo como parte de um acordo com a Federação Paulista de Futebol para evitar penas pesadas para jogadores e demais envolvidos na confusão do Choque-Rei, não entendeu nem o que fez de errado. Ou fez de conta que não entendeu, para não criar provas contra si.
Quando pede desculpas ao “técnico do Palmeiras” e ao próprio clube alviverde, o dirigente tenta reduzir sua fala xenófoba a um contexto futebolístico. Quando diz que usou o termo chulo apenas para “identificar” o técnico para Matheus Candançan, apenas tenta fazer a todos de bobos.
Ao considerar que chamar um pai de família de “Português de Merda” é uma frase inadequada feita “no calor” para defender o São Paulo, está claro que Belmonte não enxerga a dimensão do que falou na vida real. Algo que Abel deixou bem claro em sua fala, quando citou que violências do tipo vão muito além do futebol, são questões humanas.
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O processo deve mesmo acontecer
No tempo em que Abel ficou parado, olhando em silêncio para a câmera, estava embutida toda essa explicação, mas também uma justificada revolta com alguém que o ofendeu em sua essência como pessoa, mas se desculpou em um contexto meramente esportivo.
Está claro, embora ainda não confirmado por ninguém da equipe de Abel, que o processo contra Belmonte na Justiça Comum será levado adiante.
A Trivela apurou com pessoas ligadas ao treinador que Abel Ferreira estava na expectativa de que Belmonte o procurasse. Assim como ele fez quando foi grosseiro com um jornalista no Rio de Janeiro. Ou com o produtor de quem tomou um telefone celular. O fato de Belmonte ter pedido apenas desculpas públicas foi a gota d’água.



