Brasil

‘Repudio’: O eloquente silêncio de Abel Ferreira fez ainda mais ridículas, as desculpas de Carlos Belmonte

Técnico do Palmeiras fez protesto contra discriminação, incluindo a sofrida por ele vinda de dirigente são-paulino

Após Palmeiras 5 x 1 Ponte Preta, Abel Ferreira iniciou sua entrevista coletiva com uma declaração, sem especificar o assunto. Mas, pelo teor, ficou claro se tratar das falas xenófobas do diretor do São Paulo, Carlos Belmonte. Em seguida, o técnico fez um minuto de silêncio.

— Queria abrir a minha entrevista com a seguinte declaração: eu repudio todo e qualquer ato de descriminação. Seja ele por gênero, cor de pele, nacionalidade ou qualquer tipo de violência. Isso vai além do futebol. É uma questão de humanidade. Eu repudio todo e qualquer ato de descriminação. Publicamente não falo mais sobre esse assunto — disse o técnico.

Em contato com a equipe do treinador, mais tarde se soube que Abel também fazia menção às ofensas racistas de torcedores do 1/tag/atletico-de-madrid/” target=”_blank” rel=”noopener”>Atlético de Madrid contra Vinicius Jr., antes do jogo de sua equipe na Champions League, contra a Internazionale, na quarta-feira (13).

Não entendeu ou fingiu que não entendeu

Comparar a declaração de Abel com a fala de Carlos Belmonte mostra claramente que apenas um dos dois personagens entendeu o que houve no MorumBis no último dia 3:

— Estou aqui para fazer um pronunciamento, muito mais do que isso, um pedido de desculpas ao técnico Abel Ferreira. No calor, ao final da partida entre São Paulo e Palmeiras, acabei proferindo uma frase inadequada. Portanto, peço desculpas ao técnico Abel Ferreira, ao Palmeiras, uma instituição importante do futebol brasileiro, e também à comunidade portuguesa. Naquele momento, eu buscava identificar o técnico Abel Ferreira ao árbitro. Mas de novo, a frase foi inadequada. Com isso, peço desculpas, continuarei defendendo o São Paulo Futebol Clube sempre que achar necessário, mas não mais desta forma. Esta forma foi inadequada, portanto esta forma não repetirei. A defesa do São Paulo Futebol Clube, sim.

Carlos Belmonte, diretor do São Paulo, xinga técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, após Choque-Rei, no Morumbis (Foto: Reprodução Twitter)

Belmonte, que só gravou o vídeo como parte de um acordo com a Federação Paulista de Futebol para evitar penas pesadas para jogadores e demais envolvidos na confusão do Choque-Rei, não entendeu nem o que fez de errado. Ou fez de conta que não entendeu, para não criar provas contra si.

Quando pede desculpas ao “técnico do Palmeiras” e ao próprio clube alviverde, o dirigente tenta reduzir sua fala xenófoba a um contexto futebolístico. Quando diz que usou o termo chulo apenas para “identificar” o técnico para Matheus Candançan, apenas tenta fazer a todos de bobos.

Ao considerar que chamar um pai de família de “Português de Merda” é uma frase inadequada feita “no calor” para defender o São Paulo, está claro que Belmonte não enxerga a dimensão do que falou na vida real. Algo que Abel deixou bem claro em sua fala, quando citou que violências do tipo vão muito além do futebol, são questões humanas.

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O processo deve mesmo acontecer

No tempo em que Abel ficou parado, olhando em silêncio para a câmera, estava embutida toda essa explicação, mas também uma justificada revolta com alguém que o ofendeu em sua essência como pessoa, mas se desculpou em um contexto meramente esportivo.

Está claro, embora ainda não confirmado por ninguém da equipe de Abel, que o processo contra Belmonte na Justiça Comum será levado adiante.

A Trivela apurou com pessoas ligadas ao treinador que Abel Ferreira estava na expectativa de que Belmonte o procurasse. Assim como ele fez quando foi grosseiro com um jornalista no Rio de Janeiro. Ou com o produtor de quem tomou um telefone celular. O fato de Belmonte ter pedido apenas desculpas públicas foi a gota d’água.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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