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Abandonada, antiga casa do Grêmio vira ponto de doações para vítimas das chuvas em Porto Alegre

Local também foi cogitado como cidade provisória para desabrigados, mas direção gremista não liberou devido a contratos com construtoras

Abandonado desde que o Grêmio migrou definitivamente para a Arena, no início de 2013, o Estádio Olímpico, no bairro da Azenha, em Porto Alegre, tem tido importante papel social em meio às enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul. Desde o dia 3 de maio, antiga casa gremista vem se destacando como centro de recolhimento de doações para as vítimas.

Com o alagamento da Arena, dos centro de treinamentos e da sede da Escola de Futebol, diversos funcionários do Grêmio se mobilizaram para realizar a força-tarefa no Olímpico. Lá, com a ajuda de centenas de voluntários, é feita a organização e destinação das doações vindas de diversos lugares.

— O Grêmio agiu muito rápido colocando o Olímpico à disposição já no sábado, dia 3. Imediatamente, recebemos uma avalanche de doações. Aos poucos, a gente foi se organizando, aprendendo os processos com ajuda de vários funcionários, dentro de suas possibilidades, de voluntários experientes, que já participaram de outras ações, junto com uma equipe da prefeitura e da UFRGS, que coopera no transporte. Eles moldaram nossa operação aqui no Olímpico e estão conosco até hoje — contou Isabel Degrazia, executiva de Gestão de Pessoas do Grêmio, em entrevista ao site do clube.

Grêmio recusou solicitação para que o Olímpico fosse utilizado como cidade provisória

O Olímpico chegou a ser cogitado como local para receber uma cidade provisória, em iniciativa dos governos estadual e municipal para centralizar os desabrigados. Porém, após reunião do Conselho de Administração realizada na segunda-feira (20), o Grêmio decidiu não liberar o estádio para a prefeitura de Porto Alegre.

O Tricolor Gaúcho entende que os contratos firmados com as construtoras Karagounis e OAS26 no processo de migração para a Arena do Grêmio não lhe permitem ceder a área do Olímpico por tempo indeterminado. Entretanto, clube seguirá oferecendo o terreno de sua antiga casa para recebimento de doações.

Voluntários possuem vínculo com o Grêmio e histórias no Olímpico

Muitos voluntários são gremistas e retornaram ao local em que possuem várias memórias marcantes para doar seu tempo em prol dos mais necessitados. São os casos, por exemplo, da dona Mirtes e do seu Mário, que tiveram suas histórias compartilhadas por Isabel.

— É muito emocionante ver a participação deles. Pessoas como a dona Mirtes, que cuida com muito amor do setor de roupas de bebês, o seu Mário, que cuida do registro dos voluntários e sempre é o primeiro a chegar. Todos têm um amor pelo Grêmio e contam histórias maravilhosas que viveram dentro do Olímpico — disse a executiva de Gestão de Pessoas do Grêmio.

Quase 900 entidades e abrigos já foram beneficiados com doações no Olímpico

De acordo com Luiz Jacomini, diretor do Departamento de Responsabilidade Social do Tricolor Gaúcho, também em entrevista ao site do Grêmio, as contribuições que passaram pelo Estádio Olímpico de 3 a 23 de maio beneficiaram 877 entidades e abrigos. A média foi de 44 atendimentos a cada 24 horas.

— Estamos muito satisfeitos com o trabalho que está sendo realizado. Construímos uma rede de solidariedade. A gente sabe que o Grêmio é um clube de futebol, mas era impossível que o coração gremista não estendesse a mão para os irmãos que estivessem precisando. A hora é de reconstrução e o Grêmio, dentro do que for possível, com o apoio do poder público, das lideranças das comunidades, estará trabalhando para reconstrução — declarou Jacomini.

Doações recebidas no Estádio Olímpico de 3 a 23 de maio

  • Água: 182.049 L
  • Refeições prontas: 48.225
  • Caixas de leite (1L): 1.888
  • Ração pet: 10.917 kg
  • Produtos de higiene e limpeza: 7.553 kg
  • Colchões/cobertores/travesseiros: 3.582 unidades
  • Alimentos: 7.849 kg
  • Roupas/calçados: 11.595 kg
  • Manta térmica: 11.000 m

Tragédia climática no Rio Grande do Sul deixou mais de 160 mortos

Os temporais que iniciaram no dia 29 de abril no Rio Grande do Sul deixaram 165 mortos, 64 desaparecidos e 806 feridos, conforme o último levantamento da Defesa Civil gaúcha. Há 637,4 mil pessoas fora de casa. Desse total, são mais de 55.791 acolhidos em abrigos e 581.638 desalojados (pessoas que estão nas casas de familiares ou amigos). Estima-se que mais de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas de alguma forma pelas enchentes. 469 dos 497 municípios do estado registraram algum tipo de transtorno.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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