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Tempo de surpresas nas eliminatórias asiáticas

O qualificatório para a Copa do Mundo do Brasil mostra situação inusitada. Faltando duas ou três rodadas para cada uma das dez seleções saberem se carimbam o passaporte para o Mundial 2014, os dois grupos da fase final da competição apresentam muitas surpresas. Algo muito diferente do ocorrido nas eliminatórias 2010, quando também houve quem ficasse de queixo caído com os classificados.

Em 2010, a primeira edição com o atual regulamento, o Grupo A foi formado por Austrália, Japão, Bahrein, Catar e Uzbequistão. Os dois primeiros eram amplos favoritos para os confrontos e confirmaram essa condição. Os australianos ficaram na liderança, com 20 pontos, contra 15 dos nipônicos.

Uma boa surpresa foi o Bahrein, terceiro lugar e classificado para a repescagem asiática, após dez pontos somados, contra seis do Catar e quatro do Uzbequistão. Detalhe que os dois últimos da chave conquistaram apenas uma vitória cada, em oito jogos, o que inviabilizou qualquer sonho maior.

No Grupo B estiveram Coreia do Sul, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Irã e o patinho feio Emirados Árabes Unidos. Como era de se esperar, os emirianos somaram apenas um mísero ponto, justamente no empate diante do Irã, em casa, pontos estes que resultaram na eliminação do país persa, dono de 11 pontos na tabela, um a menos que Coreia do Norte e Arábia Saudita.

Na ocasião, a maior surpresa ficou por conta dos norte-coreanos, que não perderam para os sauditas, inclusive na rodada final, jogando em Riad, capital do país adversário. O empate sem gols naquele 17 de junho de 2009 manteve a Coreia do Norte na segunda posição, com a mesma pontuação da Arábia Saudita, mas vantagem no saldo de gols (2 contra 0).

Para completar, os sauditas disputaram com a zebra Bahrein uma vaga na repescagem contra a Nova Zelândia, campeã da Oceania, mas acabaram perdendo o confronto aos 48 minutos do segundo tempo, depois de estarem vencendo com um gol aos 46. Como se pode ver, as eliminatórias asiáticas 2010 tiveram surpresas, mas nada se compara com o qualificatório de 2014…

Intrusos

Para começo de conversa, quatro seleções que estiveram na fase final do torneio asiático em 2010 não conseguiram o mesmo desempenho. O Bahrein, que perdeu o embate diante dos neozelandeses com um gol sofrido aos 45 minutos do primeiro tempo da segunda partida, sequer passou da segunda fase.

A equipe somou nove pontos em seis rodadas, ficando atrás de iranianos e catarianos, mesmo com a supeita goleada de 10 a 0 sobre a Indonésia, no último jogo. A Coreia do Norte não poderia fazer muito diferente no Grupo C, perdendo a chance de seguir sonhando com o Mundial 2014, após acumular sete pontos, pior que Uzbequistão (16 pontos) e Japão (dez).

Os Emirados Árabes Unidos ficaram longe de repetir a campanha, com apenas três pontos, atrás de Coreia do Sul, Líbano e Kuwait. Porém, a maior decepção ficou por conta da favorita Arábia Saudita, pois ninguém esperava que Omã pudesse somar dois pontos a mais que o adversário, alcançando a fase final das eliminatórias pela primeira vez.

Na quarta fase, os novatos vêm surpreendendo e alguma das seleções maiores e consequentemente favoritas às vagas pode ter de acompanhar a Copa do Mundo 2014 pela televisão. No Grupo A, o Uzbequistão, lanterna em 2010, simplesmente lidera, com 11 pontos em seis jogos, um a mais que a gigante Coreia do Sul, que tem um jogo a menos. O Irã anseia retornar ao Mundial, mas os sete pontos, mesmo número do Catar, ainda não definiu nada, muito pelo contrário – apenas o Líbano parece não ter chances, com seus quatro pontos em seis partidas.

No Grupo B, o Japão não deu espaço para os adversários e soma 13 pontos, estando muito perto de assegurar vaga na Copa do Mundo. Aliás, os japoneses poderiam ser o primeiro país a carimbar o passaporte para o Brasil 2014, caso apenas empatassem com a Jordânia, fora de casa. Curioso é que o adversário venceu e agora soma sete pontos, na segunda posição.

É claro que o Japão conquistará seu objetivo, mas os três pontos jordanianos atrapalharam a Austrália, que aparece em terceiro lugar, com seis – e um jogo a menos –, graças ao tropeço de 2 a 2 diante de Omã, em casa – estavam perdendo até os 40 minutos da etapa final. Os omanis, com seis, e até o Iraque, com cinco, igualmente sonham com a Copa do Mundo.

É evidente que a Ásia vai apresentar surpresas no Brasil 2014, certamente com seleções estreantes, já que apenas Coreia do Sul, Irã, Japão, Austrália e Iraque, este último em 1986, são os únicos que tiveram o gostinho de disputar uma Copa do Mundo. Resta saber é se algum gigante vai ficar de fora… Palpites?

Curtas

– O desempenho japonês nas eliminatórias é quase perfeito. Além de ser o maior pontuador entre os dez participantes da fase final (13 pontos), os nipônicos ainda têm o melhor ataque (14 gols), contra 11 da Coreia do Sul, e dividem o status de melhor defesa com o Uzbequistão (quatro gols). O atacante Shinji Okazaki, do Stuttgart (Alemanha), ainda é o artilheiro geral na Ásia, com sete gols, ao lado do iraquiano Younnis Mahmoud, do jordaniano Hassan Abdel Fattah e do vietnamista Le Cong Vinh, eliminado na segunda fase.

– A Coreia do Sul é a seleção asiática com mais participações consecutivas em mundiais. A equipe joga a Copa do Mundo desde 1986, há sete edições. O melhor resultado ocorreu em 2002, um quarto lugar, quando a arbitragem ajudou bastante. Os sul coreanos disputaram ainda a edição de 1954, na Suiça.

– O Irã jogou o Mundial pela última vez em 2006, mas alguns jogadores que vestiram a camisa do país persa na oportunidade ainda continuam. O meia Javad Nekounam tinha 25 anos em 2006, mas hoje ostenta 32 e é o capitão. O zagueiro Mohammed Nosrati tem 32 anos, mas tinha apenas 24 na Copa do Mundo da Alemanha. A estrela naquela oportunidade era o atacante Ali Daei, hoje treinador do Rah Ahan (Irã), aos 44 anos.

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