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Roy Krishna: o melhor na fraca seleção de Fiji

Em Fiji, ilha independente da Inglaterra desde 1970 e com cerca de 850 mil habitantes (dados de 2009), o futebol ainda engatinha. Longe dos principais países da Oceania, a sudeste da Austrália e a norte da Nova Zelândia, as nações mais próximas são Tonga (leste), a colônia francesa de Wallis e Fortuna (norte) e Vanuatu (oeste).

O esporte mais popular do país não é o futebol. Com três participações na Copa do Mundo de Rugby League, a seleção de Fiji já foi protagonista numa edição, em 2008, quando chegou na semifinal e foi o terceiro colocado – o primeiro jogo oficial ocorreu em 1992.

Raízes

Exatos 41 anos antes de a seleção de rúgbi entrar em campo, os adeptos da bola com os pés jogaram contra a Nova Zelândia, em 7 de outubro de 1951, estreia oficial da seleção de Fiji, que perdeu por 6 a 4. Porém, o futebol na ilha do Pacífico guarda registros do século XIX, quando os europeus desembarcaram a fim de colonizar a área.

O futebol começou nas escolas e até um clube (Suva Soccer Football Club) foi fundado, em 1905, por funcionários do governo britânico. Em 1924, o primeiro torneio do país foi disputado, mas o esporte evoluiu mesmo com o apoio dos indianos (no censo de 2007, 37,6% da população era descendente de indianos, que vieram trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar). Várias associações regionais foram criadas, mas apenas em 1938 nasceu uma entidade de abrangência nacional, a atual federação fijiana de futebol.

A primeira vez que Fiji participou das eliminatórias para a Copa do Mundo foi no qualificatório de 1982, quando Ásia e Oceania disputavam o mesmo torneio. No Grupo 1, ao lado de Nova Zelândia, Austrália, Indonésia e Taiwan, Fiji somou cinco pontos em oito jogos, ficando com a lanterna – seis gols a favor e 35 contra, com uma única vitória, 2 a 1 sobre Taiwan, em casa. Ausentes do qualificatório para o México 1986, os fijianos voltaram em 1990, mas novamente se despediram na fase preliminar, levando de 5 a 2 da Austrália – na primeira partida, em casa, Fiji venceu por 1 a 0, mas levou de 5 a 1 na volta.

Sem condições de enfrentar australianos e neozelandeses, adversários diretos nas eliminatórias seguintes, Fiji só conseguiu avançar de fase quando esteve ao lado de seleções mais fracas. Nas eliminatórias para a Alemanha 2006, o país ficou em segundo lugar no Grupo 1, atrás de Vanuatu, mas melhor que Papua Nova Guiné, Samoa Ocidental e Samoa Americana. Na segunda fase, eliminação desastrosa, longe de fazer frente aos oponentes.

O mais perto que Fiji ficou da Copa do Mundo foi em 2010, quando fez parte do quadrangular final, terminando na terceira posição, com sete pontos em seis jogos, atrás de Nova Zelândia (15 pontos) e Nova Caledônia (oito). O alento da campanha ocorreu em 19 de novembro de 2008, quando os fijianos encararam os neozelandes, em casa, pela última rodada. Vitória de 2 a 0, com dois gols daquele que é a esperança do futebol fijiano…

Candidato a herói

Nascido em 20 de agosto de 1987, na cidade de Siberia, na ilha norte de Fiji (a capital do país, Suva, fica na ilha sul), Roy Krishna é o condutor da seleção fijiana. A carreira do atleta começou no modesto Labasa FC, que tem apenas dois títulos nacionais (1991 e 2007), contra 18 do Ba FC, maior campeão do país e que ostenta o atual tricampeonato consecutivo.

Mesmo vestindo a camisa de um time de médio escalão, Roy Krishna chamou a atenção, ao ser o artilheiro da temporada local (2007), com 31 gols. Tamanho sucesso permitiu que o jovem atleta, então com 20 anos, participasse da eleição do melhor jogador da Oceania 2008, que teve dez concorrentes. Mas este não foi o maior feito da curta carreira de Krishna até então…

Em janeiro de 2008, o atleta foi oficialmente apresentado pelo Waitakere United (Nova Zelândia), cinco vezes campeão nacional (2008, 2010, 2011, 2012 e 2013) e em duas oportunidades integrante do seleto grupo de participantes do Mundial de Clubes da Fifa (2007 e 2008). O fijiano chegou no final da temporada 2007-08 e participou de apenas quatro jogos, sem balançar as redes.

Mais acostumado a um futebol superior, Roy mostrou toda a sua qualidade em 2008-09, ao marcar 11 gols em 14 jogos, ajudando o Waitakere United a liderar a primeira fase, com apenas uma derrota nas 14 partidas, com o melhor ataque (30 gols) – o troféu ficou com o rival Auckland City, vencedor por 2 a 1.

Além da oportunidade de enfrentar adversários mais gabaritados (todos amadores), o jovem Krishna teve uma grande chance na carreira. Em 5 de maio de 2008, o atleta iniciou período de duas semanas de treinamento no Wellington Phoenix, time neozelandês que joga na liga profissional da Austrália, a convite do técnico Ricki Herbert, atual treinador da Nova Zelândia.

“Será ótimo os clubes da Nova Zelândia terem a chance de enviar jovens promessas para evoluir num ambiente profissional. Grande chance tem o jovem Krishna, que vem fazendo coisas excepcionais no Waitakere e pela seleção de Fiji. Ele pode evoluir e quem sabe, ser contratado no futuro”, disse Herbert na época.

O negócio não deu certo e Krishna retornou à realidade amadora da Nova Zelândia. A melhor temporada desde então aconteceu em 2011-12, quando o atleta marcou 11 vezes em 16 partidas na liga nacional, dois a menos que o artilheiro geral. Na Liga dos Campeões da Oceania, Roy anotou cinco tentos, um a menos que Manel Expósito, espanhol do Auckland City, que já jogou no Barcelona.

Em 2012-13, Roy Krishna alcançou a incrível marca de 19 gols em 14 jogos no campeonato neozelandês, que terminou com o título do Waitakere United, ao vencer o grande rival de Auckland por 4 a 3. Em seis temporadas, o atleta de 25 anos tem 66 tentos em 95 partidas por seu atual clube, mas passou em branco na péssima campanha de Fiji nas eliminatórias 2014 – o país jogou três partidas, com dois pontos e um gol marcado, perdendo a vaga na fase final para Ilhas Salomão. Será que Krishna tem qualidade para elevar a seleção de seu país?

Curtas

– Parece que a Europa é um sonho totalmente improvável para o fijiano, mas é fato que, em 2009, o PSV Eidhoven (Holanda) especulou a contratação do jogador, que rejeitou a transferência, por achar que não era o momento certo de viajar. A língua holandesa também foi um empecilho, já que Roy Krishna é fluente em inglês, um dos idiomas oficiais de Fiji.

– Krishna tem alguns prêmios importantes na carreira. Em 2008-09, ele foi o melhor atleta do campeonato neozelandês, mas um ano antes comemorava a artilharia do Campeonato sub-20 da Oceania, com sete gols – Fiji foi vice-campeão, atrás da Nova Zelândia. Atualmente, o atleta está avaliado em €400 mil, bem diferente do valor que tinha quando da chegada ao Waitakere United (€ 75 mil).

– Roy Krishna já teve a honra de participar do Mundial de Clubes da Fifa. Foi em 2008, quando o Waitakere United perdeu para o Adelaide United (Austrália) na fase preliminar, sendo eliminado, sem gols do fijiano. O meia brasileiro Adriano Pimenta, revelado no Guarani e récem desligado do Atlético Goianiense, fez parte do elenco.

– A seleção de Fiji já disputou 43 jogos por eliminatórias de Copa do Mundo, com 17 vitórias, nove empates e 17 derrotas. A equipe marcou 101 gols, graças aos confrontos contra as piores seleções do continente, levando 83. Krishna é o segundo melhor marcador do atual elenco, com 12 tentos em 15 convocações, dois atrás do artilheiro Osea Vakatalesau, que tem 21 partidas disputadas.

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