Ásia/OceaniaEliminatórias da Copa

Jordânia se encontrou com a terrível realidade de ser fraca

Quem não se animaria em vencer Austrália e Japão, ambos por 2 a 1? Quem não acreditaria em sua própria força ao ficar no 1 a 1 com o Uzbequistão, em casa, empatando novamente pelo mesmo placar, nos domínios do adversário, depois de levar um gol aos cinco minutos? Vitória na disputa de pênaltis por 9 a 8, também era um grande feito para os jordanianos.

A caminhada nas Eliminatórias 2014 não havia acabado, mas o país acreditava que a sua seleção poderia medir forças com o Uruguai, ainda mais enfrentando o oponente em casa, na partida de ida. Quem sabe até beliscar uma vaga inédita na Copa do Mundo. Entretanto, bastaram 90 minutos para os comandados do técnico egípcio Hossam Hassan, ele próprio, e toda a população, perceberem que a Jordânia está longe de ser forte e ter qualidade, seja no estádio Internacional de Amã, ou em qualquer outro lugar.

O que era felicidade se transformou em profundo abatimento com a acachapante derrota de 5 a 0 para os uruguaios, que nem jogaram o seu “melhor”, segundo disse o técnico Óscar Tabarez. A notícia dos sete jogadores, dentre eles Amer Shafee, Amer Deeb, Abdel Fattah e Anas Bani Yaseen, líderes do grupo, que pediram para não jogar a segunda partida, em Montevidéu, simplesmente evidencia a depressão que abateu o time.

Sem eles a Jordânia ficou ainda mais fragilizada na volta, mas contou com a pena do Uruguai, que não saiu do 0 a 0. Mas o saldo da repescagem será difícil de apagar da memória, principalmente para os atletas, que ficaram tão perto de dar a glória máxima ao futebol do país, mas se despedem das Eliminatórias sem poder levantar a cabeça de vergonha.

Retrato dos adversários que a Jordânia costuma frequentar. Exceto Japão e Austrália – esta com ressalvas –, os oponentes dos jordanianos geralmente são seleções asiáticas de nível técnico baixo, com um africano de vez em quando, como Nigéria e Zâmbia – vitórias por 1 a 0. Desde 11 de outubro de 2011, quando começou a disputar as eliminatórias 2014, a equipe não enfrentou nenhuma seleção de grande porte, se acostumando com o padrão de Iraque, Palestina, Bahrain, Indonésia, disso para baixo.

O estrago nas eliminatórias já está feito, a humilhação consumada, mas não é hora de a Jordânia desistir. Tudo porque em 31 de janeiro próximo, a equipe entra em campo visando à nova decisão, desta vez no qualificatório para a Copa da Ásia 2015. E a partida é justamente diante de Omã, já garantido na fase final, fora de casa. Se a Jordânia continuar a sentir pena de si mesma, certamente conseguirá perder a vaga para Síria ou Cingapura. Seria ainda mais catastrófico para um país que ousou sonhar com a Copa do Mundo.

Sem crise

No caso da Nova Zelândia, a situação é bem diferente. Com muitos atletas machucados em outubro, a única chance da equipe da Oceania era a recuperação de todos eles. Mas o técnico Ricki Herbert não teve sorte e contou apenas com Chris Wood, que na derrota de 5 a 1 jogou 66 minutos. Marco Rojas entrou no início do segundo tempo, quando o México já vencia por 3 a 0, enquanto Shane Smeltz foi relacionado, mas não tinha condições físicas.

Para piorar, Chris Killen, Tim Payne e Winston Reid nem puderam ser convocados, o que atrapalhou  muito a vida de Herbert. O que difere o sentimento dos 5 a 1 sofridos pelos neozelandeses e os 5 a 0 do Uruguai em cima da Jordânia é que a Nova Zelândia tinha plena consciência de que era muito inferior ao adversário e que só um milagre lhe daria a vaga.

Se enfrentasse o pressionado México e perdesse, como aconteceu, seria algo normal, mesmo com goleada. Caso ganhasse, um resultado histórico. E pode-se dizer que a classificação para o Mundial da África do Sul e a eliminação sem perder nenhum jogo – a única seleção invicta do torneio – concedeu espécie de gordura para a Nova Zelândia, como se não tivesse problema nenhum em não se garantir nos próximos três mundiais.

Entretanto, nem tudo é festa no país da Oceania. Mesmo antes da nova derrota de 4 a 2 para os mexicanos, na capital Wellington, o técnico Ricki Herbert anunciou que não renovará seu contrato. Encerra-se o melhor período da história do futebol neozelandês, depois de oito anos no cargo. Incógnita paira sobre a Nova Zelândia, que nunca sentiu o peso que a Jordânia se propôs a carregar.

Amistosos

– Japão e Coreia do Sul se deram muito bem nos amigáveis. Os japoneses arrancaram empate de 2 a 2 com a Holanda, após estarem perdendo por dois gols, com grandes exibições de Keisuke Honda e Shinji Kagawa. A virada de 3 a 2 contra a Bélgica também foi marcante. Os sul-coreanos perderam para a Rússia (2 a 1), mas haviam vencido a Suiça (2 a 1), que não perdia desde maio de 2012. A Austrália superou a Costa Rica (1 a 0).

Elim. Copa da Ásia 2015

– Oito seleções já estão na fase final: Omã (Grupo A), Irã e Kuwait (B), Arábia Saudita (C), Bahrein e Catar (D), além de Emirados Árabes e Uzbequistão (E). As últimas vagas diretas estão entre Jordânia, Síria e Cingapura (A) e China versus Iraque (B). Vietnã, Tailândia e Iêmen perderam todos os cinco jogos até aqui. O melhor terceiro colocado, hoje o Iraque, também se garante na fase final.

Copa da França

– Dois times da Oceania jogaram a competição de mata-mata, por serem de territórios ultra-marinos franceses. O AS Dragon (Taiti) perdeu por 1 a 0 para o Belfort (quarta divisão), em casa, enquanto o Hienghène Sport (Nova Caledônia) foi superado pelo AS Poissy (quinta divisão por 2 a 1, nos domínios do adversário.

Jogador da Oceania 2012

– O prêmio de melhor atleta do continente ficou com a promessa neozelandesa, o meia Marco Rojas, hoje no Stuttgart. Ele disputou o prêmio com o compatriota Winston Reid e com o caledônio Georges Gope-Fenepej, do Troyes (França). A Austrália, quando ainda fazia parte da Oceania, tem 12 troféus, contra nove da Nova Zelândia, três da Nova Caledônia e um do Taiti, em em 2005, de Marama Vahirua, o único profissional do país na Copa das Confederações 2013.

Aposentadoria

– Aos 43 anos, o atacante sérvio Aleksandr Duric, que adotou Cingapura, seleção pela qual já havia se aposentado em 2012 (27 gols em 54 jogos), anunciou que vai pendurar as chuteiras em definitivo. Mas apenas ao final da temporada 2014. Ele atua no Tampines Rovers (Cingapura) e começou a carreira em 1992 – 21 anos atrás.

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