Há vida pós-Marcello Lippi para o Guangzhou Evergrande, que terá Cannavaro
Acabou. Após pouco mais de dois anos e meio no comando do Guangzhou Evergrande, o técnico italiano Marcello Lippi, 66 anos, resolveu encerrar a carreira de treinador. Profissional de renome internacional, Marcello Lippi é o principal responsável pela subida de patamar do time chinês, com o qual conquistou três ligas nacionais (2012, 2013 e 2014), a Copa da China 2012 e a mais importante condecoração, a Liga dos Campeões da Ásia 2013, que resultou em participação no Mundial de Clubes da Fifa no mesmo ano, encarando o poderoso Bayern de Munique.
Lippi comandou o Guangzhou Evergrande em 126 partidas, com 82 vitórias, 23 empates e 21 derrotas, com 65% de aproveitamento. Foram 281 gols marcados e 121 sofridos. É verdade que Marcello Lippi não vai sair 100% do Guangzhou Evergrande, pois será o diretor técnico da equipe.
Dentro de campo, quem vai comandar o time será outro italiano: o competente ex-zagueiro Fabio Cannavaro, que brilhou com as camisas de Juventus, Real Madrid e principalmente seleção italiana (136 convocações, com dois gols). Aos 41 anos, o ex-jogador terá sua primeira experiência como técnico principal – foi assistente do romeno Cosmin Olaroiu no Al Ahli, dos Emirados Árabes –, mas por enquanto parece que Lippi é quem vai continuar à frente do Guangzhou Evergrande:
“Acho que vocês entenderam errado o que eu disse. Ainda sou o diretor chefe e o técnico do Guangzhou Evergrande, só não vou estar em campo todos os dias. Vou acompanhar o desenvolvimento da equipe e ver as partidas das arquibancadas, além de visitar minha família a cada dois meses”, disse Marcello Lippi à imprensa chinesa.
Ou seja, Fabio Cannavaro será uma espécie de auxiliar técnico com poderes de treinador principal, sempre discutindo questões mais importantes com Marcello Lippi. Aliado a isso, dificilmente o Guangzhou Evergrande perderá a hegemonia no Campeonato Chinês. Eis algumas das razões:
Base da seleção. O técnico francês Alain Perrin convocou alguns jogadores do Guangzhou Evergrande para enfrentar Nova Zelândia e Honduras nos amistosos de novembro. Dos 23 chamados, oito são do time chinês, quase 35%. Isso comprova a força do Guangzhou Evergrande em nível nacional, já que todos os jogadores convocados atuam na China.
Ausência de adversários. Em janeiro de 2014, antes de a bola rolar no Campeonato Chinês, esta coluna frisou que o Guangzhou Evergrande tinha oponente na briga pelo título. Era o Shandong Luneng, de Vágner Love, Cuca e Montillo, que investira pesado para impedir o tetracampeonato do time de Lippi. Mas não deu certo… Mesmo avaliado em quase £ 15 milhões, o Shandong Luneng foi muito mal e terminou no quarto lugar, com 48 pontos, 22 atrás do Guangzhou Evergrande e com nove a menos que o terceiro colocado, ficando de fora até da Liga dos Campeões da Ásia 2015.
Elkeson. Não há dúvidas que o brasileiro, ex-Botafogo e Vitória, é o melhor jogador do Campeonato Chinês. Elkeson é o artilheiro da competição pela segunda vez consecutiva, tendo marcado 28 gols em 2014 (um por partida), quatro a mais que no ano anterior. Ele está a um gol de Gao Lin para se tornar o maior marcador do Guangzhou Evergrande na liga nacional desde a profissionalização, em 1994. Juntando todas as competições, Elkeson tem 66 gols, 11 a menos que Muriqui, que já deixou o clube. Com mais dois anos de contrato, Elkeson deve manter a boa fase em 2015.
Dinheiro. Enquanto for comandado por dois congolomerados (Evergrande Real Estate Group e Alibaba Group), que dividem igualmente o controle do clube, o Guangzhou Evergrande terá dinheiro suficiente para contratar os melhores jogadores dos outros times e trazer estrangeiros veteranos, como os italianos Alessandro Diamanti e Alberto Gilardino. Na temporada 2014, o elenco foi avaliado em £ 22,2 milhões.
Desafio. O único desafio para Fabio Cannavaro será o bicampeonato na Liga dos Campeões da Ásia em 2015. Certamente, o Guangzhou Evergrande não tem o melhor time do continente, mas tem a obrigação passar da fase de grupos, quaisquer que sejam os adversários.