Marcello Lippi se despede do futebol deixando títulos e uma marca no futebol italiano
O Guangzhou Evergrande conquistou o seu quarto título chinês consecutivo neste domingo, graças a um empate por 1 a 1 com o Shandong Luneng, fora de casa. Com isso, o time chegou a 70 pontos, três a mais que o Beijin Guoan, e levantou a taça. O gol do time foi marcado pelo brasileiro Elkeson, ex-Vitória e Botafogo, que terminou a competição como artilheiro, com 28 gols. Foi o terceiro título consecutivo também do técnico da equipe, o italiano Marcelo Lippi, que anunciou também a sua aposentadoria do futebol.
Aos 66 anos, Lippi deixa o futebol da forma como se acostumou a fazer como técnico, com título. Em sua carreira como treinador, teve passagens por vários grandes clubes italianos, mas marcou sua história mesmo pela Juventus, que comandou duas vezes, e na seleção italiana. No canto do cisne da sua carreira, depois de uma segunda passagem pela seleção italiana, conseguiu muito sucesso no Guangzhou Evergrande.
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A era de ouro com a Juventus

Depois de passaram por diversos times menores desde o seu início de carreira, em 1985, teve destaque comandando a Atalanta, na temporada 1992/93, quando levou o time ao oitavo lugar. Assumiu o Napoli na temporada seguinte e terminou em sexto lugar, classificando o time à Copa da Uefa. Foi a partir de 1994 que seu nome passou a circular entre os maiores técnicos da Itália. Assumiu a Juventus em 1994 com o desafio de levar o time ao título, depois de nove temporadas de seca. Foi ele que montou o time campeão que tinha Angelo Peruzzi, Ciro Ferrara, Antonio Conte, Didier Deschamps, Roberto Baggio, Fabrizio Ravanelli, Gianlucca Vialli e Alessandro Del Piero – este último ainda um garoto, começando a carreira. O 23º título veio com dez pontos de vantagem sobre a vice-campeã Lazio. O time ainda foi campeão da Copa da Itália também. Na Europa, o time acabou derrotado na final da Copa da Uefa pelo Parma.
Dali em diante, o sucesso do treinador no comando da Juventus continuou. No ano seguinte, a temporada 1995/96, o time seria campeão da Champions League batendo o Ajax na final, nos pênaltis. O time ganharia também o Mundial de Clubes naquele ano batendo o River Plate, 1 a 0, gol de Del Piero. A Juventus venceria ainda a Serie A sob seu comando em 1997 e 1998, até que deixou o comando da equipe em 1999. Foi dirigir a rival Internazionale na temporada seguinte, 1999/2000. Terminou em quarto lugar, foi alvo de muitas críticas e acabou demitido logo no primeiro jogo da temporada seguinte.
Voltou à Juventus em 2001, e novamente estabeleceu um domínio na Itália com a Velha Senhora. Ganhou a Serie A em 2001/02 e em 2002/03, além de conduzir o time à sua última final de Champions League, justamente em 2003, quando perdeu para o Milan na final, nos pênaltis. O time alvinegro não conseguiu mais chegar tão longe na competição continental desde então. Deixou a Juventus em 2004 para assumir a seleção italiana.
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O tetra com a Itália

Quando assumiu a seleção italiana, a Itália vinha de muitas críticas. Nada novo, alguém irá dizer, porque a crítica na Itália é muito feroz, assim como no Brasil. O antigo treinador, Giovanni Trapattoni, deixou o cargo depois de uma péssima campanha da Azzurra na Eurocopa de 2004, quando foi eliminada na primeira fase no Grupo C. Foram dois empates e uma vitória e quem avançou foram Suécia e Dinamarca.
Os italianos chegaram à Copa de 2006 com bastante tranquilidade, em uma campanha de sete vitórias, dois empates e uma derrota nas Eliminatórias. A boa campanha suscitava uma boa campanha do time na Alemanha, mas a temporada 2005/06 abriria uma crise gigante no futebol italiano. O Calciopoli acabaria rebaixando a Juventus e diversos outros clubes estavam envolvidos também no escândalo, incluindo Milan, Lazio e Inter. O escândalo pareceu drenar as chances de sucesso da Itália em 2006, ainda mais com o Brasil chegando como grande favorito com seu quadrado mágico.
Como sabemos, não foi o que aconteceu. A Itália cresceu durante a Copa, depois de avançar no Grupo E, que tinha Gana, República Tcheca e Estados Unidos. Passou por Austrália e Ucrânia até chegar ao confronto com a Alemanha, na semifinal. Ali, o time de Lippi venceu os anfitriões na prorrogação e partiu para o título na final contra a França, nos pênaltis – exatamente como tinha perdido para o Brasil em 1994. Campeão e consagrado, Lippi deixou a seleção italiana depois do Mundial.
Só que a Itália não se encontrou depois de sua saída. Roberto Donadoni assumiu o cargo e levou a Itália às quartas de final da Eurocopa de 2008, quando perdeu para a Espanha, nos pênaltis. Foi a primeira grande vitória da Espanha, derrubando um adversário de peso, e que levaria ao seu primeiro grande título. Donadoni acabou demitido e Lippi foi chamado para reconduzir a Itália rumo à Copa de 2010. Foi uma tragédia. Lippi nunca conseguiu dar ao time o padrão que se esperava e apostou demais em campeões de 2006 no grupo. A campanha foi patética. Empatou com Paraguai e Nova Zelândia e foi derrotado pela Eslováquia. Lippi, então, encerrou sua passagem pela seleção de forma melancólica.
Depois de dois anos sem dirigir nenhum time, Lippi voltou ao futebol para o canto do cisne da sua carreira. Foi contratado como técnico do Guangzhou Evergrande, conquistou os títulos chineses de 2012, 2013 e 2014, a Copa da China em 2012 e ainda levou o time à maior conquista da sua história, a Liga dos Campeões da Ásia, em 2013. Comandou o time também o time no Mundial de Clubes daquele ano, vencendo o Al Ahly, do Egito, nas quartas de final, mas perdendo do Bayern de Munique na semifinal.
Lippi encerra a sua carreira com muitos títulos, tendo montado um dos maiores times da história da Juventus, tendo montado um time italiano que foi campeão do mundo em 2006 e marcando sua história também no futebol chinês. Por tudo isso, terá o seu nome marcado na história do futebol italiano e mundial.



