Ásia/OceaniaEliminatórias da Copa

Geração desperdiçada e futuro incerto

Quem acompanha Copa do Mundo há alguns anos acostumou-se a observar a presença da Arábia Saudita, quase sempre eliminada na fase de grupos, como aconteceu em três das quatro edições (1998, 2002 e 2006). Num feito histórico, logo na primeira participação, em 1994, a equipe perdeu da Holanda por apenas 2 a 1, venceu Bélgica e Marrocos e terminou o Grupo H na segunda posição, com seis pontos, não ficando com o topo da tabela por causa do confronto direto diante dos holandeses.

É verdade que a Arábia Saudita sucumbiu ante a Suécia, logo nas oitavas de final, mas a campanha foi memorável. Entretanto, a história saudita na Copa do Mundo parou em 2006, última participação do país – apenas um empate em três jogos, contra a Tunísia, sob o comando do brasileiro Marcos Paquetá –, e não dá sinais de que terá um próximo capítulo tão cedo.

Falhas

Nas eliminatórias para a Copa 2010, os sauditas começaram bem, perdendo apenas um dos seis jogos disputados, ficando na segunda posição da chave, atrás do Uzbequistão – Cingapura e Líbano foram eliminados. Na fase final, a disputa no Grupo B foi acirrada entre Arábia Saudita, Coreia do Norte e Irã.

Na última rodada, enquanto a Coreia do Sul estava tranquila na liderança, os três times brigavam pela segunda vaga direta, mas se contentavam com a repescagem asiática. Num embate decisivo, os sauditas tiveram a sorte de encarar os norte-coreanos em casa, diante de 65 mil pessoas, precisando da vitória. Entretanto, a retranca adversária segurou o empate sem gols e carimbou o passaporte para a África do Sul.

Restou aos árabes decidir com o Bahrein a vaga na repescagem, a fim de encarar o campeão da Oceania. No jogo de ida, a Arábia Saudita manteve o placar inalterado e, quatro dias depois, jogou em casa o futuro no torneio. Já nos acréscimos, quando o 1 a 1 era interessante aos bareinitas, Al Montashari marcou o gol para os anfitriões, que fizeram extrema festa.

Entretanto, dois minutos mais tarde, Ismael Abdullatif voltou a igualar o marcador para o Bahrein, enterrando as chances de classificação dos sauditas. Golpe e tanto para a seleção asiática, de fora de um Mundial após quatro presenças consecutivas. No qualificatório de 2014, a seleção nacional nem chegou a animar a torcida…

Os confrontos diante de Hong Kong, pela segunda fase, foram tranquilos (8 a 0 no placar agregado), mas a fase de grupos se mostrou um tormento. Em casa, vitória apenas contra a Tailândia e dois empates contra Omã, resultados que deixaram o adversário na segunda posição, dois pontos à frente da Arábia Saudita. Mas qual o motivo de tamanha queda?

Renovação

No elenco chamado por Paquetá para a Copa 2006, podem-se observar vários jogadores com muita experiência na seleção nacional. O melhor era o atacante e capitão da equipe, Sami Al Jaber, na época com 33 anos e 160 convocações. Destacavam-se também o atacante Mohammed Noor, 91 jogos e hoje com 34 anos, além do goleiro Mohamed Al Deayea, com 178 partidas, aposentado da seleção em 2006. A média de idade do time era de 25,3 anos, flagrante mescla de juventude e experiência.

O ex-técnico da Arábia Saudita, o holandês Frank Rijkaard, que ficou entre 28 de junho de 2011 e 16 de janeiro de 2013 – 27 partidas disputadas, com sete vitórias, nove empates e 11 derrotas (25,9% de aproveitamento) –, tentou encontrar novos talentos, mantendo poucos veteranos, como o meia Saud Kariri, desde 2002 no time.

É claro que a eliminação precoce nas eliminatórias 2014 já contava para a demissão de Rijkaard, mas a queda na primeira fase da Copa do Golfo 2013, num grupo que tinha Iraque, Kuwait e Iêmen, foi determinante para a saída do experiente técnico.

Esperança

Portanto, caberá ao espanhol Juan Ramón López Caro, de 49 anos, a incumbência de resgatar o prestígio da Arábia Saudita. Sem experiência com seleções nacionais – comandou Real Madrid Castilla, Racing Santander, Levante, e estava no Vaslui (Romênia) –, o profissional tentará impor a filosofia de renovação, pois esteve dois anos à frente do sub-21 da Espanha.

O primeiro desafio da nova Arábia Saudita é o qualificatório para a Copa da Ásia 2015, cuja estreia se deu com vitória de 2 a 1 sobre a China, em casa, diante de baixo público de 20 mil pessoas, resultado do desânimo para com o time. Num grupo com Iraque e Indonésia, a Arábia Saudita deve estar na fase final, o que não deixa de ser obrigação.

Porém, não será nada fácil. A renovação promovida por López Caro fez cair a média de idade para 24,9 anos, mas o mais importante é a experiência internacional dos atletas. Dos 23 chamados para o jogo contra os chineses, 13 não têm mais de dez convocações para o time principal, sendo que sete nunca haviam atuado com a camisa dos Falcões Verdes. Sem contar que não há muitas opções no mercado doméstico, já que os estrangeiros são os jogadores mais importantes da liga nacional. Futuro bastante incerto para o outrora gigante asiático.

Curtas

– Nas competições principais, é comum os técnicos da Arábia Saudita só chamarem jogadores que atuam na liga nacional. Hoje, apenas cinco jogam no exterior, sendo o mais famoso o zagueiro Abdullah Al Hafith, 20 anos, reserva do Paços de Ferreira, surpresa na liga portuguesa – todos são jovens.

– Dos 14 times da primeira divisão, nenhum é comandado por um saudita. Isso se reflete na seleção que, desde 2009, quando Nasser Al Johar foi o técnico principal, não tem um local no comando, no máximo como interino.

– Na história da liga saudita, apenas dois brasileiros foram artilheiros. Em 2004-05, com Sergio Ricardo, atacante de Vasco, Corinthians e Fenerbahçe, pelo Al Ittihad. Na última temporada (2011-12), Victor Simões, que apareceu pelo Botafogo, fez 21 gols pelo Al Ahli.

– O Al Fateh surpreende e lidera a temporada 2012-13, com 43 pontos em 18 jogos (13v, 4e, 1d), seguido por Al Hilal, quatro pontos atrás, e Al Shabab, atual campeão, com 38. A nota triste é o Al Wahda, na lanterna, com apenas dois pontos, 17 gols marcados e 42 contra.

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