Por Wladimir de Castro Rodrigues Dias

Foi uma tarde fria a vivida pelos mais de 44 mil presentes na Arena Corinthians, no sábado (6). Nada que tenha impedido torcedores de deixarem suas casas, devidamente encapotados. Acima de tudo, a viagem valia a chance de acompanhar Lionel Messi contra um qualificado time chileno. O início de jogo foi frio, como sugerem encontros em que apenas se disputa o terceiro lugar. Porém, eventualmente o calor chegou e um árbitro, perdido algures entre a justiça e a famigerada necessidade de “controlar o jogo”, cometeu o crime de expulsar o motivo da presença de uma parcela considerável dos torcedores, tornando-se protagonista indesejado no marginal triunfo argentino, 2 a 1.

Na parte final de sua participação na Copa América, Messi e a Argentina mostraram um brio que aparentava ter se perdido. A desconfiança passada pela malfadada sucessão de treinadores de ideias conflitantes pela Albiceleste (Tata Martino, Edgardo Bauza e Jorge Sampaoli), arrefeceu. Não: nem a seleção voltou a jogar como em áureos tempos, nem Messi conseguiu feitos maradonescos. Mas, evidentemente, algo mudou.

Ainda que tenha levado consigo uma série de nomes de qualidade questionável, o também incerto treinador Lionel Scaloni acabou encontrando soluções durante a competição. Antes de mais nada, falemos de Messi. O craque não saudou os brasileiros com performances semelhantes às de Barcelona, mas mostrou um empenho e uma liderança raras vezes vistos. Consideremos, não obstante, o contexto.

O tempo passou a cobrar isso dele. Em Barcelona, não estão mais Carles Puyol, Xavi ou Andrés Iniesta. Na Argentina, o coração de anos, Javier Mascherano, reservou seus atos finais ao contexto de clubes. É claro que Messi nunca será um líder com as características (distintas entre si) destes expoentes — e exigir isso dele seria cobrar que ele agisse como outro alguém —, mas ele mudou. E essa é a primeira semente que Scaloni planta para um ainda nebuloso futuro dos Hermanos.

Por outro lado, se jogadores como Matías Suárez ou Roberto Pereyra aparentemente se descredenciaram a novos chamados, Leandro Paredes confirmou-se um ‘5’ a altura das expectativas argentinas e, mesmo improvisado, Juan Foyth revelou a desenvoltura necessária para atuar no nível que se espera da Albiceleste. Aliás, ainda que brevemente, o jogo final deixou patente o fato de que Paulo Dybala e Messi podem coexistir. Essas foram outras sementes semeadas. Scaloni ganhou respiro na sua dura missão.

O mesmo não pode ser dito a respeito de Reinaldo Rueda. Dentre os 10 jogadores que mais vezes representaram o Chile na história, sete estiveram em campo em São Paulo. Da mesma forma que isso revela qualidade, indica também o avançar da idade. O choque diante da ausência no Mundial da Rússia foi grande, assim como a dificuldade enfrentada para renovar o escrete da Roja. Dentre os convocados, excetuado o terceiro goleiro, o mais jovem, Paulo Díaz, já tem 24 anos.

Os destaques seguem capazes de boas atuações? Certamente. Não obstante, juntos já não conseguem praticar o jogo que os conferia distinção e vantagem, com a eletricidade proposta inicialmente por Marcelo Bielsa e, após, continuada com Sampaoli. Faltam pernas. E na falta de pernas, o que se viu foi destempero.

A última vez em que o Chile disputou um Mundial Sub-20 foi em 2013. Ainda que aquele time apontasse novas alternativas, como Ángelo Henríquez, que chegou a ser vendido ao Manchester United, poucos frutos foram colhidos. Daquele time, só Nicolás Castillo entrou em campo na Arena Corinthians. E, antes, os chilenos haviam disputado apenas a edição de 2007 — justamente com a geração de Gary Medel, Arturo Vidal, Mauricio Isla e Alexis Sánchez… Esses nomes perdurarão, mas não por muito tempo.

O Argentina e Chile que, por se tratar de uma mera disputa de terceiro lugar não prometia muito, acabou sendo quente e disputado até o fim. Mas, para além disso, deixou mensagens importantes sobre o futuro futebolístico de ambos os países.