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Volume do River não abafou festa do Boca no Monumental

A festa dos jogadores do Boca Juniors no meio do gramado do Monumental de Núñez após o fim de mais um Superclássico expressa bem a importância do resultado para os xeneizes. Os jogadores do Boca foram merecedores dessa explosão na comemoração, visto que tiveram que buscar força dentro de si próprios, sem poder contar com o apoio das arquibancadas. Para evitar casos de violência entre os torcedores, assunto delicado na Argentina, o jogo teve torcida única. Bom para as autoridades, ruim para o espetáculo, que viu apenas um lado cantar durante o jogo. A peleja toda, inclusive, pareceu uma analogia da situação das torcidas. O Boca esteve “ausente” durante o duelo, assim como seu torcedor. Mas o canto final dos atletas de Carlos Bianchi, em meio a todo o barulho do time da casa, foi como seu gol: encontrado e oportunista.

O Boca foi dominado em quase toda a partida, mas cirúrgico nas poucas oportunidades que teve. A precisão nas finalizações e a grande atuação do goleiro Agustín Orión foram os grandes responsáveis pelo triunfo sobre o River Plate, que cansou de desperdiçar suas chances.

Os donos da casa mostraram grande intensidade desde o início do jogo, atacando principalmente pelas laterais. O Boca, por outro lado, parecia estar mais ausente que sua torcida, mas isso mudou em um curto intervalo de tempo. Logo após fazerem Barovero trabalhar com dificuldade pela primeira vez, com duas defesas em sequência, os visitantes chegaram ao gol com Gigliotti. O jogador foi titular nas últimas quatro partidas do Boca e marcou dois tentos nesta sequência.

A precisão dessas três finalizações seguidas dos xeneizes mostrou bem que eles estavam dispostos a aproveitar todas as chances que tivessem. O River, por sua vez, seguia dominando as ações ofensivas, levando perigo à meta de Orión, mas não passava disso. Os números relacionados aos chutes das suas equipes evidenciam muito bem isso. Enquanto o River Plate finalizou quatro vezes ao gol em 15 chutes, o Boca mandou a bola para a meta de Barovero nas cinco vezes em que tentou o arremate.

O segundo tempo acabou servindo de coroação para o arqueiro do Boca como grande nome da partida. Com grandes defesas, em especial nos minutos finais do jogo, o jogador evitou o empate do time da casa, que viu sua falta de capricho na hora das finalizações custar-lhe os três pontos e a comemoração de segunda-feira nas ruas de Buenos Aires. A roda formada pelos atletas visitantes ao final do jogo, como quem comemora um título, se estenderá até amanhã. A maioria formada por Millonarios no Monumental de Núñez tentou abafar a voz xeneize, mas ela ressoará até o reencontro do segundo turno, na Bombonera.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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