Confusão e zebra histórica: relembre a única conquista da Colômbia na história da Copa América
Em 2001, Conmebol chegou a cancelar o torneio por falta de segurança no país colombiano
Há 23 anos, a Colômbia sediou uma das mais controversas edições da Copa América. Em um período marcado por perigosos conflitos políticos internos, o país Cafetero por pouco não perdeu a chance de receber a competição.
Em 2001, a Colômbia passou por um momento muito conturbado. Uma guerra civil travada entre as forças do Governo, organizações paramilitares e terroristas relacionados ao narcotráfico deixou um rastro de morte e medo por todo o país.
Neste artigo, relembraremos os antecedentes da competição, e alguns fatos históricos que influenciaram diretamente na organização do torneio.
De convite de última hora chegando ao sequestro de organizadores, a Copa América de 2001, foi, sem dúvidas, uma das mais bagunçadas da história.
No entanto, foi também uma das mais inesquecíveis para o povo brasileiro, principalmente pelo fatídico encontro diante da surpreendente seleção de Honduras.
Em 2001, a Seleção da Colômbia se consagrava campeã de sua maior conquista internacional, vencedora da Copa América no seu próprio país, que sediava a competição. pic.twitter.com/ZvGH4fBxkf
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Falta de segurança quase trocou a sede da Copa América em 2001
A Colômbia sofria com a violência e o medo. Apesar dos esforços e declarações do governo local, de que reforçaria a segurança para a disputa da Copa América, a Conmebol, assim como outros países, temiam pela disputa do torneio no local.
Pouco antes da disputa do torneio, três atentados seguidos com bombas em Bogotá, Medellín e Cali, quase colocou em cheque a disputa da competição.
Preocupadas com a falta de segurança, alguns países ameaçaram abdicar da competição. No entanto, a Conmebol organizou algumas reuniões emergenciais e resolveu dar um voto de confiança ao presidente colombiano, Andrés Pastrana.
Sendo assim, o mandatário afirmou que o país reforçaria sua segurança, inclusive contando com o apoio das forças armadas norte-americanas.
Porém, Hernán Mejía Campuzano, vice-presidente da Federação Colombiana de Futebol, e responsável pela organização da Copa América, acabou sequestrado pelas FARC.
Há duas semanas do início do torneio, uma enorme confusão se instaurou. No dia primeiro de julho de 2001, a Conmebol optou pelo cancelamento da disputa, causando enorme constrangimento e problemas logísticos às seleções.
Cinco dias depois, o dirigente e outros 20 sequestrados foram libertos. Mesmo com outros países se oferecendo para sediar a Copa América, como Brasil, Uruguai e Venezuela, a Conmebol decidiu manter a disputa na Colômbia, entre os dias 11 e 29 de julho de 2001.
Por um mês, o país viveu em paz naquele turbulento 2001.
Mas seu único título de Copa América é até hoje questionado: o que teria acontecido se a Argentina tivesse jogado e o Brasil tivesse ido com o time principal?
Existe hoje a chance de dar um novo capítulo a essa história. pic.twitter.com/qzEiM8vT6F
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As desistências de Canadá e Argentina
A falta de segurança na Colômbia, aliada ao sequestro de Campuzano às vésperas do torneio, fez com que a fortíssima seleção da Argentina desistisse da disputa da competição.
Considerada uma das favoritas ao título, Associação Argentina de Futebol (AFA) alegou que parte de seus atletas receberam ameaças de morte por meio de cartas.
Apesar dos esforços da Federação Colombiana em reverter a desistência argentina, a Albiceleste ficou fora do torneio.
Outra desistência aconteceu com a seleção do Canadá. Após o primeiro comunicado de que a Copa América seria cancelada, a Federação Canadense liberou seus jogadores de volta aos seus clubes.
Contudo, com a situação parcialmente resolvida, a entidade afirmou que não havia mais tempo para reunir sua seleção novamente.
Sendo assim, a Costa Rica foi chamada de última hora, e montou uma seleção às pressas para a disputa do torneio continental e Honduras substituiu a Argentina.
O único grande título da Colômbia no futebol foi uma Copa América da qual a Argentina se retirou faltando pouco tempo pra começar.
Foi em 2001, quando uma onda de violência abalou o país.
Apesar dos esforços colombianos, a desistência argentina esvaziou um pouco o torneio. pic.twitter.com/FGp87BEVE9
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A fantástica trajetória de Honduras na Copa América
Nem se o melhor roteirista de filme ou série escrevesse um roteiro para a trajetória de Honduras em 2001 seria tão emocionante.
A seleção do Caribe foi chamada às pressas para substituir a Argentina, e chegou escoltado em um avião militar colombiano, a poucas horas de sua estreia, exatamente contra a Costa Rica.
Sem um dia de treino sequer, Honduras foi mal, e perdeu por 1 a 0 para os costarriquenhos. Entretanto, quem pensou que Honduras iria a passeio para a Colômbia, se enganou redondamente.
Treinada por Ramon Maradiaga, a seleção hondurenha passou sem sustos pela Bolívia por 2 a 0, e chocou a América do Sul ao bater o Uruguai por 1 a 0.
Com isso, o time do artilheiro Amado Guevara seguiu em frente como segunda colocada do Grupo C, atrás apenas da Costa Rica.
O vexame absurdo do Brasil na Colômbia
A seleção brasileira, atual campeã da Copa América à época, também ameaçou deixar o torneio continental por conta dos problemas internos de segurança na Colômbia.
Mauro Silva, campeão mundial em 1994, era um dos convocados de Felipão, mas abdicou do direito de jogar o torneio, após a Conmebol retroceder de sua decisão em cancelar a competição.
Apesar dos rumores de uma possível desistência tupiniquim, o Brasil seguiu na Copa América, sendo saudado pelo povo colombiano, que agradeceu a confiança neste momento de crise.
O técnico do Brasil era Luiz Felipe Scolari e a disputa da Copa América serviu como um laboratório para o treinador.
Os principais jogadores brasileiros como Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu, entre outros, acabaram poupados para a disputa das Eliminatórias.
As demais seleções também mesclaram seus atletas, já que o torneio qualificatório para a Copa de 2002 estava disputadíssimo naquela altura.
O time base brasileiro era formado no 3-5-2 e escalado da seguinte forma: Marcos; Juan, Roque Júnior e Cris; Belletti, Eduardo Costa, Emerson, Alex e Júnior; Ewerthon e Guilherme.
Na estreia, uma derrota por 1 a 0 frente ao México colocou certa pressão ao trabalho de Felipão, mas os triunfos seguidos sobre Peru e Paraguai tranquilizaram o ambiente.
Ninguém em sã consciência imaginaria que o Brasil pudesse perder para Honduras, mesmo estando com seu time alternativo.
Porém, como tudo no futebol é surpreendente, a Canarinho foi superada por um aplicado time hondurenho. Belletti contra e Saul Martínez, já nos acréscimos, marcaram os gols de Honduras, que venceu por 2 a 0.
COPA AMÉRICA: EM 2001, UM FIASCO BRASILEIRO QUE AMEAÇOU O PENTA! 🔥🇧🇷
A virada de século da seleção brasileira passava longe dos dias tranquilos, principalmente pela referência do começo da década anterior com o tetracampeonato do mundo e jogadores em evidência por todo o mundo,… pic.twitter.com/OcLNBkJpF0
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A invicta e intransponível Colômbia, campeã da Copa América
A anfitriã da Copa América chegou até a decisão por méritos. Utilizando do momento instável do país para motivar seus jogadores a dar alegria ao seu povo, o técnico Francisco Maturana uniu a equipe em prol de um único objetivo, vencer a competição.
Na primeira fase, a seleção da Colômbia bateu a Venezuela por 2 a 0, venceu o Equador por 1 a 0, e superou o Chile por 2 a 0.
Nas quartas de final, atropelou o Peru por 3 a 0, e deu um fim ao sonho hondurenho após nova vitória por 2 a 0 no torneio.
Diante do México na final, Iván Córdoba, ídolo da Internazionale, marcou o gol que deu o primeiro título continental aos colombianos.
Apesar dos temores, e da organização falha em muitos pontos, o povo colombiano ao menos teve um motivo para sorrir com o título.
Aliás, título este conquistado com 100% de aproveitamento, sendo seis vitórias em seis jogos, e nenhum gol sofrido durante o torneio.