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Tira Argentina e Brasil. Fizemos o guia do resto da Sul-Americana

A Libertadores nem bem acabou e a Copa Sul-Americana já tem os 30 times que participam da segunda fase da competição. Oito brasileiros e seis argentinos já entraram direto nesta etapa, enquanto quatro colombianos,  quatro chilenos, três equatorianos, três paraguaios, um venezuelano e um uruguaio obtiveram o direito de chegar nos 32 avos de final por meio de confrontos na primeira fase. Peruanos e bolivianos já estão fora da competição.

Vale dizer que este 1/32 de final é entre aspas, uma vez que temos 30 times graças à classificação automática do São Paulo às oitavas por ser o atual campeão. Ao mesmo tempo, brasileiros e argentinos têm confrontos direcionados dentro de seus países.

Assim o desenho desta fase da Copa Sul-Americana é o seguinte:

SEGMENTO BRASIL

Sport x Náutico
Vitória x Coritiba
Criciúma x Ponte Preta
Portuguesa x Bahia

SEGMENTO ARGENTINA

Belgrano x Vélez Sársfield
Racing x Lanús
San Lorenzo x River Plate

SEGMENTO CONTINENTAL

Aqui estão os times do “resto” da América do Sul, alvo da nossa coluna, e que por isso receberão análises privilegiadas aqui:

Universidad Católica x Emelec

O sorteio direcionado da Copa Sul-Americana – com confrontos de times do Norte do continente contra os do Sul – colocou dois dos melhores times da competição para um duelo já nesta fase. A Universidad Católica tem a mesma base do ano passado, que conseguiu o vice-campeonato chileno e que deu muito trabalho para o São Paulo nas semifinais. Para chegar aqui a equipe venceu o já complicado Cerro Porteño. Destaque para a boa defesa, capitaneada pelo goleiro Toselli, e para o bom meio de campo Fernando Meneses.

O Emelec também segue com o time que dominou o Equador no primeiro semestre e que teve uma eliminação honrosa contra o Fluminense na Libertadores. A equipe do treinador Gustavo Quinteros tem no setor ofensivo a sua principal força. Não à toa os Eléctricos chegaram a esta etapa depois de vitória no placar agregado por 7 a 1 contra o peruano Sport Huancayo. Olho nos meias abertos Gimenez e Valencia e no sempre perigoso atacante Mondaini. Vale dizer: quem passar enfrenta o São Paulo nas oitavas.

Colo Colo x Deportivo Pasto- COL

O único time chileno dono de um título da Libertadores definitivamente não consegue se reerguer. Desde 2010 a equipe não engata uma boa sequência de resultados e segue em crise eterna. A Sul-Americana é a chance para reverter esta tendência. O Cacique, que bateu o El Tanque Sisley do Uruguai por 3 a 0 no agregado espera que o experiente goleiro Justo Villar garanta as coisas lá atrás para que nomes como Fierro e Javier Toledo façam os gols. O confronto é com o Deportivo Pasto, sétimo colocado no último campeonato colombiano, e que bateu o Melgar por 3 a 2 na soma dos dois resultados. A equipe aposta no conjunto e organização do meio pra trás e no atacante Lalinde, do meio pra frente. O vencedor desta chave enfrentará o ganhador de Criciúma e Ponte Preta.

Itagüí-COL x River Plate-URU

Virtual terceiro colocado do último campeonato colombiano – já que o formato da decisão é em mata-mata – o Itagüí chega referendado pelas boas campanhas em solo nacional. A equipe aposta no toque de bola do experiente meiocampista John Restrepo e no faro de gol do boliviano Diego Cabrera, que disputou a Libertadores pelo San José. O River Plate é o único uruguaio que segue na Sul-Americana e dificilmente terá uma sequência. O time é limitado, mas foi o quarto colocado na tabela anual uruguaia. Assim, a aposta será na entrega dos jogadores e no talento do atacante Sebastián Taborda. O vencedor enfrenta Vitória ou Coritiba.

Universidad de Chile x Independiente José Terán-EQU

Desde a eliminação na Copa Libertadores 2012, a Universidad de Chile ainda não reencontrou seu caminho. A saída de Jorge Sampaolli escancarou as limitações do elenco, que não rendeu nas mãos do inexperiente Darío Franco e que tenta se recuperar agora sob o comando de de “El Fantasma” Marco Antonio Figueroa. A equipe perdeu do Potosí por 3 a 1 na ida, mas superou os bolivianos por 5 a 0 em casa. Johnny Herrera e Charles Aránguiz são as referências desta equipe, que tenta acertar o setor defensivo e ofensivo, ainda. Na frente, Isaac Díaz e Bryan Cortéz são as apostas. Já o Independiente José Terán, também conhecido como Independiente del Valle, superou o bom Deportivo Anzoátegui para chegar a esta fase. A equipe equatoriana foi a terceira colocada no Primera Etapa deste ano e espera que o entrosamento do time e a qualidade do jovem e rápido atacante Junior Sornoza. Quem passar enfrenta Racing ou Lanús.

Guaraní-PAR x Atlético Nacional

Atualmente um dos melhores times da América do Sul, o Atlético Nacional é o atual campeão colombiano – venceu o Apertura 2013 – e também favorito no confronto. A equipe colombiana abandonou de vez o futebol atrativo e fluido do início de 2012 para ser pragmática e efetiva. Macnelly Torres deixou o clube, mas o experiente atacante Juan Pablo Ángel, e seu companheiro Valoy dão a qualidade que o time de Juan Osorio necessita. O Guaraní também tem uma ótima equipe para os padrões continentais. Vice campeão paraguaio, o time tem uma defesa consistente e um ataque de volúpia com o brasileiro Rodrigo Teixeira e os paraguaios Derlis González, ex-Benfica, e Federico Santander. O vencedor pega Portuguesa ou Bahia.

La Equidad-COL x Cobreloa

Para chegar aos 32 avos da Sul-Americana o Cobreloa derrubou o grande Peñarol, com um futebol de efetividade. Terceiro colocado no torneio Transición do chile, o time aposta principalmente em seu trabalho conjunto para tentar feitos ainda maiores. O clube, no entanto, está alijado de uma de suas principais armas: o fator casa. O estádio em Calama, zona de deserto no Chile, não recebe jogos, de forma que a equipe tem mandado suas partidas em Antofagasta, zona portuária do país. La Equidad teve a segunda melhor campanha acumulada no Colombianão 2012/13, mas foi apenas a décima no campeonato Apertura de 2013. Não deve ter vida longa no torneio. Quem vencer enfrenta o ganhador de Belgrano e Vélez.

Libertad x Mineros de Guayana-VEN

A eliminação precoce em 2013 do quadrifinalista das Libertadores 2011 e 2012 e a eleição do presidente do clube para a presidência do Paraguai geraram mudanças na forma de o Libertad administrar seu futebol. De uma só vez os experientes Mendieta, Eguren, Benegas, Velázquez e Guiñazu saíram. Para o lugar deles, a aposta é no trabalho de base, comprovadamente o melhor do Paraguai. Mesmo assim, chegaram ao clube Freddy Bareiro, ex-Olimpia, e Adalberto Román, que passou pelo Palmeiras. É neste contexto que o Libertad chega para o duelo com o surpreendente Mineros de Guayana. Os paraguaios seguem com suas imutáveis duas linhas de quatro, apostando agora nos meninos Montenegro e Recalde e nos experientes Samudio e Aquino. O Mineros eliminou o Barcelona do Equador com um trabalho calcado muito mais no coletivo. A equipe foi a sexta na temporada venezuelana e não tem grandes destaques. O vencedor enfrenta Sport ou Náutico.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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