O Atlético-GO continua em chamas na Sul-Americana e aproveitou as circunstâncias para bater o São Paulo em Goiânia
Seguro na defesa e efetivo no ataque, o Atlético Goianiense construiu uma boa vitória especialmente após a expulsão de Igor Gomes
O Atlético Goianiense derruba pedreiras na Copa Sul-Americana. A campanha fantástica inclui classificações sobre LDU Quito, Olimpia e Nacional de Montevidéu. Já na semifinal doméstica contra o São Paulo, o Dragão deu um passo importante para buscar a vaga numa histórica decisão. Mesmo a troca de técnico, com a saída de Jorginho para a chegada de Eduardo Baptista, não atrapalhou os rubro-negros. A equipe manteve um futebol de alto nível, para garantir o triunfo por 3 a 1 no Serra Dourada. Era uma partida equilibrada, até que a expulsão infantil de Igor Gomes deixou os tricolores com um a menos. Foi quando o Atlético arregaçou as mangas e partiu para cima no segundo tempo, abrindo a vantagem de dois gols. É uma situação ótima antes do reencontro no Morumbi, na próxima semana.
Eduardo Baptista estreou no Atlético Goianiense com mudanças. Trocou os laterais, botou Marlon Freitas para fortalecer o lado direito do meio-campo, tinha Diego Churín no comando do ataque diante da ausência do suspenso Luiz Fernando. Jorginho e Wellington Rato eram também nomes essenciais na ligação. Já o São Paulo vinha em seu 3-5-2. Pablo Maia entrava no meio com Igor Gomes e Rodrigo Nestor. Já na frente, Luciano e Calleri se complementavam.
Durante os primeiros minutos, o São Paulo tinha mais posse de bola e trabalhava principalmente pela esquerda. Sem levar tanto perigo, tomou o gol na primeira boa chegada do Atlético Goianiense. E foi uma senhora construção, com troca de passes e qualidade para envolver a defesa a partir do flanco direito. Dudu recebeu na borda da área e serviu Jorginho, que definiu para as redes aos 11 minutos. Como tinha ocorrido contra o Nacional, o Dragão ficava com a vantagem logo cedo e poderia concentrar seus esforços na defesa.
Com as linhas defensivas do Atlético fechando os espaços, o São Paulo demorou a criar. Conseguiu quando recuperou a bola e avançou rapidamente, pegando o sistema defensivo rubro-negro desmontado. Foi como saiu o gol, aos 23. Rodrigo Nestor recebeu de Reinaldo após o desarme e cruzou em direção a Luciano. Mesmo distante da meta, o centroavante mergulhou na cabeçada e venceu Renan. O equilíbrio acabava por prevalecer a partir de então, sem domínio de qualquer um dos times e duelo travado na intermediária.
O Atlético voltou a assustar numa tentativa de Wellington Rato que Jandrei pegou, antes de ser assinalado o impedimento. E a situação ficou bem pior ao São Paulo com 40 minutos, quando Igor Gomes foi expulso. Mal no jogo, o meio-campista matou um contra-ataque quando já tinha o amarelo e recebeu o vermelho. Rogério Ceni não esperou o intervalo para mexer, com Patrick e Wellington nas vagas de Reinaldo e Ferraresi, mudando o desenho da equipe com duas linhas de quatro. A preocupação para a segunda etapa era óbvia.
O Atlético Goianiense voltou com duas mudanças. Eduardo Baptista apostou em Hayner e Shaylon, dando mais ofensividade ao time. O Dragão passou a dominar completamente a posse de bola na segunda etapa, contra um São Paulo acuado. Os cruzamentos saíam com mais frequência. Quando os rubro-negros acertaram, anotaram o segundo gol aos 11 minutos. Marlon Freitas fez grande jogada pela direita e cruzou rasteiro. O meio da área estava congestionado por são-paulinos, mas Jandrei falhou e deixou a bola passar. Shaylon entrou de carrinho e, na marra, mandou para dentro. O São Paulo precisava sair.
Não demorou para Rogério Ceni mudar, com Gabriel Neves e Marcos Guilherme nos postos de Pablo Maia e Luciano. Não foi isso que intimidou o Atlético, que quase fez o terceiro numa cabeçada bastante perigosa de Jorginho para fora. O jogo era do Dragão. Arthur Henrique e Léo Pereira seriam novidades dos goianos na sequência. O São Paulo começou a respirar um pouco mais depois só dos 25, voltando a trabalhar a bola e a sair para o ataque. Ainda não conseguia finalizar para tentar o empate, com um cruzamento perigoso que passou por Calleri. Problema maior é que os tricolores dariam as costas para tomar mais um.
O terceiro gol do Atlético, aos 33 minutos, aconteceu no exato momento em que o São Paulo tentava algo diferente. O banco mais uma vez fez a diferença para o Dragão. Arthur Henrique deu o passe e Léo Pereira disparou pela esquerda. Ganhou da marcação e, dentro da área, superou Jandrei. O resultado se consolidava para os rubro-negros. A impressão era de que, se forçasse mais, o Dragão garantiria uma vantagem maior. Entretanto, a reta final ainda teria os são-paulinos no campo de ataque. Eram frustrados repetidamente pela defesa atleticana, muito sólida. A festa estava garantida no Serra Dourada, até com gritos de olé nos acréscimos.
O Atlético Goianiense repetiu virtudes de outras noites dessa Copa Sul-Americana. Teve consistência defensiva e efetividade no ataque, enquanto aproveitou as vantagens obtidas no duelo. Não se nega também a importância de Eduardo Baptista, com alterações que realmente melhoraram as condições do time e garantiram o resultado amplo. É um time perigoso nos mata-matas, algo visto outras vezes nessa temporada. Já o São Paulo sabe que precisa melhorar bastante. As falhas pontuais da equipe custaram muito, sobretudo as de Igor Gomes e Jandrei. Mas não que os tricolores tenham jogado bem o suficiente no plano coletivo. Renan, por exemplo, não fez uma defesa sequer. Rogério Ceni foi mal na escalação e também nas mudanças. Será uma missão bastante difícil no Morumbi.



