Sul-Americana

O Atlético-GO carimba a estreia de Luis Suárez pelo Nacional com uma memorável vitória no Parque Central

Suárez fez sua estreia pelo Nacional, disputando a metade final do segundo tempo, mas a festa seria mesmo do Dragão pelo resultado garantido na primeira etapa

O Gran Parque Central lotou nesta terça-feira fria e outras vezes lotará nos próximos três meses, assim como os demais estádios da América do Sul pelos quais o Nacional passar. Há uma multidão ansiosa por ver Luis Suárez com a camisa tricolor e, depois de desembarcar domingo, o artilheiro estava pronto para a estreia. Sorte do Atlético Goianiense por participar de tamanha oportunidade, no primeiro duelo pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. E a felicidade do Dragão seria ainda maior com a memorável vitória por 1 a 0 em Montevidéu. Luisito saiu do banco na metade do segundo tempo e não produziu tanto, mas criou um lance que quase rendeu o empate. Quem garantiu o resultado foi outro substituto, o goleiro Renan, que entrou na meta rubro-negra por causa da lesão de Ronaldo e esteve impecável.

A ausência de Luis Suárez não impediu o Nacional de tomar o controle da partida após o apito inicial e de buscar mais o campo de ataque. O Atlético Goianiense fazia um bom trabalho na contenção e evitava os perigos de Emmanuel Gigliotti, referência ofensiva do Bolso. Mais recuado, porém, o Dragão logo seria testado. Aos 17, uma cobrança de falta frontal permitiu que Franco Fagúndez batesse com muito perigo. O goleiro Ronaldo foi buscar no canto e ainda faria outra grande defesa no rebote, mas se lesionou e deu lugar ao experiente Renan, ex-Botafogo e Avaí, que esteve mais recentemente no Ludogorets.

O que poderia ser um baque para o Atlético, dada a boa fase de Ronaldo, seria respondido da melhor forma: com gol. O tento aconteceu logo na sequência, aos 24. Léo Pereira liderou o avanço pela direita e cruzou com perfeição para Luiz Fernando, soberano para a cabeçada no meio da área, rumo às redes. O Nacional é que sentiria o golpe. A posse de bola dos tricolores não significava muito, com o ótimo trabalho defensivo dos rubro-negros. Todavia, o Dragão também não conectava seus contra-ataques. O Bolso só testou Renan aos 39, num chute de longe dado por Camilo Cândido e muito bem defendido pelo arqueiro. De qualquer maneira, os goianos amarravam o duelo, com alguns cartões amarelos antes do intervalo.

O segundo tempo se iniciou com uma pressão ainda maior do Nacional. Os tricolores começavam a achar mais espaço pelo meio e, depois de alguns cruzamentos, Felipe Carballo mandou uma pancada de longe que exigiu ótima intervenção de Renan aos oito minutos. O Bolso dominava a intermediária e raras vezes o Dragão conseguia passar da linha central, sem dar continuidade aos contra-ataques. Uma pausa veio aos 15, quando Renan sentiu o joelho e precisou colocar uma proteção. E o goleiro se mostraria inteiro para um milagre logo na sequência, aos 18. Em cobrança de falta, Cândido mandou um foguete de longe. Renan triscou na bola, o suficiente para desviá-la rumo ao travessão, numa defesaça.

(Ernesto Ryan/Getty Images/One Football)

O Atlético voltou a desfrutar de um raro momento ofensivo depois dos 20. Diego Churín pôde finalizar numa bola alçada na área, mas pegou mal, mesmo em boas condições. Num momento em que o Nacional murchava, um rugido surgiu nas arquibancadas quando Suárez deixou o aquecimento e se preparou para entrar em campo. O camisa 9 estreou aos 28, entrando no lugar de Fagúndez. Seria ovacionado. E o ânimo no Bolso se notaria logo na sequência, com um chute de Brian Ocampo que Renan segurou sem dar rebote. O goleiro era muito seguro, especialmente quando os tricolores passaram a buscar mais os cruzamentos em direção ao Pistoleiro.

A primeira chance para Suárez viria aos 38, numa cobrança de falta. O camisa 9 assumiu a batida, mas carimbou a barreira. O veterano se mostrava um tanto quanto travado, sentindo a falta de ritmo de quem mal participou dos treinos com a equipe e também vinha das férias. Apesar disso, num momento em que o resultado parecia encaminhado, o craque quase tirou o coelho da cartola aos 44. Luisito tabelou com uma facilidade imensa para abrir a defesa do Atlético. A troca de passes permitiu a finalização frontal de Juan Ignacio Ramírez, que acertou a trave. Durante os acréscimos, mais alguns cruzamentos vieram e a defesa do Atlético chegou a salvar uma bola na pequena área com William Klaus. Com direito a uma revisão de pênalti no último lance, só o apito final permitiu o respiro aliviado do Dragão pelo triunfo histórico em Montevidéu. Suárez saiu na bronca, já batendo boca com o árbitro antes de deixar o gramado.

O Atlético Goianiense se valeu da eficiência para sair com a vitória. Finalizou bem menos e teve menos posse de bola, mas se segurou na defesa e contou com as defesas excelentes de Renan, além da ajuda pontual da trave. Entretanto, fica o sinal de alerta ligado para o reencontro em Goiânia. O Nacional teve mais qualidade ao longo da partida e não balançou as redes por detalhes, mesmo com Luis Suárez entrando só no fim. Mais tempo para o Pistoleiro significará mais perigo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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