Sul-Americana

Nikão ama a Sul-Americana e sai do banco para decidir a vitória do São Paulo contra o Ceará no Morumbi

O Ceará causou problemas para o São Paulo, mas Nikão abriu o placar após entrar e Calleri ainda perdeu pênalti

Nikão construiu sua fama em jogos de mata-mata. Foram várias atuações decisivas do meia em partidas grandes pelo Athletico Paranaense. No São Paulo, o reforço andava devendo. Porém, a Copa Sul-Americana, um torneio que ele conhece tão bem, deu a brecha para um novo brilho. Nikão saiu do banco e garantiu uma vitória importantíssima para o Tricolor, na ida das quartas de final. O Ceará segurou os são-paulinos especialmente no primeiro tempo, mas uma pancada de Nikão valeu o triunfo por 1 a 0. Não é o placar mais desejável dentro do Morumbi, especialmente pelo pênalti perdido por Calleri depois disso, mas ao menos os paulistas jogarão pelo empate diante dos cearenses no Castelão.

O Ceará teve seu primeiro problema logo no primeiro minuto, quando Diego sentiu lesão na virilha e precisou ser substituído. Neste momento, o São Paulo esboçava uma pressão, mas logo passou a esbarrar na marcação do Vozão. Os alvinegros controlavam bem as investidas tricolores e bloqueavam as finalizações, assim como rifavam as bolas alçadas. Era uma atuação burocrática dos são-paulinos. Com isso, o duelo parecia até favorável aos visitantes no Morumbi. E eles começariam a se sentir à vontade para buscar o ataque, ameaçando o primeiro gol.

Depois de quase meia hora sem tantas emoções, o Ceará teve a primeira grande chance com Nino Paraíba, escapando dos defensores e enchendo o pé na linha de fundo. A trave impediu o gol do lateral, embora ele também estivesse impedido. O São Paulo parecia mais tenso e cometia erros, numa posse de bola pouco produtiva. Mais um susto do Vozão ocorreu aos 42, com Mendoza aproveitando a indecisão da defesa, mas Felipe Alves abafou. Os tricolores só se aproximariam do tento nos acréscimos, num escanteio. Igor Gomes desviou e Léo finalizou, mas o goleiro João Ricardo fez uma defesaça.

A atitude do São Paulo foi outra no começo do segundo tempo. Logo no primeiro minuto, Victor Luis salvou a batida de Igor Gomes. A equipe agia de maneira mais direta e contava com o posicionamento diferente de Luciano, mais participativo. O atacante também exigiu uma defesa de João Ricardo aos três. Foram dez minutos superiores dos tricolores, até que o Ceará encaixasse sua marcação e voltasse a sair para o ataque. Ameaçou novamente, com um cruzamento de Vina que Mendoza não chegou por pouco, aos 15. Os problemas afetavam os são-paulinos, que fizeram três mudanças aos 20. Pablo Maia, Galoppo e Nikão entraram. O último seria decisivo logo de cara.

O belo gol de Nikão saiu aos 25. Igor Vinícius esticou a bola para o meia, que ajeitou e chutou forte. Mandou a bola no alto da meta de João Ricardo. O Ceará não conseguiu responder de imediato, com a vantagem deixando o São Paulo mais leve. Aos 31, numa disputa pelo alto, Victor Luis deixou o braço aberto e acertou Calleri. A arbitragem entendeu o lance como pênalti. Porém, na cobrança, Calleri não conseguiu ampliar. Parou na defesa de João Ricardo e o goleiro ainda fez outra grande intervenção no rebote. Era uma enorme oportunidade jogada fora.

Galoppo errou o alvo logo depois, mas logo o São Paulo viu o Ceará crescer nos minutos finais. A defesa tricolor precisou se salvar no limite em bola esticada para Richard. Entretanto, o Vozão também não mostrou tantos recursos para mudar a história do jogo. Teve algumas bolas alçadas e chutes de longe, que acabaram travados pela defesa são-paulina. A vitória estava na conta.

Por aquilo que se viu no Morumbi, o confronto permanece aberto. O Ceará faz uma senhora campanha na Copa Sul-Americana e tem força para reverter o resultado. Mesmo fora de casa o Vozão teve suas chances de sair em vantagem. O São Paulo ficou no lucro. Superou a atuação morna e contou com os recursos em seu elenco, com a participação iluminada de Nikão. Não é o melhor saldo pelo pênalti perdido, mas o placar mínimo está de bom tamanho pelas dificuldades encaradas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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