Sul-Americana

Na Bolívia, Internacional fez o que se esperava em vitória que poderia ter sido maior

Com gols de Bruno Gomes e Lucas Alario, Colorado venceu o Real Tomayapo por 2 a 0, pela Copa Sul-Americana

Contra o frágil Real Tomayapo, na noite desta terça-feira (4), no IV Centenário, em Tarija, na Bolívia, o Internacional fez o que se esperava diante da discrepância técnica entre os times. Com gols de Bruno Gomes e Lucas Alario, o Colorado venceu por 2 a 0 — e poderia ter goleado, não fosse a falta de efetividade e um erro grotesco da arbitragem.

A vitória faz com que o Inter chegue aos mesmos oito pontos do Delfín no Grupo C da Copa Sul-Americana, mas com desvantagem no número de gols marcados.

No próximo sábado (8), às 21h30 (horário de Brasília), o Colorado enfrenta a equipe do litoral do Equador no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, e precisa da vitória para disputar o playoff contra um terceiro colocado da fase de grupos da Libertadores.

Internacional começou com muitas modificações

O Inter começou o jogo com muitas modificações. Três delas forçadas pelas convocações de Rochet, Borré e Valencia, que já se apresentaram em suas seleções. Fabrício, Alan Patrick e Alario foram os substitutos. Jogadores com pouca minutagem, como Igor Gomes, Bruno Gomes e Hyoran, também receberam oportunidades. No 4-1-3-2, o Colorado iniciou com Fabrício; Bustos, Igor Gomes, Fernando e Renê; Thiago Maia; Maurício, Bruno Gomes e Hyoran; Alan Patrick e Alario.

Em jogo de ataque contra defesa, Internacional abriu o placar depois de ter gol anulado

Como tem sido a tônica de quase todos seus jogos nesta temporada, o Inter teve mais posse de bola do que o adversário. Neste caso, muito mais: aos 12 minutos do primeiro tempo, a diferença chegava a 84% a 14%.

Para tentar retirar os espaços, o Real Tomayapo se fechava em um 5-3-2 com bloco de marcação baixo. O Inter rodava a bola pacientemente em busca das brechas. O jogador mais agudo era Bustos, que oferecia amplitude e profundidade pela direita. Do outro lado, Renê e Hyoran alternavam nessas funções.

Por mais que o Inter ocupasse a intermediária de ataque, e até chegasse com alguma frequência no último terço, faltava capricho. Hyoran e Renê, por exemplo, cruzaram direto pela linha de fundo.

Quando o gol de Alan Patrick, aos 15 minutos, foi anulado por impedimento, os colorados mais pessimistas talvez tenham visualizado o empate por 0 a 0 no Beira-Rio se repetir. A tranquilidade, que permitiu que as ações fossem executadas com mais naturalidade, só veio com o gol de abertura do placar, aos 31 minutos.

Curiosamente, mas não coincidentemente, o gol saiu em um dos poucos momentos em que o Real Tomayapo se aventurou no ataque no primeiro tempo. Com espaço para transitar, dois jogadores que não haviam atuado desde a retomada dos jogos do Inter aproveitaram. Hyoran cruzou e Bruno Gomes conferiu para as redes.

O Inter poderia tranquilamente ter ampliado ainda no primeiro tempo. Em especial, Alario, que participava pouco até então, e levou azar ao acertar a trave após Arancibia espalmar chute de fora da área de Maurício, aos 35 minutos.

Por decisão polêmica da arbitragem, e falta de efetividade, segundo gol do Internacional demorou para sair

Bustos, pela direita, era a principal arma do Inter. Dos nove aos 15 minutos do segundo tempo, foram três cruzamentos do argentino que quase resultaram em gol — Hyoran mandou por cima em um e não alcançou em outro, enquanto Alan Patrick cabeceou para grande defesa de Arancibia.

O Inter, enfim, balançou novamente as redes aos 22 minutos. E com uma característica muito marcante do time de Coudet, mas que havia se desaparecido nos últimos tempos: a aproximação de Alan Patrick e Maurício. Porém, inacreditavelmente o tento foi anulado, com o VAR achando um impedimento de Alario muito antes da jogada do gol se desenrolar.

De tanto cruzar, Bustos resolveu arriscar, aos 35 minutos, e parou em bela defesa de Arancibia. A pancada no ângulo direito reiterou o quanto eventual saída do lateral direito, que interessa ao Villarreal, pode ser prejudicial para o Inter.

Aos 39, o Inter ficou com um jogador a mais após Orellana chegar atrasado em Bustos, receber o cartão amarelo e ser expulso. Na origem do lance, o VAR ainda identificou toque de mão de defensor do Real Tomayapo após cabeceio de Lucca, confirmado pelo árbitro.

Alario perdeu pênalti, mas se redimiu dois minutos depois

Alario, que terá sequência como titular na ausência de Borré e Valencia, poderia ter a confiança abalada ao desperdiçar o pênalti, defendido por Arancibia, aos 42. Mas, dois minutos depois, o centroavante argentino completou de cabeça chute mascado de Bruno Henrique para, finalmente, ampliar.

Nos acréscimos, ainda deu tempo para duas bolas na trave, uma de Alario e outra de Lucca, e um novo pênalti, sobre Wesley, que foi marcado, mas corretamente anulado com ajuda do VAR.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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