Sul-Americana

Golaço de Nikão aumenta as glórias do Furacão: o Athletico é campeão da Sul-Americana

Com vitória apertada sobre o Red Bull Bragantino por 1 a 0, o Athletico Paranaense controlou a partida e consegue a sua segunda taça da Sul-Americana

O Athletico Paranaense reforçou o seu status como uma força do continente ao conquistar o segundo título da Copa Sul-Americana em quatro anos. Campeão em 2018, o Furacão venceu o Red Bull Bragantino por 1 a 0, golaço de Nikão, um dos seus principais símbolos, em uma partida que controlou o tempo todo. Uma vitória apertada no placar, mas que teve poucos sustos para o time paranaense, que foi melhor ao longo dos 90 minutos.

Uma conquista que tem um enorme peso. É o primeiro clube brasileiro a conquistar duas vezes a Copa Sul-Americana. Internacional, São Paulo e Chapecoense todos conquistaram uma vez a taça, mas o Furacão venceu mais uma vez e aumenta o tamanho da sua glória. Só outros dois clubes conquistaram duas vezes a Sul-Americana: Independiente e Boca Juniors, ambos argentinos. Ao lado desses dois colossos do continente, o Athletico se coloca de forma gigantesca.

Mais uma vez, Nikão foi um nome importante do time. O gol que ele marcou foi lindo, mas também foi decisivo, o que é ainda mais importante. A atuação do time foi consistente, ainda que não brilhante. Conseguiu controlar o Red Bull Bragantino, que pouco conseguiu fazer no jogo. Se alguém tinha que vencer, este era o Furacão. Nikão escreve mais um grande capítulo na sua história pelo clube.

Ao Bragantino, ficou a sensação que o time precisava de mais experiência e estar mais preparado para lidar com um clube que parecia estar em um estágio um pouco mais avançado. O trabalho do clube continua sendo muito bom, assim como do técnico Maurício Barbieri. Em ótima campanha no Campeonato Brasileiro, o time briga para ficar entre os quatro primeiros, o que seria enorme.

Estádio vazio

O Athletico Paranaense, como era de se esperar, levou mais torcedores para o estádio Centenário. O grito da torcida do Furacão era o que mais ecoava no estádio, com os cantos de “Athletico, Athletico, Athletico”. O Red Bull Bragantino não conseguiu levar tanta gente, mas também teve seus torcedores presentes.

Apesar da festa rubro-negra, o que chamou a atenção foi como o estádio Centenário estava vazio. Só o setor central das arquibancadas, em frente às câmeras de transmissão, estava cheio. Pareceu uma estratégia da Conmebol para parecer menos feio do que ficou: uma final, em campo pré-definido, com preços altos, fez com que o estádio ficasse muito mais vazio. Um problema que a Conmebol precisará lidar. Se for para fazer final única assim, é algo que precisará ser repensado, especialmente os preços.

Escalações

Os dois times entraram em campo com elencos jovens. O Athletico Paranaense com média de idade de 26,9 anos, enquanto o Red Bull Bragantino levou a campo um time ainda mais jovem: 25,8 anos. Só três jogadores do Massa Bruta entre os 11 escalados tinham mais de 30 anos: Aderlan, 31, Edimar, 35, e Ytalo, 33. No Athletico, só dois dos titulares tinham ao menos 30 anos: o goleiro Santos, 30 anos, e Thiago Heleno, 33.

O Red Bull Bragantino, do técnico Maurício Barbieri, teve dois desfalques no setor de meio-campo: Lucas Evangelista, que vinha sendo titular da equipe, e Ramires, uma das opções mais utilizadas pelo treinador. Com isso, Tomás Cuello atuou mais perto do volante Jadsom.

Barbieri também fez algo diferente: armou o time em um 4-4-2, com Helinho do lado esquerdo, Artur do lado direito, Ytalo como referência no ataque e Bruno Praxedes, que normalmente atua no centro do meio-campo, ao seu lado como atacante, mais para marcar a saída de bola e criar dificuldades.

O Athletico de Alberto Valentim não tinha problemas e escalou os seus titulares. Manteve o seu esquema de três zagueiros, que atacando se tornava um 3-4-3, mas que defendendo era um 5-2-3. Foi um time seguro, que entrou parecendo saber o que tinha que fazer em campo.

Primeiro tempo

O Bragantino ficava mais com a bola no início do jogo e antes dos 20 minutos, conseguiu criar duas chances. Em uma, cobrança de escanteio, Cuello cobrou muito fechado e o goleiro Santos precisou intervir, atento. No rebote do escanteio, Cuello chutou com muito perigo e a bola passou perto.

Mais posicionado no campo de defesa, o Athletico tentava acelerar em contra-ataques. Foi só aos 21 minutos que levou mais perigo, em um chute de Terans de fora da área.

Golaço de Nikão

O Athletico Paranaense conseguiu abrir o placar aos 29 minutos. Em lançamento para Terans na esquerda, o lateral Aderlan bobeou, furou e o uruguaio jogou para dentro da área. A bola desviou e subiu e Nikão deu um voleio bonito, só observado por Edimar, e marcou um belo gol: 1 a 0 para o Athletico.

Segundo tempo

Logo a cinco minutos do segundo tempo, o Athletico conseguiu um bom lance. Nikão cruzou e encontrou Terans na área, que ajeitou de peito para Leo Cittadini finalizar, mas mandou para fora.

Assim como aconteceu no começo do primeiro tempo, o Red Bull Bragantino foi quem ficou mais com a bola e tentou atacar, mas tinha dificuldade de chegar dentro da área e finalizar. O Furacão conseguia controlar o jogo e não se arriscava muito.

Com 30 minutos, Alberto Valentim fez três trocas de uma vez no Athletico Paranaense. Tirou Terans e Renato Kayzer e colocou Christian e Pedro Rocha. Também sacou Nicolás Hernández e colocou Zé Ivaldo. Pouco depois, Mauricio Barbieri também mudou. Sacou Edimar e colocou Luan Cândito e Praxedes para a entrada de Alerrandro.

Sem sucesso nas alterações, Barbieri mudou mais: colocou Leandrinho, Jan Hurtado e Gabriel Novaes nos lugares de Artur, Ytalo e Cuello. Foi com Leandrinho, já nos acréscimos, que o Red Bull Bragantino mais ameaçou, após escanteio. Não foi o bastante. O placar ficou mesmo em 1 a 0 para os paranaenses, que conquistaram o segundo título continental, depois de levar a Copa Sul-Americana em 2018.

 O Athletico Paranaense tem agora um final de temporada movimentado. Conquista mais um título de peso, internacional, e ainda dá a sensação que pode fazer muito mais. O Furacão repetiu o título da Sul-Americana de 2018, e irá querer conquistar novamente a Copa do Brasil, depois de levar a taça em 2019. Em 2021, o adversário será o poderoso Atlético Mineiro. Essa disputa será só em dezembro, nos dias 11 e 14 de dezembro.

Antes disso, porém, o time precisa lutar contra o rebaixamento na Série A. São cinco jogos restantes e o Furacão ainda está ameaçado pelo rebaixamento. Com 41 pontos, ainda precisa se livrar do descenso. O Bahia, primeiro time na zona de descenso, tem 36 pontos.

Isso, porém, fica só para depois da festa. Neste momento, o que o Athletico tem que fazer é comemorar. Conquistar dois títulos da Sul-Americana não é um feito fácil e nomes como Nikão, Santos e Thiago Heleno conseguem algo que é dificílimo. É importante ficar na primeira divisão e depois brigar pela vitória na Copa do Brasil. Atualmente, o Furacão é um time que assusta todo mundo, seja no Brasil ou na América do Sul. Em 2022, o desafio será a Libertadores.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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