Sul-Americana

Defensa y Justicia faz história e estreia sua galeria de troféus com título da Sul-Americana

O estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, viveu uma final argentina da Sul-Americana que teve um jogo muito mais tranquilo do que se imaginava. O duelo entre Lanús e Defensa y Justicia, pela final da Sul-Americana, teve um time muito melhor o tempo todo e uma vitória sem qualquer susto. O Defensa, dirigido por Hernán Crespo, venceu com autoridade o Lanús por 3 a 0 e conquistou o seu primeiro título na história com classe. Um time que cresceu muito nos últimos anos e se consolidou na Argentina e, agora, no continente com um título de grande relevância.

É o 17º time a conquista a Sul-Americana, que começou a sua história em 2002. São 19 edições e só dois times levaram o título duas vezes: Boca Juniors (2004 e 2005) e o Independiente (2010 e 2017). Os brasileiros Internacional, São Paulo, Chapecoense e Athletico Paranaense estão na lista de campeões. O Lanús, finalista desta edição, foi campeão do torneio em 2013, quando bateu a Ponte Preta na final.

Há poucos anos, seria difícil imaginar um clube como o Defensa y Justicia conquistando um título. Fundado em 1935, o clube só passou a disputar torneios oficiais em 1978. E só em 2014 o clube chegou à primeira divisão argentina. O clube, que fica na cidade de Florencio Varela, na região metropolitana de Buenos Aires, viveu um crescimento meteórico. Teve ao seu comando técnicos que ganhariam fama no continente, como Ariel Holan e Sebastian Becaccece. Fez história ao derrubar o São Paulo da Sul-Americana em 2017, em sua primeira participação em um torneio internacional.

Em 2020, na Libertadores, ficou em terceiro no grupo G, depois de tomar um gol do Santos, na Vila, nos acréscimos do último jogo da fase de grupos. A derrota por 2 a 1 deixou o time com seis pontos, um a menos que o Delfin, que venceu o Olimpia. A decepção foi deixada para trás e a campanha na Sul-Americana mostrou uma equipe que tinha força.

Para chegar ao título, o Defensa bateu o Sportivo Luqueño, na fase 16-avos de final, e depois eliminou dois times brasileiros em sequência: o Vasco, nas oitavas de final, depois de empatar em casa por 1 a 1 e vencer fora por 1 a 0; e o Bahia, ao vencer por 3 a 2 em Salvador e repetir o triunfo em casa, por 1 a 0. Na semifinal, contra o Coquimbo Unido, do Chile, empatou por 0 a 0 no primeiro jogo e venceu por 4 a 2 em casa, selando a sua passagem à decisão.

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Dominante desde o primeiro minuto

Nos primeiros 15 minutos, só o Defensa ficava com a bola, trocava passes e tentava se aproximar da área adversária, mas sem sucesso. Depois de algumas tentativas sem sucesso, o Defensa conseguiu o gol. O time recuperou um rebote de escanteio, Francesco Pazzini recebeu de costas, deu um passe de calcanhar lindo para Braian Romero, que cruzou para a área. Wallter Bou ajeitou para trás e o zagueiro Adonis Frías encheu o pé no meio da área para fazer 1 a 0, aos 33 minutos.

O segundo tempo voltou um pouco diferente. Foi o Defensa que deu um passo atrás, deixando campo para o Lanús tentar sair mais para o jogo. O Granate ainda tinha dificuldades, mas ao menos já chegava mais.

O segundo gol do jogo, porém, foi novamente do Defensa. Desta vez, em uma bobeira da defesa do Lanús. Alexis Pérez ganhou a jogada e então o zagueiro recuou para o goleiro Lautaro Morales. Só não percebeu que o atacante Braian Romero estava posicionado para interceptar a bola e marcar o gol com um toque por cima do goleiro Lautaro Morales. Com 2 a 0 no placar, aos 62 minutos, a situação ficava bem mais complicada. Além do mais, Braian Romero chegava a 10 gols, artilheiro da competição.

Para tentar mudar o panorama do jogo, o técnico Luis Zubeldia colocou em campo Facundo Pérez no lugar de Facundo Quignon e Fernando Belluschi no lugar de Lucas Veras. Antes, já tinha tirado o meia Pedro de la Vega, um dos destaques, que fazia uma partida ruim, se machucou e deixou o campo para a entrada de Franco Orozco.

O Lanús só criou uma chance no final, em uma jogada que a bola foi levantada na área, sobrou no meio e foi finalizada por Orozco, mas a bola foi fora. Só que se tinha um time mais perto de marcar, era o Defensa. As chances começaram a ficar ainda mais claras com a ida ao ataque do Lanús, de forma pouco ordenada, e deixando muito espaço. Eventualmente, o time de Crespo aproveitou. Rafael Delgado aproveitou mais uma saída de bola errada do Lanús, arrancou e tocou para o meio, onde estava Washington Camacho, livre, para tocar para o gol vazio:  3 a 0, aos 47 minutos. O título já tinha dono.

O apito final serviu para os jogadores e o técnico Hernán Crespo comemoraram muito. Os do Lanús, cabisbaixos, lamentaram a chance de colocar mais uma taça na sua galeria. O atacante José Sand, 40 anos, crucial na eliminação contra o São Paulo na campanha, comentou depois do jogo que o time tem alguns jogadores jovens e que vão se recuperar. Mais do que isso, foi perguntado se a vitória foi justa e admitiu que os rivais foram merecedores.

O Defensa y Justicia se torna o sétimo clube argentino a conquista a Sul-Americana ao lado de Boca Juniors, Independiente, Lanús, River Plate, San Lorenzo e Arsenal de Sarandí. Um título que coloca a pequena equipe de Florencio Varela, na história do futebol sul-americano.

Ficha técnica

Os gols

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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