Corinthians tropeça em erros repetidos e vê cenário caótico cada vez mais próximo
Yuri Alberto mostra que pode ser decisivo, Memphis novamente tem grande atuação, mas vacilos impedem o Timão de abrir vantagem contra o Racing na semifinal da Sul-Americana
Contra um adversário que venceu por pelo menos três gols todos os jogos que fez em casa na Copa Sul-Americana, cabia ao Corinthians fazer valer o mando de campo na partida de ida contra o Racing (ARG), pela semifinal do torneio continental. Mas não fez. O duelo terminou empatado por 2 a 2, na Neo Química Arena.
E os erros repetidos foram fundamentais para o Timão não abrir vantagem e, ao menos, jogar pelo empate na próxima quinta-feira (31), no Cilindro de Avellaneda.
Yuri Alberto até tentou. Constantemente criticado pelos gols perdidos, principalmente em jogos decisivos, o centroavante foi às redes duas vezes. No entanto, isso não foi o suficiente.
Fato é que os vacilos defensivos, a queda de rendimento no segundo tempo e as escolhas equivocadas do técnico Ramón Díaz foram mais uma vez cruciais para o Corinthians deixar a vitória escapar na Neo Química Arena.
Agora, caberá ao clube alvinegro ter poder de reação contra um rival que é muito forte jogando em seus domínios.
Ainda assim, o empate em casa traz o Timão cada vez mais à realidade de uma temporada caótica em que as copas trouxeram pequenos confortos facilmente confundidos com ilusão.
A situação corintiana para avançar à final da Sul-Americana é muito delicada. E com a eliminação na semifinal da Copa do Brasil para o Flamengo no último fim de semana, é cada vez mais real a possibilidade do Corinthians não jogar o mata-mata nacional em 2025.
E entre os duelos pela semifinal da competição continental, o Timão tem mais um “final” no Campeonato Brasileiro.
Antes da viagem para Buenos Aires, a equipe alvinegra vai até Cuiabá, onde enfrenta o Dourado pelo Brasileirão. Faltando oito jogos para terminar a competição, o Corinthians está na zona do rebaixamento e a cada rodada que passa a segunda divisão se torna um fantasma maior.
Com “pneus de chuva”, Yuri Alberto tenta decidir, mas coletivo não ajuda
Mesmo sendo o artilheiro do Corinthians no ano, Yuri Alberto é constantemente criticado pelo excesso de gols perdidos, principalmente em jogos decisivos.
Na eliminação do Timão na semifinal da Copa do Brasil para o Flamengo, no último domingo, o centroavante perdeu pelo menos três chances claras.
Mas tal qual Ayrton Senna, uma das personalidades corintianas mais notáveis, o camisa 9 do clube alvinegro mostrou que funciona melhor na chuva.
Atuação impecável de Yuri, sobretudo no primeiro tempo. Dois golaços marcados.
No primeiro, o atacante recebeu passe milimétrico de Memphis Depay e teve frieza para tocar de cobertura sobre o goleiro do Racing. Já no segundo, esperou toda a movimentação ofensiva dos companheiros para abrir para o meio e enfiar o pé, na entrada da grande área, com a bola indo com GPS no canto esquerdo da equipe argentina.
E se tem dia que parece noite, o centroavante mostrou que também há noites onde tudo reluz.
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Dois a um: reforços encantam, mas também decepciona
Memphis Depay e André Carrillo fizeram mais uma boa partida pelo Corinthians.
O atacante neerlandês jogou a partida e foi muito participativo no setor ofensivo.
Jogando entrelinhas, a estrela corintiana na temporada se movimentou bastante, deu opção e foi impecável na assistência que deu para Yuri Alberto fazer o primeiro gol do Timão.
Ao receber um passe na entrada da área, Memphis grudou a bola em seu pé, esperou a aproximação da marcação do Racing, que abriu espaço para Yuri ficar livre e na cara do gol para ir à rede.
Na reta final do jogo, o atacante assumiu a responsabilidade de ser o cara no Timão e tentou resolver em lances individuais. Em um deles, já nos acréscimos, passou bem pela forte marcação adversária e finalizou com perigo, tirando tinta da trave.
André Carrillo também foi bem. O meia peruano deu o tom à dinâmica do Corinthians na parte central, iniciou a jogada do primeiro gol e novamente deu qualidade técnica ao clube alvinegro.
Como todo o elenco corintiano, o rendimento do jogador caiu no segundo tempo. Mas, ainda assim, teve atuação louvável em Itaquera.
Por outro lado, Charles foi mal. O volante parecia perdido defensivamente e dava muitos espaços para as chegadas do Racing desde o primeiro tempo.
Na etapa final, isso impactou, com Martirena tendo toda liberdade do mundo para avançar desde o início do campo ofensivo, tabelar com Almendra e finalizar na entrada de área no canto direito de Hugo, que não conseguiu defender.
Mas o Corinthians ama o passado e não vê
Erros individuais no sistema defensivo. Esse segue o carma corintiano na temporada.
Houve um tempo recente em que parecia que o Timão havia se livrado disso, mas os últimos jogos mostraram que o problema sempre esteve à espreita.
E o duelo contra o Racing apresentou mais alguns desses episódios.
Primeiro, logo no início da partida, um chutão para frente no sistema defensivo da equipe argentina pegou a defesa corintiana desajustada. Cacá cabeça para trás, Fagner chegou atrasado na cobertura e Hugo Souza estava adiantado.
O resultado foi a finalização por cobertura do atacante Salas abrindo o placar da partida.
Mas tudo bem (em partes), já que você já leu acima que o Timão teve Yuri Alberto, Memphis Depay e André Carrillo inspirados.
Então, a partir daqui temos uma péssima notícia para você, corintiano.
O Corinthians voltou para o segundo tempo jogando muito mal e novamente foi assombrado com um vacilo defensivo.
A equipe alvinegra chamou o Racing para trás e não demorou muito para dar espaço e ser vazado. Martirena deu uma linda caneta em Rodrigo Carro e avançou como quis, tabelando com Almendra e finalizando no canto esquerdo de Hugo Souza empatando a partida.
O Timão parou e quase sofreu a virada no lance seguinte. A defesa corintiana abriu, Almendra encheu o pé e parou em uma boa defesa do goleiro corintiano.
Depois, houve até ímpeto ofensivo para o Corinthians tentar voltar à frente do marcador. Porém, com problemas de criação, o clube alvinegro ficou refém de lances individuais que não foram suficientes para a conquista da vitória.



