Sul-Americana

Com Nikão e Santos ampliando a idolatria, o Furacão deu outra lição de eficiência no Peñarol e vai a mais uma final de Sul-Americana

O Athletico Paranaense já tinha vencido em Montevidéu e repetiu a eficiência para ganhar também na Baixada

A Copa Sul-Americana é um torneio de raríssimos campeões repetidos. Desde a criação da competição, em 2002, apenas Boca Juniors e Independiente conseguiram conquistar edições distintas. Agora, o Athletico Paranaense terá a chance de se tornar o primeiro brasileiro com tal honraria. Os campeões de 2018 voltarão a mais uma decisão da Sul-Americana, desta vez viajando a Montevidéu para encarar o Red Bull Bragantino. E o Furacão foi impiedoso para impedir o Peñarol de disputar a taça em casa. Depois do triunfo por 2 a 1 no Campeón del Siglo, os rubro-negros também venceram na Arena da Baixada. Os aurinegros até pressionaram no primeiro tempo, mas os athleticanos foram cirúrgicos para o triunfo por 2 a 0. Nikão e Santos, dois símbolos do clube, brilharam. O meia foi decisivo nos dois tentos, enquanto o goleiro pegou um pênalti que impediu a reação carbonera.

O Peñarol precisava da vitória e, por isso mesmo, começou o jogo em busca do ataque. Facundo Torres teria a primeira boa chance, mas bateu sem direção e desperdiçou sozinho na pequena área. O Athletico, porém, também conseguia encaixar suas transições. Bissoli testaria Kevin Dawson num chute de longe, aos dez minutos. Já aos 23, saiu o gol que aproximou a classificação. David Terans fez uma jogadaça, ao arrancar do campo de defesa e invadir a área. Quando a marcação apertou, o uruguaio tocou para trás e encontrou Nikão. O meia abriu para o chute e acertou o arremate no cantinho, tirando do alcance de Dawson. Mais um belo gol dos rubro-negros no confronto, após duas pinturas na ida.

Neste momento, o Peñarol precisava da virada para pelo menos forçar os pênaltis. E não desistiu. O gol quase saiu na sequência, em saída errada de Santos, mas Agustín Álvarez Martínez acertou o travessão antes que Thiago Heleno afastasse a bola viva. Já o lance decisivo aconteceu aos 30, num pênalti cometido por Erick sobre Juan Ramos. O lance gerou muitas dúvidas e uma longa revisão do VAR, até que fosse confirmado. Na cobrança, porém, Santos se deu melhor. Pablo Ceppelini encheu o pé no meio do gol e o arqueiro só esperou, defendendo a cobrança com inteligência. Apesar do balde de água fria, os carboneros permaneceram em ritmo forte e a defesa athleticana segurava as pontas. Só nos acréscimos é que Furacão voltaria a criar uma chance, mas Dawson espalmou a nova tentativa de Bissoli.

O Peñarol não conseguiria representar o mesmo perigo durante o segundo tempo. O Athletico esfriou o jogo, enquanto os aurinegros foram mal em suas alterações. Diferentemente do que aconteceu na primeira etapa, os minutos se passavam sem tantas emoções e os rubro-negros indicavam o controle sobre o confronto, diante da passividade dos uruguaios, limitados a cruzamentos. Não à toa, os paranaenses até se soltaram em busca do segundo gol, contando com as alterações de Paulo Autuori. Pedro Rocha mais uma vez entrou bem e serviu Abner, que parou em Dawson. Isso até liquidar a fatura.

O segundo tento do Athletico surgiu aos 35. Nikão, de novo, teria participação decisiva. O meia fez boa jogada após lançamento de Abner e limpou a marcação, antes de servir Pedro Rocha. O atacante gingou diante do adversário e, com espaço, encheu o pé num chute rente à trave. Morto, o Peñarol não reagiria em busca dos três gols necessários. A impressão era de que o Furacão poderia construir até uma goleada maior. Renato Kayzer e Lucas Fasson mandaram chutes perigosos para fora. Vivacidade que contrastava com a apatia do Peñarol, um oponente que incomodou em boa parte do confronto, mas passou longe da eficiência athleticana.

A partida na Arena da Baixada sublinha a grandeza de Nikão e Santos no Athletico Paranaense. Se os dois já estavam num lugar privilegiado entre os maiores ídolos da história do Furacão, esta vitória ressalta ainda mais a importância de ambos. Pedro Rocha e David Terans, por outro lado, ganham mais consideração da torcida pela maneira como brilharam no confronto com o Peñarol. Os rubro-negros chegam à final com uma história continental consolidada e uma campanha grande o suficiente para referendar a qualidade do grupo, mesmo com a mudança no comando. Tentarão escrever mais um capítulo glorioso em Montevidéu, ainda que o Bragantino inspire respeito por seus recursos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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