Sul-Americana

Com dois golaços, o Furacão derrota o Peñarol em Montevidéu e se encaminha na semifinal da Sul-Americana

David Terans abriu o placar de bicicleta e Pedro Rocha concluiu a vitória com uma pedrada de fora

O Athletico Paranaense viajou a Montevidéu e construiu um excelente resultado no primeiro jogo das semifinais da Copa Sul-Americana. O Furacão marcou dois golaços e conseguiu vencer o Peñarol por 2 a 1. Seria um jogo duro no Campeón del Siglo, com os rubro-negros também segurando a pressão aurinegra e vivendo momentos de adversidade sobretudo no fim do primeiro tempo. No entanto, a defesa athleticana cumpriu muito bem seu papel e o time contou com o brilhantismo de seus jogadores na definição. David Terans abriu o placar de bicicleta e Pedro Rocha selou o triunfo com uma pedrada de fora da área. Noite inspirada, que aproxima os paranaenses da decisão.

Um ataque bastou para que o Athletico Paranaense inaugurasse o marcador no Uruguai. E foi uma pintura de David Terans, fazendo valer a Lei do Ex no Campeón del Siglo. O Furacão pressionou a saída de bola e recuperou a posse no campo de ataque. Nikão cruzou da direita, Bissoli aparou com a cabeça e Terans emendou uma bicicleta, que acabou encobrindo o goleiro Kevin Dawson e entrou no alto da meta. Golaço do uruguaio, que preferiu não comemorar contra os carboneros. O início rubro-negro, aliás, foi bom além do tento. A pressão alta funcionava e Terans saiu de frente para o gol na sequência, mas Dawson conseguiu fazer a defesa.

Depois do susto inicial, o Peñarol se acertou no jogo e tomou a iniciativa. Os aurinegros aproveitavam especialmente o jogo pelos lados do campo, na tentativa de abrir a defesa do Athletico. Santos faria a primeira defesa numa cabeçada fraca de Agustín Canobbio, pouco antes de Facundo Torres também tentar de cabeça e parar no goleiro. A crescente carbonera renderia o empate aos 22 minutos. Depois de um cruzamento de Facundo Torres, Agustín Álvarez Martínez contou com o vacilo da marcação para dominar. O centroavante errou o primeiro chute, mas se recuperou e se antecipou a Santos para estufar as redes.

O Peñarol seguiu mais perigoso e poderia ter virado na sequência. Canobbio chutou forte, mas parou em Santos. Pouco depois, Álvarez Martínez mandou por cima do gol. Os aurinegros acuavam o Athletico, num momento de clara pressão. Os cruzamentos dos uruguaios levavam bastante perigo, mas o Furacão conseguiu se safar. Somente nos minutos anteriores ao intervalo é que os rubro-negros teriam um pouco de escape, mas sem criar nada de muito concreto. A balança pendia aos carboneros, com mais volume de jogo e também mais agressividade ao longo da primeira etapa.

O segundo tempo voltou com o Peñarol na mesma pegada, pressionando e explorando as pontas. A defesa do Athletico conseguia rechaçar os cruzamentos, com grande atuação de Thiago Heleno, e acabou esfriando os uruguaios. Do outro lado, porém, o Furacão tinha dificuldades para encaixar suas respostas. Com o passar dos minutos, a partida começou a ficar mais arrastada, com mais faltas entre os times. Rolaria até mesmo um princípio de confusão, com Nikão simulando uma agressão, sem que nada fosse marcado. E num duelo mais truncado, os rubro-negros pareciam mais confortáveis com o empate.

Uma brecha poderia ser suficiente para o Athletico Paranaense. Foi o que aconteceu aos 30, com o segundo gol da equipe. Pedro Rocha saiu do banco e marcou um golaço até poético, considerando a idolatria sustentada por outro Pedro Rocha no passado do Peñarol. Após uma cobrança de falta inicialmente afastada pela defesa, o atacante encheu o pé de fora da área e acertou um petardo, rumo ao canto da meta aurinegra. Dawson nem se mexeu, só assistindo à pintura. Com a vantagem retomada, o Furacão poderia se resguardar ainda mais na defesa para administrar o resultado.

O Peñarol acordou depois do gol e tentou recobrar o prejuízo. Álvarez Martínez apareceu mais uma vez na área, mas cabeceou para fora. O Athletico, contudo, também tinha mais espaços aos contra-ataques e assustou numa chegada de Nikão. Os aurinegros apostariam suas últimas fichas na entrada de Ariel Nahuelpán no ataque, o que garantia mais presença de área. Apesar da tentativa de blitz, o Furacão seguia criando do outro lado. Pedro Rocha participava muito bem e Renato Kayzer perdeu bom lance, no qual pediu pênalti. Já a melhor chance de empate dos carboneros veio aos 50, num chute firme de Álvarez Martínez da entrada da área, que Santos espalmou para escanteio. Mas ficaria nisso, numa situação desconfortável aos anfitriões.

O Athletico Paranaense jogará pelo empate na Arena da Baixada e a derrota por 1 a 0 também será suficiente. Pelas circunstâncias do jogo em Montevidéu, ainda mais, o resultado é ótimo. Os rubro-negros resistiram nos momentos difíceis e conseguiram arranjar dois lindos gols. Parecem próximos de mais uma final continental, três anos depois de sua primeira conquista da Sul-Americana.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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