Sul-Americana

A noite sofrível do Vasco teve um caminhão de gols perdidos e um vacilo do goleiro que custou a eliminação na Sul-Americana

O Vasco se despede da Copa Sul-Americana lamentando tudo o que deu de errado em São Januário nesta quinta-feira. Os cruzmaltinos tinham saído no lucro da Argentina, ao segurarem o empate por 1 a 1 contra o Defensa y Justicia. Numa partida na qual os oponentes foram amplamente superiores, a equipe de Ricardo Sá Pinto se safou com três gols bem anulados do outro lado. Desta vez, os vascaínos melhoraram em relação à ida e criaram diversas ocasiões para garantir a vitória. Contudo, perderiam um caminhão de grandes oportunidades (especialmente Ribamar) e veriam uma bobeira do goleiro Lucão permitir o triunfo dos argentinos por 1 a 0. Nas quartas de final, os auriverdes encararão o Bahia.

O Vasco começaria a lamentar cedo. Logo aos dez minutos, Ribamar perdeu sua primeira chance clamorosa. Lançado em velocidade por Benítez, o atacante saiu de frente com o gol adversário, mas tentou tirar do goleiro e mandou para fora. O Defensa y Justicia tinha mais posse de bola, mas sem impor a pressão que se viu na Argentina. Os cruzmaltinos eram mais perigosos e de novo ficaram com o grito preso aos 25. Após falta cobrada por Léo Gil, Marcelo Alves cabeceou firme e o goleiro Ezequiel Unsain realizou um milagre.

O Defensa y Justicia assustava um pouco mais a partir dos erros do Vasco. O próprio Lucão já passava certa insegurança, mas Ciro Rius não completou às redes um cruzamento no qual o goleiro caçou borboletas. Os auriverdes melhoraram durante a reta final da primeira etapa, mas não foram muito precisos nas finalizações. Washington Camacho e Valentin Larralde mandaram para fora.

No retorno ao segundo tempo, o Vasco de novo faria Ricardo Sá Pinto arrancar os cabelos à beira do campo. Gustavo Torres foi o primeiro a vacilar, depois de passe açucarado de Neto Borges. Em mais um lance de frente para o gol, o colombiano mandou por cima, isolando o chute. E o acaso logo pesou contra, com o gol decisivo do Defensa y Justicia aos 11. O cruzamento rasteiro foi cortado por Marcelo Alves e a bola subiu, parecendo sair sem perigo. Lucão confiou no golpe de vista, mas foi traído. A bola bateu no travessão e ficou viva na área. Gabriel Hachen, que havia saído do banco na volta do intervalo, aproveitou o desleixo e guardou.

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A partir de então, o desespero se materializou de maneira mais forte no Vasco. E os cruzmaltinos seguiam perdoando. Ribamar mandou para fora outro bom lance, depois de receber de Marcos Júnior. E ainda haveria um domínio errado do atacante, em lance no qual a bola bateu no braço do zagueiro, mas a arbitragem não marcou o pênalti passível de discussão. Antes dos 20, Ribamar falharia mais uma vez, em cruzamento no qual ele cabeceou para fora mesmo aparecendo livre no segundo pau.

O Defensa y Justicia não conseguia responder do outro lado, sem encaixar seus contra-ataques. O Vasco também demorou a mexer, com Ricardo Sá Pinto fazendo sua primeira troca só aos 32, quando Tiago Reis veio para o lugar de Marcelo Alves. Porém, chances novamente tão claras não cairiam do céu. Pikachu se enrolou ao invadir a área, facilitando a defesa de Unsain. Depois, Ribamar (sempre ele) furou uma bola ajeitada no meio da área. O nervosismo era visível e o abafa não deu resultado. No fim, Unsain faria duas intervenções seguras, ao pegar uma cabeçada de Gustavo Torres e um chute de Neto Borges. Além disso, o arremate de Juninho seguiu para fora.

A situação do Vasco é sofrível. O time joga fora a chance na Copa Sul-Americana de uma maneira tão dolorosa e agora precisará se concentrar na luta contra o rebaixamento no Brasileirão. Cabe dizer que este não foi um jogo tão organizado dos cruzmaltinos. De qualquer maneira, pelo tanto de vezes que a equipe poderia ter balançado as redes, a derrota soa como inacreditável. O Defensa y Justicia é que não reclama da sorte (e da incompetência dos adversários) desta vez. Pintará no caminho do Bahia, já mostrando que não é um bicho de sete cabeças para os tricolores sonharem com a semifinal.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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