Sul-Americana

A LDU foi do céu ao inferno nos acréscimos, mas conseguiu seu épico contra o Ñublense

Quando a LDU achava que estava se classificando, com um gol aos 46 do 2° tempo, tomou outro aos 48; foi só nos pênaltis que os equatorianos eliminaram o Ñublense

O futebol sul-americano atravessou uma semana intensa. Jogos insanos se espalharam por diferentes cantos do continente, na Libertadores e na Copa Sul-Americana. Até mesmo partidas que não chamavam tanta atenção extrapolaram as expectativas. E um grande exemplo disso se viu no Equador, onde a LDU Quito recebia o Ñublense pelas oitavas de final da Sul-Americana. A vitória por 1 a 0 no Chile parecia encaminhar a classificação dos equatorianos. No entanto, o jogo em Quito se provou ardiloso aos anfitriões. A LDU abafava, não conseguia os gols e abusava dos erros na defesa. Assim, o Ñublense virou o placar e ia forçando os pênaltis, até que a loucura tomasse conta nos acréscimos do segundo tempo. Os equatorianos empataram e comemoravam a classificação direta, quando os chilenos tiveram fôlego para arrancar a vitória por 3 a 2 aos 48. O trauma só não foi maior ao time da casa porque, nos pênaltis, a Liga de Quito venceu por 4 a 3 e avançou. Pegará o São Paulo.

LDU abusa dos erros

Paolo Guerrero anotou o gol da LDU na vitória no Chile e seguia no comando do ataque no Equador. Tudo parecia conspirar aos Albos no Estádio Casa Blanca: a equipe da casa era melhor e criava as chances mais concretas de marcar. Aos 26 minutos, os equatorianos conseguiram tornar o placar mais confortável com seu primeiro gol. Num cruzamento da esquerda, Jhojan Julio desviou meio sem querer, mas balançou as redes. Só não deu para comemorar muito porque o goleiro Alexander Domínguez cometeu pênalti pouco depois e o Ñublense empatou aos 35, na cobrança convertida por Patricio Rubio.

O segundo tempo ainda voltou mais aberto para a LDU Quito. Os equatorianos estavam mais interessados no resultado e ameaçavam retomar a vantagem. A defesa, porém, abusava dos erros. O gol da virada do Ñublense, aos 16 minutos, é inacreditável. Richard Mina tentou dar um bicão para afastar o perigo e calculou muito mal o movimento: saiu um petardo indefensável rumo ao canto inferior de sua meta, sem que Alexander Domínguez pudesse salvar. Um gol contra cheio de estilo, que igualava o placar agregado aos chilenos.

A loucura no final

Depois disso, o que se viu foi um bombardeio da LDU Quito. Os Albos não queriam disputar os pênaltis de jeito nenhum. Arriscavam de todas as maneiras, principalmente em chutes de longe e em cabeçadas. O goleiro Nicola Pérez começava a se consagrar na meta do Ñublense, com uma série de grandes defesas. No maior milagre, espalmou uma testada à queima-roupa de Guerrero, que ainda bateu no travessão. O peruano tentava bastante. Porém, aos 46 minutos, a Liga de Quito conseguiu o empate – que em teoria daria a classificação. Sebastián González estava sozinho para concluir de primeira um cruzamento da direita. A torcida explodia.

A LDU comemorou tanto que se esqueceu de defender. O time inteiro foi para o meio da galera. E a desatenção teria um preço enorme, logo na reposição. O Ñublense anotou o terceiro gol aos 48, voltando à frente no placar e forçando os pênaltis. Num cruzamento que ninguém marcou direito, Manuel Rivera teve tempo de matar no peito e bater no canto. Também contou com a colaboração do goleiro Alexander Domínguez, que foi com a mão mole e aceitou. Antes do apito final, Guerrero teria mais uma tentativa, mas não era sua noite. Isolou por cima do gol.

Os pênaltis do alívio

A definição seguiu para os pênaltis. Pelo anticlímax, o Ñublense poderia pintar com um psicológico melhor. No entanto, a LDU se valeu de sua torcida e da partida em que foi superior, mesmo com a derrota. Todos os jogadores equatorianos converteram. Enquanto isso, o goleiro Domínguez se redimiu das falhas com bola rolando. O veterano apelidado de “Dida” fez jus à alcunha: pegou as cobranças de Rivera e Rubio, exatamente os dois adversários contra quem errara. Enfim, a torcida no Estádio Casa Blanca pôde comemorar sem medo de novas reviravoltas.

Nas quartas de final, a LDU Quito pegará o São Paulo. Não é o momento mais inspirador dos Albos, mas o clube possui uma história continental a se respeitar. Além disso, também contam com jogadores muito experientes nos torneios da Conmebol. E mesmo se a campanha terminar por aí, já rendeu um momento inesquecível. A passagem contra o Ñublense entra no rol de grandes classificações da Liga de Quito.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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