Sul-Americana

A estupidez da torcida do Tigre foi elevada ao quadrado, com o ônibus do clube apedrejado por engano

Torcedores do Tigre acharam que ônibus levava os jogadores do São Paulo, mas na verdade atacaram o veículo do próprio time

Era esperado que o duelo entre Tigre e São Paulo, pela Copa Sul-Americana, tivesse um clima mais quente pelo histórico entre os clubes na competição. Mesmo uma década depois, a final de 2012 suscitou a animosidade na Argentina. O que pouco se imaginava é que a estupidez dos torcedores locais, numa condenável reação raivosa, seria elevada ao quadrado. O ataque ao ônibus que supostamente levava o São Paulo, na verdade, foi contra o veículo do próprio Tigre. Pedras foram atiradas contra os vidros do ônibus que transportava os jogadores da casa, quando a torcida imaginava que aquele era o veículo tricolor.

A ignorância foi confirmada por Agustín Cardozo, meia do Tigre. O jogador postou em suas redes sociais uma imagem do vidro estilhaçado e de uma pedra, com a frase “acalmem-se que somos nós”. O atleta posteriormente apagou a fotografia, mas o fato já tinha viralizado. Se a intimidação violenta é uma das coisas mais repudiáveis do futebol, fazer isso por engano contra o próprio time só amplifica o tamanho da ignorância. O Tigre correu o risco de sofrer um desfalque ou de encarar uma consequência até mais grave por conta do comportamento raivoso de sua torcida. O tiro saiu pela culatra.

Já dentro de campo, o São Paulo também deu uma resposta contundente. A vitória por 2 a 0 contou com uma das melhores atuações do Tricolor no ano. Rafael segurou as pontas na meta são-paulina durante o primeiro tempo, enquanto Erison apareceu para anotar os gols na etapa final. Objetos foram atirados em campo contra os visitantes, mas sem novas ocorrências mais graves. O Tigre merece tomar ao menos uma punição por tudo o que aconteceu, enquanto ainda engole uma derrota que pode ser desde já cabal às suas pretensões na Sul-Americana.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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