Sul-Americana

A Copa Sul-Americana terá uma fase de grupos a partir de 2021 – e mais datas aos participantes brasileiros

A partir do próximo ano, a Copa Sul-Americana adotará um novo formato. A Conmebol aprovou as mudanças nesta sexta-feira, com a criação de uma fase de grupos no torneio. Ao todo, 56 clubes participarão do certame – incluindo 12 resgatados da Copa Libertadores. O calendário também se tornará um pouco mais inchado à competição, com mais partidas garantidas, diante da redução das etapas eliminatórias.

A divisão de vagas na Copa Sul-Americana continua a mesma. Brasil e Argentina terão seis representantes, enquanto os demais países contarão com quatro equipes cada. O que muda, além da configuração da disputa, são os privilégios.

Os seis brasileiros e os seis argentinos já estarão confirmados na fase de grupos. Nesta etapa, também entrarão quatro equipes repescadas das preliminares da Libertadores. Já os outros 16 lugares serão divididos entre os oito países restantes. A Conmebol criará uma etapa preliminar, nacional, em que os quatro participantes de cada nação terão que lutar por duas vagas na fase de grupos. Desta maneira, há uma redução da representatividade além de Brasil e Argentina – que seguem mandando economicamente, embora isso não se reflita tanto em campo.

Outro detalhe é que apenas os líderes desses oito grupos passarão às oitavas de final. Os outros oito sobreviventes serão os terceiros colocados da fase de grupos da Libertadores. Tal decisão diminui a consideração à própria Copa Sul-Americana, reduzindo o gargalo dentro da competição. Como bem lembra o jornalista Leonardo Bertozzi, também cria uma brecha para que vários jogos na reta final da fase de grupos sirvam apenas para cumprir tabela, com menos vagas em disputa. Ao que parece, os interesses na novidade são puramente comerciais, não quanto ao aumento da competitividade ou da importância à Sul-Americana.

E a decisão da Conmebol terá reflexos mais profundos no futebol brasileiro: em consequência, a Copa do Brasil também precisará mudar. Segundo o jornalista Martín Fernández, no Globo Esporte, não há definição sobre o que a CBF fará, mas é certo que o torneio nacional precisará se adaptar com o aumento de datas internacionais aos participantes brasileiros da Sul-Americana – com ao menos seis jogos garantidos, num máximo de 13, contra os 11 atuais.

Resta saber como o inchaço do calendário será manejado no Brasil. Decisões recentes da CBF não deixam tantas esperanças de uma mudança benéfica, por mais que haja uma necessidade de arejar a Copa do Brasil, com muitas classificações automáticas às oitavas. Agora, é a Sul-Americana que trará tais benefícios.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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