San Lorenzo estreou já fazendo milagre, mas deixa dúvidas

O San Lorenzo honrou o escudo de campeão da Libertadores que carrega no peito. O Ciclón estreou em sua defesa do título com vitória. Só não dá para dizer que os argentinos convenceram tanto assim em sua primeira partida. Na visita ao Danubio, os cuervos arrancaram a virada por 2 a 1 a partir dos 41 minutos do segundo tempo, quando a partida no Estádio Centenário já parecia perdida. Três pontos providenciais, ainda mais em um grupo no qual pelo menos um antigo vencedor da copa será eliminado.
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Convenhamos: o San Lorenzo campeão em 2014 não era exatamente um time de encher os olhos. A equipe de Edgardo Bauza possuía os seus trunfos, especialmente na solidez defensiva e na precisão de seus ataques. E dependeu demais dos milagres de Torrico para conquistar a tão almejada taça. Entretanto, o Ciclón caiu de nível desde a façanha, muito por ter perdido Ignacio Piatti e Ángel Correa, duas grandes armas ofensivas. E precisará ir além do que vem demonstrando para buscar a classificação em um grupo tão duro.
Castro abriu o placar no Centenário com apenas 11 minutos, aproveitando a brecha defensiva do San Lorenzo. E a virada acabou saindo apenas no abafa final, quando os visitantes queriam ao menos o empate para não ficarem tanto no prejuízo. Mauro Matos foi oportunista para empatar aos 41. E, dois minutos depois, o jogo aéreo decidiu através de Mauro Cetto. A vitória contra aquele que, em teoria, é o adversário mais fraco da chave, fora de casa. Nada mal para o chaveamento duro para as próximas rodadas.
O ambiente no Nuevo Gasómetro deverá ser decisivo ao San Lorenzo. Intimidar Corinthians (mesmo com os portões fechados) e São Paulo será fundamental para uma equipe que, tecnicamente, é inferior aos dois brasileiros – ainda que possa superá-las taticamente. As defesas inacreditáveis de Torrico e a coesão da cabeça de área comandada por Mercier já deram um título continental aos cuervos, e podem levá-los longe outra vez, por mais que não haja o talento de Piatti ou Correa para desequilibrar. A questão maior é que o Ciclón não pode ficar tão à mercê do imponderável. Afinal, quando o time não apresenta tantos recursos, a interseção do Papa Francisco pode não ser suficiente.



