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River x Boca é como correr a maratona contra o vento, e ganha quem não tropeça

A tensão é real, e solidifica o ar. Qualquer movimento é mais difícil, como andar na água. Com tanta matéria no caminho, o ambiente é áspero e os choques são particularmente duros, chegam a causar faísca. É como um motor de um superesportivo em pleno funcionamento, mas sem nenhum lubrificante para preservar as peças. Assim é um River Plate x Boca Juniors, uma maratona contra o vento em que vence quem não tropeçar. Foi o que aconteceu nesta quinta, no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores.

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Não foi uma boa partida do ponto de vista técnico. Sobrava intensidade, mas faltava capacidade de cadenciar o jogo, impor uma estratégia racional para buscar o gol. Seria esperar muito cérebro para um duelo que sempre é vencido com o coração. E nesse aspecto, foi um ótimo clássico argentino.

Cada dividida era encarada como se a trombada fosse inevitável. Não era um jogo violento, mas ninguém dava margem a nada em cada dividida. Alguns cutucões a mais eram a regra, aparentemente aceita pelos dois lados como algo natural para um confronto desse tamanho.

O River Plate tomava a iniciativa como quem sabia que precisava vencer em casa para aumentar as chances de classificação. Algumas boas oportunidades foram criadas, mas o excesso de vontade muitas vezes prejudicava a finalização (e, se isso já havia sido um problema dos millonarios contra o Juan Aurich, imagina contra o Boca).

O Boca preferiu especular, deixar o adversário se expor para explorar alguma falha. Mas ela não veio. Com Ponzio e Kranevitter bem postados na marcação, o meio-campo riverplatense ficou mais sólido e criou o volume de jogo necessário para empurrar sua equipe. Aí, um deslize foi fatal. Martínez recebeu uma bola na área, Marín falhou de forma infantil e acabou cometendo um pênalti esquisito. Sánchez aproveitou e fez o gol da vitória do River Plate, acabando ainda com os 100% de aproveitamento do rival na Libertadores 2015.

O resultado foi justo porque premiou quem fez mais força para encarar o vento nessa maratona. Mas os jogadores e torcedores sabem que, daqui sete dias, há mais uma corrida pela frente. Na Bombonera, valendo vaga, o vento contrário pode virar um furacão. E o objetivo nesse cenário não é ganhar, mas ficar em pé e sobreviver.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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