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Passadas as formalidades, chegou a hora de a Argentina mostrar realmente a que veio

Protocolar. Não há termo melhor para definir a vitória da Argentina sobre a Jamaica, no encerramento de sua participação na fase de grupos. Classificada, a Albiceleste só jogou quando lhe foi convincente, satisfeita com a vitória por 1 a 0, que ratificou o primeiro lugar do Grupo B. Longe de encantar, o time não criou muitas chances, desperdiçou quase todas elas e ainda tomou pressão dos caribenhos ao final, sob gritos de olé da torcida da casa. Desperdiçou a chance de fase como o Chile, atropelando um rival inferior. Até aqui, o time de Tata Martino joga para o gasto. E deixa a dúvida se acordará mesmo quando preciso.

Quem mais se interessou em correr contra a Jamaica eram aqueles que ganhavam uma oportunidade no time misto. Gonzalo Higuaín aproveitou o passe de Di María para, diante da frágil defesa adversária, chutar no canto e anotar o gol da vitória. Também se esforçou para tentar ampliar sua marca e, quem sabe, criar alguma dúvida na disputa contra Agüero. Esbarrou na trave. No mais, dava para se contar nos dedos aqueles que se empenharam. Após uma primeira etapa forçando os gols, a Albiceleste relaxou totalmente no segundo tempo. Só voltou a contar com vontade quando Tevez saiu do banco.

Já entre os titulares, pouco se mostrou. Mascherano manteve a seriedade na cabeça de área, enquanto Pastore e Di María tiveram alguns lampejos. Messi, por sua vez, completando 100 jogos com a equipe nacional, não fez muita questão de coroar a data festiva. Mal ameaçou o goleiro jamaicano, que, apesar da afobação, teve algumas boas intervenções. E quando a Jamaica percebeu que não tomaria goleada, mesmo eliminada, forçou no ataque em busca do empate. Até rondou a meta de Romero, mas sem criar nada concreto.

Além do primeiro tempo contra o Paraguai e, em partes, do segundo contra o Uruguai, a Argentina produziu muito pouco nesta primeira fase da Copa América. Não justificou a badalação em um grupo difícil, mas no qual tinha margem para sobrar bem mais. A hora da verdade começa agora, com os mata-matas, e a possibilidade de cruzar com o Brasil logo nas semifinais. Resta saber o quanto desta letargia ainda influenciará a postura do time quando precisar se doar. E qual realmente é a condição de seus craques, que vêm desgastados em um final de temporada intenso para boa parte deles.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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